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As coisas bonitas que Ele faz

O que é D’us para você?

Alguém que você procura nos momentos difíceis? Um ser supremo que tudo pode? O criador do universo, do céu e da terra e de todos os seres? Seria o acaso, a natureza, as porções de felicidades, os pequenos milagres diários da vida? Seria – e essa dedico aos mais polêmicos – uma invenção do homem? Ou um velhinho de barba branca que mora no céu e recebe e-mails com cada pedido que a gente faz?

Bom, para a minha filha de 4 anos, D’us é uma linda princesa de vestido que arrasta no chão e que mora num castelo rosa-brilhante-de-flores.

Bem gráfico assim mesmo. E ela adora falar de D’us assim, do nada.

E num belo domingo, desses que a gente fica em casa sem fazer nada, meu marido perguntou pra ela ao notá-la concentrada olhando pela janela através do horizonte:

PAPAI: Filha o que você está olhando aí?

Profundo o negócio hoje né?

PAPAI: E o que você tá pensando sobre D’us?

FILHA: Estou pensando nas coisas bonitas que ela faz (ela = D’us)

PAPAI: Sério? Que legal filha… tipo que coisas?

E ela suspira, com ar de sabedoria, e responde:

FILHA: Ah, tipo o meu irmão.

Ah claro, tipo o irmão com quem ela por acaso acabou de se matar por um bichinho de pelúcia.

Sem mais.

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Conclusões dessa história:

1- Não tente entender as brigas do seus filhos. Se ninguém estiver se machucando, DESENCANA e vai cuidar da sua vida. Demorei pra aprender essa lição, mas assumo que minha vida mudou MUITO depois de começar a agir assim.

2- Minha filha de 4 anos pensa nas “coisas bonitas que D’us fez”… (Não sei se isso é bem uma conclusão, mas o fato ainda me espanta um pouco… tipo…  o quanto VOCÊ pensa em D’us? E nas coisas bonitas que Ele fez?)

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O bisavô de 90 anos

Meus filhos tem um bisavô de noventa anos. É o meu avô por parte de mãe.

Ele é daqueles vovôs de bem com a vida, tranquilos e cheios de saúde, sabem? Galanteadores, que estão com tudo em cima. Sabem apreciar a beleza feminina e ainda cantam as mulheres na rua. Ir ao shopping ou a farmácia com ele é sempre interessante, ele sempre encontra alguma vendedora bonita ou transeunte charmosa a quem possa cortejar, e eu me sinto de volta às décadas passadas, onde homens ainda faziam mesuras e saudavam mulheres.

Esse é o meu avô.

Bom, então este galanteador conversando com a minha filha de quatro anos:

BISA: Você é tão bonita!

FILHA: Eu sei bisa

Que bom que ela se tem em alta conta né? Auto estima vai bem, obrigada.

BISA: Quer casar comigo?

 

Decidida a menina.

BISA: Por que não?

E com toda sabedoria e sinceridade que só as crianças de 4 anos tem, respondeu:

FILHA: Porque quando eu for uma mocinha que nem minha mãe (mocinha, eu? Obrigada!!) você vai morrer. E eu vou ficar sozinha.

Então tá.

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Para quem está se perguntando a reação do meu avô, ele não ficou chateado, muito pelo contrário, deu muita risada da situação toda. Não é todo dia que um pedido de casamento é recusado com tanta fofura e sinceridade!! 

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O tal do parto

Toda grávida tem um certo receio do parto. Não tem jeito, dá medo. O que entrou na gente menor do que um grão de areia  vai sair com mais ou menos cinquenta centímetros e pesando três quilos. Fala sério, é pra dar medo em qualquer um, né? E uma das maiores dúvidas das gestantes é: como saber que é hora de ir pro hospital? No último mês cada dia é possível. Será que vai ser no sacolão, no cinema, na festa de uma amiga?

Imaginamos a cena básica: no meio da noite, a gente com dor, acorda nosso parceiro. “Amor acho que vai nascer!!!” Aí ele dá a mão pra gente, com todo o carinho, e iniciamos juntos a contagem das contrações no relógio, calmamente.

Ou a gente imagina que vai ser pega de surpresa. Numa consulta simples de nono mês, você ainda está de 37 semanas, e o médico te examina e fala “Querida, você está super dilatada! Vai nascer hoje a noite.”

Podemos ser mais dramáticas e achar que a nossa bolsa vai estourar em um lugar público. Que grávida nunca pensou nisso? A bolsa rompendo no meio do supermercado, a gente ficando toda molhada. E as pessoas correndo ao nosso auxílio, gritando “Vai nascer!! Vai nascer!!!!” Algum engraçadinho já com o iPhone em mãos filmando a cena toda, esperando que nos deitemos no chão e que demos à luz ali, entre os frios e os enlatados.

Gente, não é bem assim. Parto DEMORA. Salvo algumas exceções, grande parte do trabalho de parto consiste em esperar. Esperar a dilatação completar, esperar o anestesista chegar, esperar o bebê descer. É uma longa espera.

Bom, decidido que é hora de ir pro hospital, vem toda aquela emoção, ligamos para os familiares e vamos correndo para o carro (se você resolver ir de taxi como eu, tem que entrar fazendo cara de paisagem, senão ele não te leva, com medo que você dê a luz no banco de trás). A entrada e saída do carro é um trampo com todas as malas – a sua, a do bebê, a do pai, a das lembrancinhas, a dos docinhos e o tal do quadro da maternidade que ficamos meses planejando. Parece que vamos sair de férias por um mês.

Chegando no hospital a ansiedade bate forte. Será que vou conseguir fazer parto normal? Será que minha cesária vai dar certo? Será que vai demorar ou vai ser rapidinho? Eu quando cheguei no hospital achei que iam me tirar do carro numa maca, me levar correndo pra sala de parto, uma gritaria tipo E.R. Mas não, tudo correu muito calmamente. Cheguei, esperei, meu marido preencheu o protocolo, fizeram a triagem para confirmar que eu de fato estava em trabalho de parto (aparentemente meus gritos não foram suficientes). E tudo isso sem nada de pressa, no maior bate papo animado. Aí, constatado que realmente era hora de nascer, me colocaram numa cadeira de rodas (finalmente !!!) e me levaram até a sala.

Me vestiram num aventalzinho branco, colocaram uns tubinhos na minha veia, mediram minha pressão e falaram “agora espera”. E fiquei lá, meio esquecida. Morrendo de dor, xingando quem aparecesse na minha frente, e todo mundo em volta agindo normalmente, realizando suas funções do dia a dia. Era um entra e sai de enfermeiras na sala, trazendo coisa, levando coisa, conversando sobre a festa da semana que vem e sobre o placar do jogo do Corinthians. E eu lá, naquela situação.

Quando eu achava que aquilo não ia acabar nunca, que a dor ia durar para sempre, chegou meu anestesista, santo doutor Eduardo. E pronto, em quinze minutos o mundo se tornou um lugar mais bonito. De repente eu percebi que na verdade meu marido era um fofo de estar la do meu lado me dando a mão – e não mais um canalha idiota e culpado por toda a dor que eu estava sentindo. Até as enfermeiras de repente pareceram mais simpáticas e solícitas. O mundo voltou a ser um lugar civilizado. Fiz piadinhas para a câmera de video e reparei em como a sala de parto era muito mais aconchegante e charmosa do que eu imaginava quando tudo começou.

Passada a fase ESPERA, chegou a hora de nascer. E de repente todos os presentes na sala se posicionaram numa plateia organizada: o pediatra, o ajudante do pediatra, as enfermeiras, o seu médico, o assistente do seu médico, o anestesista, e mais um enfermeiro que estava de passagem pra sua hora de almoço, ouviu a confusão e resolveu entrar. Aquela bagunça toda: faz força, mais força, mais um pouco de força. Nasceu?? Nasceu!!! Tira o bebê, dá pro pediatra, cuida da mãe. E depois de se certificarem de que está tudo bem, pesarem e medirem a criança, me ofereceram o meu pequeno e lindo prêmio: um embrulho minúsculo de touquinha na cabeça, parecendo um joelhinho amassado, que era a cara do pai.

Bom, aí eu aprendi algumas lições. Que as dores do parto e do pós parto não tem nada de romântico. Que as contrações são de morrer, a cicatrização é complicada, o peito parece que vai explodir com a descida do leite. Que você fica pálida, andando que nem uma pata, e ainda tem que sorrir e se arrumar para as visitas que vem pra te parabenizar. Mas faz parte do pacote, e rola uma pressão para sair do parto linda, magra e recuperada – não rola?? Aprendi que cada mulher é uma mulher, e que cada parto é um parto. (Conheço gente que não sente nada de dor, gente que grita até não poder mais. Tenho uma amiga que não percebeu que estava em trabalho de parto e deu a luz em casa. Uma que ficou treze horas internada esperando a dilatação completar até nascer. Outra que fez cesárea marcada. Uma que a bolsa estourou no meio da noite enquanto ela dormia. Outra que depois de passar da data, foi para indução. Tem uma conhecida minha que deu a luz no carro – afinal seu bebê resolveu nascer as seis e meia da tarde de uma sexta feira chuvosa em plena Avenida Rebouças).

Mas acima de tudo aprendi que mesmo que você jure com todas as suas forças que nunca mais vai passar por essa agonia de novo e que considere loucas todas as mulheres que vão para o segundo filho, depois de uns meses você esquece de toda a dor e desespero – e aí fica pronta para ter o seu próximo pacotinho.

Dessa vez rosa, quem sabe?

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Sobre o primeiro, segundo e terceiro filho…

Quando meu primeiro filho nasceu eu estava nas nuvens. Ele era lindo, saudável e super tranquilo. Durante os três dias que passamos na maternidade ele não deu um pio. Mesmo quando estava aquela gritaria na sala, cheia de visitas, o menino dormia que nem um anjo. Passamos esses dias encantados com o novo integrante da família, contando para todo mundo como foi o parto e distribuindo cestinhas com sachê para quem viesse visitar.

Então, eu e meu marido chegamos em casa da maternidade felizes da vida, se achando os pais mais sortudos do mundo por termos sido presenteados com um bebê-quieto-e-tranquilo-que-quase-não-chora. Bom, a alegria durou pouco. Pisamos em casa e a máscara do meu pequeno caiu…

… ele começou a chorar incessantemente. E eu, como mãe de primeira viagem, quase chorei junto. Era o primeiro dia em casa e as coisas já tinham começado a sair do controle.

Eu e o pai ficamos desesperados. Não sabíamos o que fazer. Já amamentamos, já trocamos a fralda, já colocamos para dormir. Agora falta mais de uma hora pra próxima mamada. O que fazer?? Dar banho?? Na hora pareceu uma excelente ideia. Mas o banho que parecia ser algo tão simples na maternidade se revelou algo extremamente complicado. Eu fiz questão de aprender com as ágeis enfermeiras a melhor posição para segurar o bebê, como passar o sabonete e como virá-lo de barriga para baixo. Mas em casa, sozinha, me vi perdida.

Lá fui eu, preparei a banheira testei a temperatura (quente? frio? morno? Morno mais pra frio ou mais pra quente??) Despi ele e mergulhei seus pézinhos na água. Ele seguiu chorando. E eu segui inquieta. Com que mão segurar o bebê, o shampoo? E como devo lavá-lo?? Cantarolando nervosamente a primeira canção infantil que surgiu na minha mente, molhei a cabeça dele, massageei a barriga, os pés, as mãos, e ele seguiu chorando o banho inteiro.

Por fim, tirei ele da banheira e abracei com a toalha. Mal sabia a tormenta que viria a seguir: pôr a fralda e vestir o macacão. Bebês recém nascidos não gostam de ficar pelados, porque eles se sentem inseguros sem a roupinha e começam a achar que estão caindo ou que vão cair… Aí eles choram ainda mais.

Bom, no fim desse episódio eu estava descabelada, ofegante e quase transpirando. Tem noção do quão tenso é passar aqueles dedinhos miúdos e delicados pela manga longa do macacão?? E – (graças aos céus) – são dois braços e duas mãos, então tem que fazer o processo todo duas vezes.

Bom, peguei-o no colo, abracei, e ele finalmente parou de chorar – acredito que de exaustão, mas tudo bem.

E então percebi, desde o dia em que cheguei em casa da maternidade 7 anos atrás, que ser mãe não é tão fácil assim como parece nos filmes, ou na casa do vizinho. As pessoas não costumam ser 100% honestas quando se trata do assunto. Exemplo: Quando alguém encontra na rua uma nova mamãe que tem um bebê de duas semanas e pergunta como ela está, ela responde “Tudo ótimo! O Pedrinho é tão fofo, estamos apaixonados!!” Ok, ela não mentiu. O bebê deve ser fofo, e eles devem estar apaixonados mesmo. Mas ela omitiu uma série de coisas. Poderia ter respondido “To meio cansada, meu peitos estão doloridos, e essa vida de três em três horas é mais complicada do que eu imaginei.. mas tirando isso ta tudo ótimo, e ele é lindo” Poxa vida, ter filho é o máximo, desperta os mais nobres sentimentos, blablabla. Mas dói. É exaustivo. Deixa a gente perdida e com a auto estima abalada.

Então vamos às primeiras de minhas descobertas:

1- Ninguém me avisou que bebês tem horas do dia pra chorar. Uma bela tarde, nas primeiras semanas de vida do meu filho, ele de repente começou a chorar. Chorou, chorou, chorou. E eu me descabelava para tentar acalmá-lo… Será que é a fralda? Será que é fome? Será que é cólica? Dizem que é a tal da cólica… vamos lá, massageia a barriga, esquenta a bolsa térmica. Mas nada adiantava. Então descobri que tem momentos que eles simplesmente precisam ficar berrando sem parar. E não há nada que você possa fazer sobre isso. A não ser sentar e esperar. Se tiver cabeça fria, abrace-o e aproveite pra folhar uma revista ou comer um cupcake até ele se acalmar. Ou se você for ansiosa como eu, tome-o nos braços e fique dando voltas ao redor de sua mesa de jantar. Como preferir.

2- Ninguém me avisou que amamentar DÓI TANTO, que as mamadas duravam tantos minutos e que podiam ser tão difíceis no início, até o bebê aprender a pegada. Eu estava me achando tão importante por ser a única fonte de alimentação do meu precioso bebê, empolgadíssima para amamentar. Mas não sabia que descida do leite era tão dolorida que parece que você acabou de pôr silicone nos seios. Que o peito precisa se adequar a quantidade de leite que seu filho toma – estilo oferta e demanda. E que até isso acontecer a gente sente uma dor infinita. Não imaginava que meu lindo e inofensivo bebê ia sugar com tanta força até o mamilo rachar e sangrar. Que aquela pomadinha totalmente ineficiente que eles dão na maternidade não funciona para nada.

3- Ninguém me avisou o quão difícil é estar dormindo tranquilamente num sono profundo e acordar com um ser berrando desesperado. As 3 da manhã. Gente, acordar assim é de enlouquecer qualquer um. Aliás não fazia ideia o que NOITES MAL DORMIDAS significavam de fato. Sempre achei que seria fácil, porque eu poderia dormir a vontade durante o dia, pois eu estaria de licença e, afinal de contas, “bebês recém nascidos só dormem”, né?

Tudo o que eu pensava era “Como as mães aceitam passar por isso?? Como fulana passou por isso? Como a CICLANA passou por isso?? Minha mãe passou por isso quatro vezes!! E não teve o mínimo de respeito e dignidade de me avisar que seria assim?? Como isso pode ser aceito pela sociedade? E por quê, pelo amor divino, as pessoas vão para o segundo filho? Como são loucas o suficiente para isso?”

Bom, três anos depois e fui para o meu segundo bebê. E agora, adicionando mais quatro anos à soma, chegamos ao terceiro bebê. Pois é, loucos ou não loucos, acabamos resolvendo ter não apenas mais um, mas mais DOIS.

Porque também, ninguém me avisou que minhas prioridades iam mudar. Que ser mãe exige maturidade, muuuuita paciência e dor física, mas ao mesmo tempo, que o meu pequeno bebê ia encher minha vida de significado e amor.

E que no final, nada é como você imaginava que seria. É tão pior e ao mesmo tempo tão, tão melhor.

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Não, essa última imagem não é uma reprodução de uma foto da vida real. Nossas fotos em geral não dão tão certo assim, sempre sai gente não sorrindo, ou pior, brigando um com o outro. Faz parte. Você pode clicar aqui ou aqui para ler mais sobre como é fotografá-los aqui em casa.

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Novidades!

Queridos leitores,

É com imenso prazer que comunico o nascimento de nossa terceira filha!! Agora somos uma família de cinco integrantes..

Eu sei, eu sei, nem postei que estava grávida. Nem avisei ninguém. Que falta de consideração da minha parte.. É que a vida já tava bem louca com minhas duas crias, aí a terceira gravidez passa meio “desapercebida” sabe?

É assim que funciona, a primeira gravidez você está tão animada que conta pra todo mundo! Ah que maravilha! A gente corre ligar pra mãe, pra sogra, pra tia, pros amigos do trabalho, pro vizinho. Faz a festa. Até o seu porteiro sabe que você está grávida (antes da barriga sequer dar as caras)

Tudo é lindo. Dá até pra sentir aquela minúscula sementinha florescendo no seu útero. A gente sai pra comprar roupa de grávida, mesmo que a barriga não aumentou um mílimetro ainda. E fica se admirando no espelho com aquela barriga falsa que a vendedora te ofereceu. “Você vai ficar liiiinda de barriga!!”. Gente, grávida é que nem noiva. Já viu grávida feia? Não. Você já viu grávida meio inchada. Grávida meio pálida, grávida meio acima do peso. Agora, grávida feia, não.

Bom aí chegam os enjôos. Não só os matinais, como os vespertinos e noturnos também. Aliás nem sei porque deram o nome de enjôo matinal. É só sentir o cheiro de qualquer coisa que já sobe aquela ânsia, não importa a hora do dia. E não passa tão rápido, não. Fica aí no mínimo uns três meses até ir embora. E no primeiro filho, é aquela coisa:

No terceiro filho não tem isso, não. É tipo “aguenta aí, amiga, que daqui a pouco as crianças dormem e você pode deitar e passar mal a vontade”

E os hormônios? Pense numa TPM brava. Agora imagine ela se alastrando por semanas. Antes do café da manhã, eu já tinha sentido frio, calor, ódio mortal, fome e enjôo. Isso que não são nem 9 horas da manhã. A gente fica sensível, a flor da pele. A mistura é tão louca que o meu santíssimo marido que se cuidasse, afinal era TUDO culpa dele eu estar naquele estado!! A gente ama, odeia, quer abraçar bater, tudo ao mesmo tempo. Meu marido, coitado, toda noite fazia uma prece no elevador antes de entrar em casa.

No terceiro filho você se contém mais, precisa estar mais equilibrada, afinal, tem outros dois pra dar conta em casa – que já estão suficientemente sensíveis com a notícia da gravidez.

Aí o tempo vai passando e a gente começa a contar tudo em semanas. Eu tô de 19 semanas. O aniversário da minha mãe é daqui a 9 semanas e meia. A festa da empresa foi há 7 semanas. Fulana tá de 32 semanas e nem parece que tá grávida. Aí sentimos o primeiro chute. Que delícia!! Todo mundo quer sentir. A mãe, sogra, até o seu chefe. “Esse aí vai ser jogador de futebol!!” falam os papais, todo orgulhosos. E sempre, SEMPRE que alguém põe a mão para sentir, o bebê pára de se mexer.

Aliás quando a barriga aparece ela vira pública né? O pessoal no meio da rua já chega chegando, ‘ai que coisa linda! Para quando você ta?’ e posiciona a mão na sua barriga. E se você é do tipo mais tímida ou faz cara feia você se torna A grávida estúpida.

Os meses vão passando e a gente já se cadastrou em todos os sites de bebê possíveis, já comprou vários livros sobre gravidez, está por dentro de tudo o que pode ou não esperar quando você está esperando. E de repente começa a usar um monte de termos médicos e está super antenada em medicina fetal. Falamos sobre como o bebê está grande, ou sobre como a placenta baixou, ou sobre o fluxo do cordão e o nível do líquido amniótico. E se a gente encontra outra grávida, mesmo que desconhecida (seja na rua, no shopping, na sala de espera) rola aquele olhar de compreensão, tipo “nós duas nos entendemos, estamos carregando um ser dentro de nós”. E se iniciamos uma conversa, ninguém segura mais: “De quanto tempo você está?” Começamos falando sobre as tais das semanas, o sexo do bebê e por aí vamos. Falamos sobre a decoração do quarto. Sobre possíveis nomes. Sobre como está a sua alimentação ‘equilibrada’, tomando 4 litros de água por dia como mandam os livros.

Perto do final da gravidez a gente está que não se aguenta mais. Aquela sementinha minúscula te transformou num balão. Suas costas estão acabadas – eu pelo menos me sentia uma idosa de 105 anos andando. Sabe aquelas roupas de grávida que você tão empolgada comprou há alguns meses? Você não agüenta mais olhar pra elas. O calor é de matar. Você faz em média 30 xixis por dia. Os chutes que antes eram pequenas tremidinhas meigas se tornam verdadeiros terremotos. Você está há dias sem dormir, afinal não tem posição por causa da barriga. Cansada, com dores pelo corpo, e esperando o bebê resolver dar o ar de sua graça – (no caso de um parto normal). Uma lista infindável de reclamações. E os conhecidos não dão trégua. Falta ainda duas semanas para a data, o pessoal já começa: “Esse bebê não tá querendo sair né??” “Deve ser porque tá frio aqui fora, ele tá curtindo ficar no quentinho he-he”.

Bom, mas na terceira você já está mais preparada pra tudo isso. Se for esperta, (eu não fui), já joga a data provável do parto mais pra frente, e aguarda para contar a novidade somente quando a barriga já tiver aparecido. A minha data provável era 12/02 e ela nasceu 8 dias depois!! E eu, como já sofri um aborto espontâneo aos 3 meses de gestação, espero para contar só quando já estiver tudo bem, os morfológicos feitos, etc.

Nossa nova integrante nasceu no dia 20 de fevereiro de 2017! Estou muito empolgada e ansiosa pelas novas aventuras como mãe de três.. Aguardem =)

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Lista de férias

Chegaram as férias! A época mais esperada pelas crianças e temida pelos pais. Compilei uma lista de 15 coisas que pretendo fazer com eles nesse período tão calmo e tranquilo do ano. Vamos ver se consigo realizar todas:

1. fazer uma fotografia de família bonita – daquelas que a gente põe roupa combinando e encontra um ponto da casa que está arrumado pra fazer o clique. Todo mundo tem que sair sorrindo e para isso a gente suborna as crianças com doces e sorvetes.

2. pintar um quadro (a ideia é despertar o picasso – ou tarsila, van gogh, ou romero britto… vai de gosto pessoal – que existe dentro de nós. Consiste em comprar telas, pinceis, e um jogo de tintas. Ah, e forrar a casa inteira com jornais e deixar lenços umedecidos a disposição)screen-shot-2016-12-20-at-3-38-20-pm

3. fazer um bolo (por mais que a gente faça durante o ano letivo é sempre com um pouco de pressa, e nunca dá tempo de fazer a cobertura)

 

4. fazer uma refeição “bem saudável” (pizza, hot dog, hamburger… o que der na telha)

5. tomar um banho de chuva (parece um pouco clichê… mas não é. Honestamente, não lembro quando foi a última vez que meus filhos realmente curtiram uma chuvinha de roupa e tudo!! Lembro que eu na infância fiz isso algumas vezes e foi TÃO gostoso)

6. pular numa poça de lama (sonho deles desde que eles assistiram a Peppa pela primeira vez..)

7. entrar na piscina e sair só quando a pele estiver bem enrugadinha (ou “chupadinha”, como eles chamam.. porque nas férias não tem hora pra nada.. o importante é ser feliz. E gastar muita energia)screen-shot-2016-12-20-at-2-56-31-pm

8. dormir tarde (ok, tarde pra meus filhos dormir tarde é dormir as 21h. Mas tá valendo, super aventureiros!!)

9. fazer uma casinha de caixa de sapato (tenho uma caixa de um tênis do meu filho guardada há mais de seis meses esperando por esse momento. O tênis inclusive já rasgou e se tornou inutilizável. Por que eles duram TÃO pouco??)

10. acompanhar o crescimento do nosso pezinho de feijão (porque no dia a dia a gente esquece de olhar como cresceu de um dia por outro e de repente as crianças já veem a planta pronta crescida!!)

11. tomar um sorvete extravagante (com direito a cauda de chocolate, MMs, cerejas, suspiros, e quantos acompanhamentos a gente quiser!! – se bem que conhecendo meus filhos, já sei que vou acabar comendo o negócio inteiro e eles vão ficar cheios depois de três colheres)screen-shot-2016-12-20-at-3-07-48-pm

12. assistir com eles um filme da minha infância (porque hoje em dia tem muito seriado infantil… tipo Peppa, Patrulha Canina, episódios do Lego e dos Angry Birds, Mickey Mouse Club House, Masha e o Urso… na minha época não existia essas modernidades, se a gente quisesse ver TV era ou filme da Disney ou programação da TV Cultura)

 

13. fazer um caça ao tesouro pela nossa casa (também na minha programação há meses mas no dia a dia simplesmente não dá tempo)

14. não ter pressa pra nada (fazer tudo com calma e tranquilamente, com horários um pouco mais flexíveis. Tipo deixar eles acordarem a hora que quiserem – o que na verdade não muda nada porque eles acordam TODO DIA entre 6:30 e 7 horas. Inclusive domingos e feriados ou quando vão dormir mais tarde...)

IRMAOSS 1

15. último (e meu preferido): deixar eles ficarem desocupados. Simplesmente brisando, olhando para o teto e pensando na imortalidade da alma ou algum outro assunto irrelevante.

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Irmãos, uma doce relação?

Eles brigam por quem vai usar primeiro o shampoo no banho. Depois, pelo sabonete. Brigam por quem vai entrar primeiro no carro. Por quem ganhou mais sucrilhos, porque a mamãe é injusta, ela deu mais pro meu irmão (ã). Brigam pelas páginas que tem os livros que a gente lê antes de dormir. “O dele (a) é bem mais longo que o meu!! Isso não é justo!” Aliás, a palavra “injusta” é bastante empregada aqui em casa. Geralmente dirigida à minha pessoa.

Brigam por quem vai escolher o filme. Pelo lugar no sofá. Por quem vai entrar primeiro no banho. Depois por quem vai sair primeiro do banho. Brigam pelas canetinhas, pelos lápis de cor, pelos carimbos e pela tesoura sem ponta.

Brigam todo jantar pelo copo de peixinho – só tem um desses copos em casa. E nem é um copo TÃO legal assim. É bem simples, para ser honesta. Na última briga pelo tal do copo, arremessei-o em cima da geladeira, e lá ele ficou (o copo, não os filhos). Tive uma semana mais pacífica depois disso, estou pensando em deixá-lo por lá.

Brigam pelo telefone, pelo iPad, por quem vai pular na cama elástica primeiro (Colocaram uma cama elástica embaixo do meu prédio. Quando ela chegou eu achei que seria uma excelente ideia). Brigam pelas peças do lego (- tem dias que eu preciso contar uma por uma e dividi-las precisamente para cada um ter o exato número de peças que o outro tem). Brigam pela poltrona giratória da sala, pela música que vai tocar no carro, por quem vai falar primeiro. Pelo espaço que o corpo de cada um ocupa na casa – eu nem sabia que era possível brigar por causa disso. Mas descobri que é, sim.

Brigam quando estão jogando memória. Brigam quando estão montando o quebra cabeça do Nemo. Brigam quando jogam Uno, e quando jogam cartas. Brigam tanto, mas tanto, que eu desconfio que eles acordam todas as manhãs pensando “com que briga será que vamos estrear o dia de hoje?”

brigam

Agora com licença que preciso buscá-los da escola e me preparar psicologicamente para a próxima briga no carro…