O lugar mais mágico do mundo (parte 7)

Coisas para fazer na fila da Disney:

1) comer

2) ficar saindo pra ir ao banheiro e voltar dizendo EXCUSE ME. Meus filhos sabem perfeitamente falar ‘com licença’ em inglês. Avanços linguísticos – temos!!

3) Quando já estão cansados: brincar de jogos parados (parara-parati, la em cima do piano, o que mudou – muda alguma coisa na roupa e eles tem que adivinhar)

4)ficar subindo nos divisores de fila (e levando bronca)

Mas principalmente:

5) Olhar em volta. A Disney tem a maior variedade de pessoas que você já viu, de todos os países, idades e etnias.

É fascinante reparar na língua que a família do lado tá falando e na brincadeira que as crianças da frente inventaram.

Do Peter Pan vamos para o brinquedo do Ursinho Pooh. Do Pooh para o da Pequena Sereia. E de lá para o Dumbo. Sabe o que esses brinquedos tem em comum? 

Não entendo como essa conta fecha:

No Carrossel e na Xícara Maluca tinha apenas 5 minutos de fila, e foi o máximo! Rodamos muito na xícara, cavalgamos… mas aí eu lembrei que em SP temos esses dois exatos brinquedos no Play Center… 

Depois de almoçar, (precariamente, esqueça legumes e vegetais. Pense em sanduíches e comidas rápidas) as meninas pedem: 

Acho justo, afinal, as princesas originais da Disney estão todas aqui. Então lá vamos nós!!

Mas chegando lá…

80 minutos? Só pra ver uma menina com maquiagem, penteado e fantasia de glitter???? Digo às meninas: 

“Uma hora e meia na fila não tem condição!!” 

Mas na maternidade você aprende que algumas coisas não são negociáveis. Escolha suas batalhas, dizem. Então lá entramos nós na fila.

Bem ao nosso lado, separados por um fino cordão vinho, a fila do Fast Pass. Ela é rápida, curta, uma verdadeira benção. 

Olhamos com sofreguidão enquanto as pessoas passam por ali deslizando como plumas e somem atrás de uma cortina de veludo vermelho. É como se fosse a primeira classe do Titanic. 

Imagino-os descendo a bela escadaria de mármore, participando de jantares chiquérrimos com as princesas e tomando chá em xícaras de porcelana chinesa enquanto nós dormimos em beliches duras e esperamos pacientemente os oitenta minutos passarem. Se batermos num iceberg eles terão prioridades nos botes salva vidas e nós ficaremos aqui, largados e pelados. 

SORVETE NO PALITO

Saímos das princesas – finalmente!! – e está fazendo 40 graus. São 4 e meia da tarde e estamos exaustos. Mas vamos pra casa? ÓBVIO que não. Tem fogos de artíficio às 22h. Desfile do Mickey. Um monte de coisa! 

E então como se fosse a resposta para todos os nossos problemas, surge um sorveteiro. É hora do sorvete!! 

Escolhemos os clássicos de vanilla com chocolate tipo esquimó, em formato de mickey. 

E em menos de 2 minutos, eis o que acontece:

O sorvete da Stella despenca de cima do palito.

Já estou oferecendo o meu pra ela (sacrifícios de mãe, fazer o quê) quando o entusiasmado vendedor se materializa do nosso lado com um sorvete novinho em folha. 

Agradeço de todo o coração (vou manter meu sorvete. OBA!!!) enquanto ele explica que ninguém pode chorar na Disney, o lugar mais feliz do mundo. 

Lembro que li em algum lugar que os funcionários precisam estar sempre de bom humor, devem saber as respostas para tudo e JAMAIS podem usar palavras desagradáveis, como vômito. 

Se houver uma ocorrência do tipo, eles falam Code V. (Fico imaginando eu no meio da noite em casa numa crise de virose de algum deles enquanto grito para meu marido “Amor, CÓDIGO V, CÓDIGO V!! RÁPIDO”. Talvez eu vá aderir à regra. Acho elegante, discreto.)

MONTANHA RUSSA

O meu limite de brinquedo é o mesmo da minha filha de 5 anos: onde ela pode entrar, eu também vou. Já meu filho, curte despencar lá de cima, ficar de ponta cabeça… Ele tem 7 anos, mas é bem alto para a idade. Ou seja, vai em tudo o que um menino de 10 anos vai. 

O problema é que ele fica tentando me convencer…

Resultado? A contra gosto, digo que irei. Ele consegue um fast passa para a Space Moutain, também conhecida como a montanha russa do escuro. Sentiu o drama?

Ele vai ver só. Eu vou ser a passageira mais ANIMADA que eles já viram. Vou levantar os braços, berrar e deixar os cabelos soltos ao vento. 

A moça chama a gente. Sinto o sangue gelar. Quero que acabe a luz do parque. Que dê alguma pane elétrica e o brinquedo não ligue. Mas estamos falando da Disney. Não tem nada que dê errado por mais de 30 segundos. Tudo flui com perfeição. 

Entramos e colocamos o cinto. Não é um cinto bobinho como o do brinquedo do Pooh ou o do Peter Pan. Não. É uma trava bem mais resistente. 


Não tem o que fazer. A mocinha termina de explicar as normas de segurança com a animação de uma líder de torcida e partimos para o breu…

Aperto o braço do meu filho, sinto o vento fresco na minha cara e começo a gritar….

Lembra do gibi da Mônica, quando ela bate no Cebolinha e ele fica com o olho roxo, a roupa rasgada? É exatamente assim que eu estou quando saio da Space Mountain. Enjoada, aterrorizada… mas me sentindo estranhamente viva. Os sentidos estão mais aguçados. Consigo entender por um breve segundo as pessoas que escolhem por espontânea vontade essa vida mais radical. 

Mas, honestamente, ficar despencando lá de cima, no escuro total, sem hora para acabar, não é para mim. 

Se quiser emoção na vida, tome um banho gelado. 

FIM DO DIA

Entre filas, aventuras e muitos (muitos) lanches, o dia segue cheio de emoção e alegria. O show de fogos acaba às 23h, e o parque continua lotado, com a mesma vibração daquela manhã.

Não sei porque a Disney é tão especial. Se é pelas lembranças da nossa infância, se é pela energia mágica e de pura alegria que eles preservam a todo custo. 

Enquanto andamos pela avenida principal para a saída do parque, olho as pessoas ao nosso redor, e sei que cada um está aqui por suas razões particulares, mas todos compartilham uma mesma sensação: a de que tiveram um dia incrível. Serotonina, endorfina, adrenalina e todos os hormônios da alegria estão a mil! 

Sair finalmente do parque é outra odisseia e, quando chegamos em casa, são quase 1 da manhã. Estamos todos exaustos, super estimulados, mas felizes. Tudo o que precisamos é de uma boa noite de sono…

(Continua)
(Próximo episódio: Parque da Universal, e um imprevisto sério)

 

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