Um filho de dez anos

Outro dia fui preencher um formulário do meu filho e fiquei meio atônita ao colocar no espaço de idade o número 10. Dez anos. DEZ. Dois dígitos. Pensei: Caramba. Como foi que isso aconteceu?

A sensação é… que eu passei de ano na escola da maternidade. Ou sei lá, de fase no videogame. Tipo quando você sai do primário pro ginásio, sabe? Quando a gente era criança e passava da 4a para a 5a série e tudo ficava um pouquinho mais difícil e assustador? Os professores eram mais sérios, as matérias mais complicadas…

E aí eu fiquei pensando… o que significa para mim, afinal, ter um filho de dez anos? A lista que eu rabisquei saiu mais ou menos assim:

Ter um filho de dez anos é:

Entender, na prática, o que significa quando dizem que o filho é do mundo, e não seu.

É ter medo dele sofrer bullying. Dele fazer bullying. Dele sofrer. Porque o mundo é duro, às vezes.

É deixar ele ir. Um pouco… só um pouquinho. E tentar ficar bem com isso.

É poder sentar junto no Netflix e assistir algo semi-adulto que os dois curtam. E rir juntos!

É aprender que nem sempre vale a pena brigar por um pum. Às vezes é melhor fingir que não ouviu.

É ter que aprender a confiar no que você ensinou até hoje, porque a vida/escola/amigos já começam a testá-lo, e nunca é fácil.

É aceitar que alguma hora ele tem que ir no acampamento com os amigos… você não pode segurar ele debaixo da sua asa pra sempre!

É não ficar triste quando ele está mais afim da companhia dos amigos do que da sua.

É saber que ele te ama muito, mesmo que não precise mais tanto assim de você. No fundo ele sempre vai precisar, um pouquinho.

É ouvir longos e detalhados relatos sobre jogadas de futebol na escola e fases de videogame.

É aceitar a enxurrada de hormônios que vêm, cheia de destrambelhados ataques de fúria.

É seguir separando as brigas cabeludas com a irmã de 7 anos. O dia inteiro. Por motivos cada vez mais elaborados, que nem Freud nem Einstein saberiam explicar.

Mas também perceber que de repente ele está tendo momentos de conversas despreocupadas e cheias de cumplicidade com ela.

É aceitar que nem sempre você vai conseguir lembrar de todas as coisas fofas e palavrinhas engraçadas que ele falava, nem de todas as fases que ele passou. É entender que algumas memórias se perdem no tempo. E tudo bem! Novas vão se formando.

É aceitar que nem sempre sua opinião vai prevalecer, e faz parte…. A palavra final AINDA é sua! Aproveite!

É constatar que, apesar de tudo isso, ele ainda cabe, sim, no seu colo quando precisa.

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