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Sobre o primeiro, segundo e terceiro filho…

Quando meu primeiro filho nasceu eu estava nas nuvens. Ele era lindo, saudável e super tranquilo. Durante os três dias que passamos na maternidade ele não deu um pio. Mesmo quando estava aquela gritaria na sala, cheia de visitas, o menino dormia que nem um anjo. Passamos esses dias encantados com o novo integrante da família, contando para todo mundo como foi o parto e distribuindo cestinhas com sachê para quem viesse visitar.

Então, eu e meu marido chegamos em casa da maternidade felizes da vida, se achando os pais mais sortudos do mundo por termos sido presenteados com um bebê-quieto-e-tranquilo-que-quase-não-chora. Bom, a alegria durou pouco. Pisamos em casa e a máscara do meu pequeno caiu…

… ele começou a chorar incessantemente. E eu, como mãe de primeira viagem, quase chorei junto. Era o primeiro dia em casa e as coisas já tinham começado a sair do controle.

Eu e o pai ficamos desesperados. Não sabíamos o que fazer. Já amamentamos, já trocamos a fralda, já colocamos para dormir. Agora falta mais de uma hora pra próxima mamada. O que fazer?? Dar banho?? Na hora pareceu uma excelente ideia. Mas o banho que parecia ser algo tão simples na maternidade se revelou algo extremamente complicado. Eu fiz questão de aprender com as ágeis enfermeiras a melhor posição para segurar o bebê, como passar o sabonete e como virá-lo de barriga para baixo. Mas em casa, sozinha, me vi perdida.

Lá fui eu, preparei a banheira testei a temperatura (quente? frio? morno? Morno mais pra frio ou mais pra quente??) Despi ele e mergulhei seus pézinhos na água. Ele seguiu chorando. E eu segui inquieta. Com que mão segurar o bebê, o shampoo? E como devo lavá-lo?? Cantarolando nervosamente a primeira canção infantil que surgiu na minha mente, molhei a cabeça dele, massageei a barriga, os pés, as mãos, e ele seguiu chorando o banho inteiro.

Por fim, tirei ele da banheira e abracei com a toalha. Mal sabia a tormenta que viria a seguir: pôr a fralda e vestir o macacão. Bebês recém nascidos não gostam de ficar pelados, porque eles se sentem inseguros sem a roupinha e começam a achar que estão caindo ou que vão cair… Aí eles choram ainda mais.

Bom, no fim desse episódio eu estava descabelada, ofegante e quase transpirando. Tem noção do quão tenso é passar aqueles dedinhos miúdos e delicados pela manga longa do macacão?? E – (graças aos céus) – são dois braços e duas mãos, então tem que fazer o processo todo duas vezes.

Bom, peguei-o no colo, abracei, e ele finalmente parou de chorar – acredito que de exaustão, mas tudo bem.

E então percebi, desde o dia em que cheguei em casa da maternidade 7 anos atrás, que ser mãe não é tão fácil assim como parece nos filmes, ou na casa do vizinho. As pessoas não costumam ser 100% honestas quando se trata do assunto. Exemplo: Quando alguém encontra na rua uma nova mamãe que tem um bebê de duas semanas e pergunta como ela está, ela responde “Tudo ótimo! O Pedrinho é tão fofo, estamos apaixonados!!” Ok, ela não mentiu. O bebê deve ser fofo, e eles devem estar apaixonados mesmo. Mas ela omitiu uma série de coisas. Poderia ter respondido “To meio cansada, meu peitos estão doloridos, e essa vida de três em três horas é mais complicada do que eu imaginei.. mas tirando isso ta tudo ótimo, e ele é lindo” Poxa vida, ter filho é o máximo, desperta os mais nobres sentimentos, blablabla. Mas dói. É exaustivo. Deixa a gente perdida e com a auto estima abalada.

Então vamos às primeiras de minhas descobertas:

1- Ninguém me avisou que bebês tem horas do dia pra chorar. Uma bela tarde, nas primeiras semanas de vida do meu filho, ele de repente começou a chorar. Chorou, chorou, chorou. E eu me descabelava para tentar acalmá-lo… Será que é a fralda? Será que é fome? Será que é cólica? Dizem que é a tal da cólica… vamos lá, massageia a barriga, esquenta a bolsa térmica. Mas nada adiantava. Então descobri que tem momentos que eles simplesmente precisam ficar berrando sem parar. E não há nada que você possa fazer sobre isso. A não ser sentar e esperar. Se tiver cabeça fria, abrace-o e aproveite pra folhar uma revista ou comer um cupcake até ele se acalmar. Ou se você for ansiosa como eu, tome-o nos braços e fique dando voltas ao redor de sua mesa de jantar. Como preferir.

2- Ninguém me avisou que amamentar DÓI TANTO, que as mamadas duravam tantos minutos e que podiam ser tão difíceis no início, até o bebê aprender a pegada. Eu estava me achando tão importante por ser a única fonte de alimentação do meu precioso bebê, empolgadíssima para amamentar. Mas não sabia que descida do leite era tão dolorida que parece que você acabou de pôr silicone nos seios. Que o peito precisa se adequar a quantidade de leite que seu filho toma – estilo oferta e demanda. E que até isso acontecer a gente sente uma dor infinita. Não imaginava que meu lindo e inofensivo bebê ia sugar com tanta força até o mamilo rachar e sangrar. Que aquela pomadinha totalmente ineficiente que eles dão na maternidade não funciona para nada.

3- Ninguém me avisou o quão difícil é estar dormindo tranquilamente num sono profundo e acordar com um ser berrando desesperado. As 3 da manhã. Gente, acordar assim é de enlouquecer qualquer um. Aliás não fazia ideia o que NOITES MAL DORMIDAS significavam de fato. Sempre achei que seria fácil, porque eu poderia dormir a vontade durante o dia, pois eu estaria de licença e, afinal de contas, “bebês recém nascidos só dormem”, né?

Tudo o que eu pensava era “Como as mães aceitam passar por isso?? Como fulana passou por isso? Como a CICLANA passou por isso?? Minha mãe passou por isso quatro vezes!! E não teve o mínimo de respeito e dignidade de me avisar que seria assim?? Como isso pode ser aceito pela sociedade? E por quê, pelo amor divino, as pessoas vão para o segundo filho? Como são loucas o suficiente para isso?”

Bom, três anos depois e fui para o meu segundo bebê. E agora, adicionando mais quatro anos à soma, chegamos ao terceiro bebê. Pois é, loucos ou não loucos, acabamos resolvendo ter não apenas mais um, mas mais DOIS.

Porque também, ninguém me avisou que minhas prioridades iam mudar. Que ser mãe exige maturidade, muuuuita paciência e dor física, mas ao mesmo tempo, que o meu pequeno bebê ia encher minha vida de significado e amor.

E que no final, nada é como você imaginava que seria. É tão pior e ao mesmo tempo tão, tão melhor.

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Não, essa última imagem não é uma reprodução de uma foto da vida real. Nossas fotos em geral não dão tão certo assim, sempre sai gente não sorrindo, ou pior, brigando um com o outro. Faz parte. Você pode clicar aqui ou aqui para ler mais sobre como é fotografá-los aqui em casa.

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Três e novembro

Meus filhos ultimamente têm brincado de um novo jogo, que eles chamam de “Vendedor”.  O legal desse jogo é que você pode brincar em qualquer lugar. Em casa, no banho, no carro, na sala de espera do médico, etc. Consiste em fingir que você está comprando e vendendo coisas. Pode ser qualquer coisa, desde uma tampa de shampoo até um telefone ou uma poltrona.

Então ontem já era hora do banho e eles estavam no meio de um desses intermináveis jogos, negociando bravamente se um relógio do mickey que meu filho estava vendendo deveria custar cinquenta e nove, vinte um, ou três reais.

EU: Filhaaa! Vamos tomar o seu banho?

tres e novembro

Hm.. eu diria que é uma gama de produtos bastante diversificada.

EU: Ah, oi vendedora. Quero comprar este óculos.. quanto custa?

FILHA: Custa três e novembro.

EU: hahahaha

(Provavelmente ela quis dizer noventa. Tudo hoje em dia tem o noventa no final, já reparou? Até minha filha de três anos reparou. Espertinho esse noventa, faz você achar que está pagando quase um real a menos do que está pagando na verdade…)

EU: Ah tá meio caro esse óculos, né… e a corujinha?

FILHA: Três e novembro.

Tudo nessa loja custa três e novembro.

EU: Tá legal, vou querer a coruja então. Tem troco pra vinte?

O ‘dinheiro’ nessa brincadeira são cartões de visita. Quer deixar os meus filhos felizes? Dá o seu cartão de visita pra eles. Se der um cartão pra cada um então, eles vão à loucura.

tres e novembro 2

Peguei o meu troco e fui embora.

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Brincadeiras a parte, este jogo de vendedor me faz refletir sobre a sociedade de consumo em que nossas crianças estão crescendo e em quão insustentável ela é. Onde vai parar isso? Quantos brinquedos os seus filhos tem? Quanta tralha que você não usa há mais de um ano? A quantidade de coisas a venda que se esfrega na nossa cara todos os dias, as propagandas sem limites, os anúncios que nunca foram tão insistentes e semeiam lá no íntimo aquela urgência em comprar.. Como nossos filhos vão acabar saindo disso tudo? Para se pensar…

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Sobre casamentos

Oi Gente
Pra quem não lembra meu nome é Debora e eu costumava escrever neste blog há muito tempo atrás. Mas aí eu parei. Por que eu parei? Não sei! A correria, o dia a dia, a falta de inspiração pra escrever (canalizada pra outra área, mas ok isso é assunto de outro post).

A boa notícia é que depois de tanto tempo eu voltei pra continuar postando as aventuras da família em quadrinhos. Por onde começar depois de tanto tempo? Bom, meu filho hoje é um grande cirurgião que passou meses viajando com os Médicos sem Fronteiras e hoje atende nos melhores hospitais de SP. Minha filha cresceu, se formou em economia, criou o seu próprio fundo de investimentos, casou e já tem um bebê.

Brincadeira não passou taaaaanto tempo assim.

Não.. Meu filho está com 5 anos e 9 meses e minha filha acaba de completar 3 anos. Não mudamos muito desde a última vez.

A cena de hoje aconteceu esta semana no carro. Era uma manhã como outra qualquer, estávamos saindo da garagem para ir à escola. Quando minha filha…

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EU (meio embasbacada sem saber o que responder): Sim filha, mas só quando você crescer.

E então meu filho, irmão mais velho protetor resolve entrar no papo:

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EU (precisando de mais detalhes sobre esse assunto.. Desde quando uma menina de 3 anos se preocupa com casamento?): mas com quem você vai casar?

Ao que ela responde:

casar 3

 

Olha aí o édipo minha gente… Freud tarda mas não falha.

FILHO: Mas com amigo do papai não pode!!

FILHA: Por que não??

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Nessa hora eu já não sabia se ria ou se chorava… porque criança não mede palavras, elas são sinceras e ponto final.

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Quando eles estão amigos

Irmãos. Uma relação tão ambígua. E é tão difícil tentar descrevê-la.

Uma hora se amam. Uma hora se odeiam. Se tornam rivais de primeira. Mas logo essa rivalidade evapora e dá lugar a um companheirismo sem igual. E eles, que há pouco pegavam no pé um do outro, em questão de minutos se tornam os mais fiéis parceiros no crime.

As vezes eles estão brigando tanto que me fecho no banheiro por alguns segundos para respirar.

Mas o texto de hoje descreve uma parte carinhosa dessa relação. É uma daquelas cena fofas e raras, que as vezes nós temos a sorte de estar por perto bem na hora para testemunhar.

Era uma tarde como outra qualquer…

FILHO: Irmãzinha!!  vamos pular na cama da mamãe?

FILHA: vamos vamos vamos

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Se tem um programa que eles amam, é pular na minha cama. Eles estão reclamando que não tem nada pra fazer e você está sem criatividade para inventar brincadeiras?? Manda pular na cama.

Não tem erro.

irmaoss 3

Mas minha pequena não conseguia subir sozinha. A cama estava alta para as suas perninhas.

Então…

IRMAOSS 2

Como assim fazer um banquinho? Eu me perguntei..

Mas logo entendi:

irmaosss

E continuaram pulando, felizes e gargalhantes, até a próxima briga.

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Mãe, posso ver tv?

FILHO: Mãe, deixa eu ver tv?

EU: Ah não filho, ver tv não. Vamos fazer outra coisa.

FILHO: Mas eu quero ver televisão mãe.. faz tempo que eu não vejo.

EU: Mas tv é só pra quando não tem NADA pra fazer. E a gente tem mil coisas pra fazer agora! Tipo brincar de lego, pintar, fazer colagem…

FILHO: Se você não me deixar eu ver TV eu vou te bater, porque eu quero muito ver um filme!

EU: Ah filho mas não pode bater na mãe. Isso não se faz. E eu vou chorar se você me bater né?

FILHO: E daí?

EU: E aí eu vou chorar tanto que vai acabar toooda a água do meu corpo*. (A mãe trágica. Drama Queen.)

Silêncio.

 

ver tv 2

 

Tão gentil… A água do corpo da mãe que se dane, eu quero mesmo é assistir Bob Sponja!!

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* Falei sobre a água do corpo porque um dia essa semana minha filha estava fazendo escândalo** e ele anunciou docemente que a água do corpo dela iria acabar de tanto que ela estava chorando. Ri muito.

** Em breve post sobre os escândalos dos dois anos de idade (ou popularmente conhecido como TERRIBLE TWOS)

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Das coisas que parecem simples

Andar na rua com duas crianças. Parece uma coisa simplíssima de fazer. Todo mundo sabe: tem que dar a mão, andar devagarzinho, parar nas faixas de pedestre, etc etc.

Mas na prática nem sempre acontece assim.

As vezes, eles empacam, do nada, e decidem que não querem mais andar.

Outras vezes eles disparam feito foguete pelas calçadas.

rua

A mãe vira A louca.

Outra coisa que parece ser muito simples é pagar coisas. Pagar qualquer coisa no caixa de alguma loja. Parece uma coisa tão comum, tão normal.

A gente acha que os filhos vão ficar quietinhos pacientemente esperando você digitar a senha correta do cartão, checar o valor a ser pago, etc.

Mas, pelo menos aqui em casa, não é assim que funciona…

coisas simplesFé e foco. Fé e foco.

Nos dias que você está mais estressada evite sair com eles.

Mas tem dias que até ficar em casa é complicado…

simples

Ir ao banheiro também parece uma coisa super simples de se fazer.

Tipo “vou aproveitar que eles estão entretidos e fazer um xixi rapidinho…”

Doce ilusão…

xixi2

Ir no parque. Parece uma coisa super educativa, relaxante… Eles vão ver a natureza, brincar e correr ao ar livre.

Tão lindo! A gente acha que vai poder sentar e ler os nossos livros enquanto eles exploram livremente a natureza.

Mas não é bem assim…

PARQUE

Pois é..

Antes de ser mãe eu achava que ter filhos era coisa simples. Afinal, todo mundo tem, né?

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Coisa de Pai

Essa semana recebi um convite super legal: Escrever um post para o blog Coisa de pai. O tema?? “Coisa de pai”.

COISA DE PAI

Coisa de pai é participar da gravidez desde o início! É engordar, passar mal e morrer de sono durante os nove meses junto com a grávida. É atender aos desejos da futura mamãe pra o bebê não nascer com cara de X.

Lembro que tive desejo de ovos mexidos as 2 da manhã. Mas nós estávamos sem UM ovo na geladeira… Adivinha quem foi comprar?

COISA DE PAI 2

Coisa de pai é, apesar da falta de prática, dar uma folguinha pra nós mamães, (quase) sempre com um sorriso no rosto =D

COISA DE PAI 1

É não ter o menor senso de moda…

COISA DE PAI 5

Pôr lacinho na filha? Vestir a criançada com roupa que combine? Isso é coisa de mãe.

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