A tapioca chegou a minha casa

Eu sei, eu sei. Estou cinco anos atrasada. Talvez mais. 

Tudo começou um mês atrás. Meu filho chegou para mim e perguntou:

FILHO: “Mãe, por que a gente nunca faz tapioca?”

Ele havia acabado de voltar da casa de um amigo, onde aprendeu a incrível arte da tapioca. 

Oras, o que posso responder? Apenas a verdade, nada mais que a verdade:

EU: “Porque eu não sei fazer tapioca, filho.” 

Ele olha pra mim incrédulo.

Entro na defensiva, afinal  estou na quinta série  maturidade as vezes nos falta, mesmo quando somos adultos. 

EU (super madura): “Mas olha, eu sei fazer almôndega, lasanha, batata gratinada…” começo a enumerar.

Ele revira os olhos pra mim e começa a vasculhar o armário da cozinha.

ELE: “Não tem tapioca?” 

EU: “Não, não tem, filho” 

Quando a tapioca virou febre alguns anos atrás, comprei para experimentar e não curti. Pareciam bolinhas de isopor grudadas e sem gosto nenhum. Na época ninguém em casa gostou e o saco inteiro acabou indo parar no lixo.

ELE: “É porque você não sabia fazer, mãe.” Ele insiste. “É gostoso, sério.”

Pois bem, me dou por vencida.

Pego a minha bolsa e saímos para comprar a tal da tapioca. 

Na volta, ele arregaça as mangas e começa a me ensinar essa arte culinária. A cozinha se transforma num caos instantâneo, mas tudo certo, o importante é incentivar a independência, não é mesmo?

Vamos que vamos.

Ele despeja a tapioca, mexe a panela, remexe, espalha o queijo. Admiro sua desenvoltura na cozinha – até pouco tempo atrás ele nem sabia como usar os botões do microondas. 

Aliás, ele nem alcançava o microondas.

ELE: Tá pronto mãe.”

Olho para a tapioca. 

A massa granulada dobrada como um wrap de queijo derretido, e todo o amor e independência do meu filho refletidos naquele pequeno prato de sobremesa. 

Sentamos na mesa e comemos juntos. Ele, satisfeito consigo mesmo. Eu, com uma pontada de orgulho, não vou negar. 

De repente a tapioca pareceu muito mais deliciosa do que eu me lembrava. Um verdadeiro manjar dos céus. Será que é isso o que chamam de Comer Afetivo

Ele finaliza:

ELE: “E se você passar cream cheese, fica muito bom.” 

E não é que ficou mesmo?

Tudo isso pra dizer que a tapioca chegou com tudo na minha casa, marcando uma nova fase de independência alimentar das crianças. Desde então foram frigideiras e frigideiras de lanchinhos e cafés da manhã de tapioca – sempre de queijo. 

Nós até tentamos uma de banana, mas não deu certo! Tivemos de jogar fora. 

Faz parte do jogo né? 

Nem sempre as 

coisas funcionam. 

E tudo bem. 


 

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