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Ameaças não cumpridas

Lembram que nesse post falei um pouco sobre o perigo de não cumprir as ameaças que a gente faz com os filhos?

Então. Segue abaixo um diálogo com o meu filho de seis anos, ocorrido há pouco mais de um mês:

mente

Oi????

EU: Claro que não meu amor! Mamães nunca mentem. Mamães sempre falam a verdade.

FILHO: Não é verdade.. porque lembra aquele dia que você falou que se eu batesse na minha irmã você não ia me levar no parque de bicicletas?

EU: Sei.. (mentira, não faço ideia do que ele está falando.. acho que faz uns 4 meses que não vou no parque das bicicletas) o que que tem ?

FILHO: Então, eu bati nela. E você esqueceu que você falou que não ia me levar e acabou me levando no parque da bicicleta.

Eu não faço a menor ideia de quando foi isso. Tenho uma vaga memória de uma briga e uma ameaça “escapada” da minha boca. Mas acho que mandei essa situação lá pro meu inconsciente, porque apaguei da cabeça.

Me recompus e respondi:

EU: Filho, se eu te levei é porque você depois fez algo que mereceu ir para o parque. Pediu desculpas, fez uma boa ação. – (Ou sei lá eu!!)

E ele, pra me ajudar (e com a memória de ferro que eles sempre tem), responde:

FILHO: Não não, não pedi desculpas não. Mas tudo bem. Depois a gente fez as pazes mesmo.

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E foi-se embora. Acho que se contentou com a minha resposta.

Enfim. Tome cuidado com as ameaças que você faz.

Elas podem se virar contra você.

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A amiga da natação

Papo com minha filha de três anos e meio:

FILHA: Mãe, sabia que a minha amiga da natação tem uma prima que tem o meu nome e também usa brinco de joaninha, igual eu?

EU: Que legal filha!! Ela te contou?

FILHA: É!

EU: E como se chama sua amiga da natação?

….. silêncio.

EU: Filha, você não sabe o nome dela?

joaninha 1

HAHAHAHA

EU (segurando o riso): E você sabe o seu como? Porque eu te contei?

joaninha 2

HAHAHAHAHAHHA

Então tá!!

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Uma tática infalível

As vezes é difícil manter a autoridade. Você não acha? Eu com dois filhos às vezes sinto um pouco de dificuldade de manter os dois “na linha” (quem ler vai achar que eu sou super autoritária hahaha mas não sou não tá, sou normal). Quando eles entram no modo “vamos nos juntar contra a mamãe”, ninguém segura.

Então hoje eu quero compartilhar uma dica que funciona hiper bem. Uma dica que eu na verdade descobri já faz uns anos, e que eu simplesmente não sei explicar por que funciona!! Mas funciona.

Digamos que você está em casa, fim da tarde de um domingo. Você olha em volta e está tudo uma zona. O lego espalhado, as bolinhas de gude jogadas por toda a sala, os livros todos no chão, os bloquinhos de madeira espalhados misturado com o lego, lápis de cor, folhas de papel…. Você olha tudo em volta e pensa “Como, meu Deus, como eu deixei chegar nisso?? Porque eu não mandei ir guardando a cada novo brinquedo que eles escolhiam?”

Chega aquela fatídica hora de arrumar, e você começa a cantar gentilmente, convidando todos a participar desse momento tão solene.

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Sério, eu encarno a noviça rebelde. Canto mesmo, entoo a música, sou hiperlegal.

E tem dias que eles super colaboram. Arrumam tudo, felizes, unidos, uma beleza. Mas tem aqueles dias que eles respondem assim:

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Aí eu já sei que eu tenho duas opções:

1- ligar o “dane-se” e arrumar tudo sozinha. Paciência. Deixa eu mimar eles agora que eles vão crescer um dia. Além disso, estou esgotada pra iniciar a terceira guerra mundial nesse momento.

2- Insistir pra eles arrumarem. E aí me preparo pra guerra. (Essa opção exige preparo físico e mental. Esteja focada no seu objetivo. Eles são muito espertos e conseguem te enrolar facilmente)

Aí, nesse dia, eu optei pela 2a alternativa. Eu mandei arrumar.

Aquele show né, eu implorando pedindo pra arrumar, já ameaçando* tirar tudo o que eles mais amam – TV, livrinhos, video, netflix, bichinho de pelúcia, etc. – E me lembro da tática infalível. A mais infalível de todos os tempos. Ela SEMPRE funciona.

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Eu ameaço que vou contar até três.

Nessa hora eles entram num frenesi. Um desespero, tipo “nãooooooo, não contaaaaa!! Pelo amor!!”

Eu juro que eu não sei o que eles imaginam que vai acontecer quando eu chegar no três, até porque eu nunca cheguei até o três. Eles sempre começam a arrumar no UM, ou no máximo no DOIS.

(Não, sério, eu me pergunto, o que raios eles acham que vai acontecer quando chegar ao três?? Se alguém souber por favor me diga.)

E então, em poucos muitos minutos minha sala está linda e organizada **

É impressionante como funciona! Já uso ha uns três anos e é batata. E você, já tentou??

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*uma palavra rápida sobre ameaças.

Se você ameaçar que vai tirar o brinquedo, a mesada, o passeio, a sobremesa, seja lá o que for, você precisa BANCAR essa ameaça. Parece óbvio mas não é. As vezes eu ameaço eles com as coisas e depois falo “PUTZ… por que fiz isso?? Burra”. Então pense bem na hora de ameaçar, porque se a gente não cumpre, a gente perde credibilidade com eles. Tenho até uma boa história sobre isso, que vou deixar pro próximo post. Prometo não demorar mais 5 meses!! =)

 

** Ok, linda e organizada é exagero. Mas digamos que a sala fica… decente.

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2016 está chegando

Mais um ano que chega ao fim! Já é o terceiro fim de ano do Filhos em Quadrinhos, nem posso acreditar! E por isso, decidi pegar a lista de resoluções que fiz aqui para 2014 e repassar ela.. Vou comentar item por item que tinha na lista. A resolução vai estar escrita normalmente e os meus comentários de hoje vão em vermelho escuro/vinho/uva itálico (não sei definir ao certo que cor é essa).

Vamos lá:

LISTA DE RESOLUÇÕES PARA 2014 (compilada em 30 de dezembro de 2013)

1- Aprender receitas novas e variadas pra fazer em casa

dez/2015: Aprendi!! E mudei algumas coisas! Oba! Mas sempre dá pra aprender mais, né? 

2- Trabalhar para ser uma mãe cada vez mais PACIENTE e CENTRADA

dez/2015: Vamos pular essa… 

3- Não comer as coisas que meus filhos deixam no prato. (Mesmo se for muito gostoso)

dez/2015: Também vamos pular essa

4- Não pegar salgados em festinhas dizendo que são para os meus filhos quando eu sei que eles não vão comer e quem vai comer sou eu. (AUTO ENGANAÇÃO)

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dez/2015: Desencanei… se eu estou com vontade eu pego e como mesmo porque o importante é ser feliz. Mas minha vontade também diminuiu!! Acho que nosso gosto vai mudando conforme os anos vão passando né..? 

5– Não comprar mais coisas inúteis achando que elas vão mudar minha vida (como os lenços umidecidos de higienizar chupeta. Nunca usei. )

dez/2015: Melhorei nisso!!! Tenho pensado mais antes de comprar coisas inúteis! Só livros que eu não aguento… livros são minha perdição.

6- Organizar! Manter organizados os brinquedos das crianças (incentivá-los a guardar, mesmo que seja muito mais rápido eu guardar tudo sozinha)

dez/2015: Como eles cresceram um pouco, consegui fazer com que eles começassem a arrumar os brinquedos. Mas mesmo assim, nos dias que eu estou cansada pra ficar no pé deles eu arrumo tudo sozinha – mais rápido, prático e eficiente? Sim. Menos educativo? Sim também… Mas a vida é assim.

7- Não ficar berrando desesperada quando meus filhos alimentam os carneiros na fazendinha

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dez/2015: Aprendi a relaxar mais com isso…! Mas acho que deve ser porque eles cresceram um pouco. Até no Parque da Água Branca (ou das galinhas assassinas) eu também fico mais tranquila.
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8- Ensinar meu filho a nadar URGENTE ***

dez/2015: Ensinei!!! Ele se vira super bem na água. Agora a meta é ensinar minha filha a nadar. 

9- Começar a anotar as pérolas das crianças para não esquecer.

dez/2015: Vamos pular essa também.. 

10- Usar menos o whatsapp e o iPhone em geral quando estou com meus filhos (vício horroroso)

dez/2015: De fato consegui melhorar o vício do iPhone sim, evito ao máximo usar quando estou com as crianças. Mas é que nem o item 1, o das receitas. Sempre dá pra progredir um pouco mais, né?  

É isso aí! Os filhos crescem e a gente vai crescendo com eles. Desejo a todos meus leitores um ano com mais noites bem dormidas, mais momento de fofura, mais compreensão, mais paciência e amor.. um 2016 com menos choro, menos brigas de irmãos, e menos dodóis!

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Sonhos e aspirações

Todo mundo tem sonhos. Sonho de virar estrela de cinema, ou em ser um grande médico, em se tornar empresário, artista, chef de cozinha… Alguns tem uma viagem dos sonhos, a casa dos sonhos. Ou sonhos mais imediatos, como o de passar de ano sem nenhuma recuperação, ou o de conseguir dormir 8 horas inteiras numa só noite.

Minha filha pequena tem um sonho.

Ela quer muito ter cinco anos. A aspiração da vida dela é ter cinco anos. Se você pergunta para ela “O que você quer ser quando você crescer?” Ela vai te responder:

cinco anos 1

Ela acha que fazer cinco anos vai abrir todas as portas do mundo pra ela. Se você já conversou com ela, provavelmente já deve ter ouvido “Porque quando eu fazer cinco anos…”

Com certeza esse sonho é inspirado no irmão, que hoje efetivamente tem cinco anos (e em duas semanas faz seis!!).

Quando eu perguntei para ela por que ela quer ter cinco anos, ela me compilou verbalmente uma lista completa de bons motivos. Com cinco anos ela poderá usar o elevador sozinha (desde que peça autorização pra mamãe), tomar banho sozinha, e fazer lição de casa todos os dias (!!!). Poderá viajar e passar o final de semana com os avós sozinha. Poderá ler sem ajuda os seus livrinhos antes de dormir. Poderá ir à dentista e ganhar uma lanterninha da Frozen (brinde que a doutora dá).

cinco anosEpa! Ficar acordada na-na-ni-na-não..

EU: Filha, isso você não vai poder fazer. Seu irmão tem cinco anos e ele dorme na mesma hora que você.

Então ela pondera um pouco e me pergunta:

FILHA: Mamãe, o que acontece depois de cinco anos?

EU: Hm… Você faz seis anos

cinco 3EU: Não filha, ainda não..

FILHA: Com quantos anos eu vou poder ficar acordada igual você?

EU: só lá pelos dez (inventei uma idade bem longínqua porque, para falar a verdade, não tenho a menor ideia de quando ela vai poder ficar acordada até tarde. Minha experiência como mãe vai até a tenra idade de seis anos)

Mas acho que serviu. Porque ela se contentou com a resposta e saiu andando, pensativa.

Acho que dei um nó na cabecinha dela. Mas vamos ver se amanhã ela continuará querendo fazer cinco ou vai começar a sonhar com o dez…

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É interessante que ela também usa essa idade de cinco anos para se esquivar das coisas… Por exemplo: quando eu pergunto quando a gente vai jogar as chupetas pros peixes, ela sorri e responde: Quando eu tiver cinco anos, mamãe! 

(O que é claro que não é verdade, pretendo tirar este ano… Ela usa a chupeta pra dormir, e gosta tanto que estou com dó de tirar!)

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Três e novembro

Meus filhos ultimamente têm brincado de um novo jogo, que eles chamam de “Vendedor”.  O legal desse jogo é que você pode brincar em qualquer lugar. Em casa, no banho, no carro, na sala de espera do médico, etc. Consiste em fingir que você está comprando e vendendo coisas. Pode ser qualquer coisa, desde uma tampa de shampoo até um telefone ou uma poltrona.

Então ontem já era hora do banho e eles estavam no meio de um desses intermináveis jogos, negociando bravamente se um relógio do mickey que meu filho estava vendendo deveria custar cinquenta e nove, vinte um, ou três reais.

EU: Filhaaa! Vamos tomar o seu banho?

tres e novembro

Hm.. eu diria que é uma gama de produtos bastante diversificada.

EU: Ah, oi vendedora. Quero comprar este óculos.. quanto custa?

FILHA: Custa três e novembro.

EU: hahahaha

(Provavelmente ela quis dizer noventa. Tudo hoje em dia tem o noventa no final, já reparou? Até minha filha de três anos reparou. Espertinho esse noventa, faz você achar que está pagando quase um real a menos do que está pagando na verdade…)

EU: Ah tá meio caro esse óculos, né… e a corujinha?

FILHA: Três e novembro.

Tudo nessa loja custa três e novembro.

EU: Tá legal, vou querer a coruja então. Tem troco pra vinte?

O ‘dinheiro’ nessa brincadeira são cartões de visita. Quer deixar os meus filhos felizes? Dá o seu cartão de visita pra eles. Se der um cartão pra cada um então, eles vão à loucura.

tres e novembro 2

Peguei o meu troco e fui embora.

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Brincadeiras a parte, este jogo de vendedor me faz refletir sobre a sociedade de consumo em que nossas crianças estão crescendo e em quão insustentável ela é. Onde vai parar isso? Quantos brinquedos os seus filhos tem? Quanta tralha que você não usa há mais de um ano? A quantidade de coisas a venda que se esfrega na nossa cara todos os dias, as propagandas sem limites, os anúncios que nunca foram tão insistentes e semeiam lá no íntimo aquela urgência em comprar.. Como nossos filhos vão acabar saindo disso tudo? Para se pensar…

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A vaca morrida

Este é um post sobre o dia em que vimos uma vaca morta na estrada.

Você já viu uma vaca deitada no meio da estrada? Eu nunca tinha visto. Foi uma experiência nova para mim e para o meu marido, e um tanto chocante para os meus filhos.

Estávamos viajando já há algumas horas por uma estradinha de duas mãos, cheia de curvas.

A situação dentro do carro era caótica (não vou ilustrar, vou deixar para suas mentes criativas imaginarem os pacotes de biscoitos, restos de maçã, papel kleenex jogados, garrafas de água vazias, etc) quando de repente passamos por uma vaca caída no meio da estrada. Gigantesca, branca. Uma cena chocante. Não havia sangue nem nada, apenas a vaca, e alguns carros parados prestando suas condolências na faixa ao lado*.

Ela estava tão serena que algum desavisado poderia imaginar que ela estava dormindo.

Com dois filhos pequenos no carro, nós não paramos. Deixamos a vaca para trás e continuamos nosso caminho, cada um absorto em seu silêncio, digerindo a cena, quando do banco de trás vem uma vozinha:

vaca morrida 1

Era minha filha.

EU:……. é verdade filha..

FILHA: Que nem eu né?

EU: Isso mesmo. Igual você.

vaca morrida 2

EU (e marido) HAHAHAHAHAHHAHAHA

FILHA: E aí ela fica assim, morrida.

O que eu posso dizer? Foi um aprendizado, passar pela vaca morta. Sem eu precisar falar nada, muitas lições ficaram para as crianças: temos que obedecer a mamãe, dar sempre a mão para atravessar a rua, estar sempre atentos…

Querida vaca da estrada, obrigada por me ajudar na árdua tarefa de educar os meus filhos, mesmo que só por alguns segundos. Sinto muito. Descanse em paz.

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Neste post aqui já falei sobre vacas na estrada. Mas no caso elas estavam vivas.

*Não havia ninguém fazendo contato físico e direto com a vaca, deitado em cima dela e abraçando-a como no filme do Eu Eu Mesmo e Irene. Isso foi um pouco decepcionante, confesso.