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Quando a polícia me parou

Essa é uma daquelas histórias em que eu peço para você, caro leitor, se despir de todo e qualquer julgamento. Eu sei que é normal julgar os outros, que fazemos isso o tempo todo, etc, mas hoje preciso de um pouco de amor de você.

Pronto? Parou de julgar? Então vamos lá.

Era uma tarde quente, e eu levei as meninas para tomar um sorvete.

Saindo da lá (com alguns chocolatinhos a mais do que o previsto), acomodei as duas no banco de trás, sentei no meu lugar, tranquei o carro, liguei e quando comecei a dar marcha ré, o alarme do carro disparou.

Sabe aquele alarme insuportável e alto que atrapalha todo mundo? E que a gente xinga quando escuta tocando por mais do que 10 segundos? Então. Esse.

O que essa mãe inteligente que vos escreve fez então?

a) Parou, desceu e tentou resolver o problema.

b) Como estava muito próxima de casa, pensou “bom, deixa eu chegar em casa que a gente resolve isso”

Se você escolheu a primeira opção, devo dizer que você superestima muito a minha maturidade.

E se você optou por B, você acertou.

Não desci para resolver o problema. Estava todo mundo me olhando. Que vergonha. Eu queria ir embora, e como eu estava muito próxima de casa, pensei “bom, deixa chegar em casa que a gente resolve isso”

E então segui dirigindo, com o alarme disparado até em casa.

As meninas brincando no banco de trás, totalmente alheias à situação. Parei no semáforo e tentei desligar o carro, ligar de novo. Destrancar e trancar. Tentei apertar o botãozinho da chave. Enfim, tentei o que dava para tentar naquele momento. Estava distraída nas minhas vãs tentativas de fazer o alarme parar, quando percebo pelo retrovisor que há pessoas se aproximando do meu carro.

Agachadas. Uniformizadas.

E com armas em punhos.

Tipo cena de filme, quando os agentes se aproximam de uma porta ou de um corredor abaixados tentando se proteger porque não sabem se serão surpreendidos pelos ladrões, sabe?

Imagina a cena.

Antes de entrar em pânico, noto que são policiais. Seis deles. SEIS. Dois vem pelo lado direito do meu carro, quatro pelo esquerdo. Uma viatura policial está estacionada bem atrás de mim, com as luzes piscando. Gente, da onde surgiu isso???

Se o carro está com a sirene ligada ou não, não sei dizer, pois minha audição está toda tomada pelo impiedoso alarme do meu próprio carro. Um policial de cabelo castanho que parece o líder do grupo enfia a arma no meu vidro (que é escuro) e faz sinal para eu abrir.

Estou meio em choque, sem entender. Mas bom, quando um policial armado com cara de mau te manda abrir o vidro você faz o que? Abre, é claro.*

Eis que ele grita para os colegas:

TEM CRIANÇAS!!

Como se ele tivesse acabado de dizer alguma palavra mágica, todo mundo baixa as armas e as esconde.

E então ele olha para para mim e diz, agora mais gentilmente:

Atordoada, encosto ali. Entendo o que está rolando: ele acha que eu roubei o carro e fugi com o alarme tocando. Oras, mas isso faria de mim uma fora da lei muito burra mesmo, né?

Começo a me desculpar, me sentindo envergonhada e totalmente culpada, com a certeza de que provavelmente há algum crime ocorrendo neste EXATO MINUTO em algum lugar nas redondezas e todos esses SEIS policiais não estão ajudando quem precisa de verdade porque foram distraídos por uma motorista sem noção, ou seja, eu.

Minhas filhas olham curiosas para o grupinho fardado que se juntou do lado do carro.

Desligo o carro. Mas o barulho continua.

BIII-BIII-BIIII

EU: Moço, mil desculpas. O carro começou a apitar e como eu estava muito perto de casa decidi voltar correndo, pra ver se resolvo isso lá.

O policial me olha como se eu tivesse algum problema mental. Mas suspira, dá um sorriso e pergunta:

ELE: O carro é seu? Você tem os documentos certinho?

Digo que sim.

BIII-BIII-BIIII

E aí sou tomada por uma ideia. Tiro a chave do contato – que, para ajudar no mico, é enfeitada por um penduricalho colorido de lego, golfinho e coração – dou na mão dele e peço:

EU: Será que você pode virar a chave aí na porta pra mim? Agora me ocorreu, talvez isso resolva.

Com firme delicadeza ele encaixa a chave no buraco, vira e magicamente, para meu alívio total, o insuportável barulho cessa.

O policial sorri.

O grupo de policiais comemora o silêncio com sorrisos compreensivos e palavras encorajadoras.

Peço desculpas novamente. Eles dizem que tudo bem, acontece, mas que um carro com alarme disparado andando pelas ruas de SP é um tanto suspeito, então para tomar cuidado da próxima vez.

Quero enfiar minha cabeça na terra e sumir. Agradeço de novo, peço desculpas de novo. E dirijo as duas quadras que faltavam até chegar em casa tentando não causar mais.

Fico feliz em constatar que chegamos sãs e salvas, sem novos dramas pelo caminho.
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* Estou ciente de que poderiam ser ladrões disfarçados de policiais. Mas estava muito real e exagerado para ser mentira… e eu sabia que eu estava fazendo algo de errado. Enfim. Que bom que não eram.

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Pijama na escola

O drama da vez é que minha pequena recusa-se a trocar de roupa para ir à escola. Toda manhã para tirar o pijama é um escândalo, com direito à lagrimas, gritos, fugas pela casa, etc.

O que é totalmente compreensivo: tirar o pijama quentinho de manhã cedo para se trocar é um martírio, vamos falar sério? Eu, se pudesse, passava o dia todo de pijama também. E mais algumas horinhas na cama. Mas a vida real não permite isso, a vida real obriga a gente a madrugar, escovar os dentes, vestir algo decente e estar em lugares nos horários certos.

Então lá vamos nós para a batalha diária que é vesti-la antes de ir pra escola… A luta é real. Envolve todo um trabalho de argumentação e convencimento, muito diálogo e paciência . Um tempo que certamente não dispomos em nossas corridas e atarefadas manhãs.

Sei que tem cara de birra, mas o sofrimento dela parece genuíno. Ela chora, as lágrimas escorrem nas bochechas gorduchas enquanto ela implora pelo pijaminha. E bom, meu coração mole de mãe diz: qual o problema de uma menininha de dois anos usar o seu pijama feliz e contente, oras? Não é algo que ela vá poder fazer pra sempre na vida dela.

Eu, por mim, deixava ela passar o dia de pijama mesmo.

Mas… vida real, né?

Às vezes ela aceita trocar a calça do pijama, mas faz questão de manter a parte de cima. O que pra mim já é uma grande vitória!

Às vezes, muito raramente, ela topa ir fantasiada de princesa da Disney

Mas não é o ideal, porque lá ela brinca na areia, com tinta e esses vestidos de princesa não são nada práticos.

Outra técnica que eu uso é contar a história da linda menina que só gostava de usar pijama, então as roupas dela, coitadas, viviam tão tristes e solitárias esquecidas na gaveta. Pobres roupas. Queriam tanto ser usadas. Queriam ver a luz do sol, passear, conhecer o mundo… (momento mamãe dramática em ação)

Às vezes funciona. E ela, relutante, diz:

Espero não estar traumatizando a menina…

E, bom tem dias, quando o apego está mais intenso e já estamos atrasados, que eu mando ela de pijama mesmo, com uma roupinha extra na mochila.

Não é o cenário ideal, mas é o que temos para hoje.

Essa semana, a escola mandou um bilhetinho na agenda “Querida mamãe, favor tirar o pijama e vestir roupa para vir à escola. Obrigada!”

Se fosse meu primeiro filho, eu me sentiria completamente julgada, a mãe mais relapsa do planeta. Mas como se trata do terceiro ser humaninho que coloco no mundo, só consigo pensar em responder algo como: “Nossa, ela foi de pijama? Que loucura, eu não percebi!! Na verdade, eu estou mandando ela de pijama deliberadamente, porque acho que integra o ambiente escolar e o familiar. Assim, a escola se torna mais íntima para ela. Aliás, pijama não é a última moda em Paris?”

Mas escrevo apenas: “Queridas professoras, tentarei! É uma dolorosa luta diária. Obrigada, Mamãe”

Pensando em imprimir e anexar este post na agenda dela amanhã….

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PS: Hoje ela foi com a parte de cima do pijama. Vamos que vamos. 

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Bala na hora do jantar?

É engraçado quantas histórias e diálogos começam na cozinha… Você já reparou? A hora de comer deve ser mesmo inspiradora.

Eu estava no fogão preparando o jantar quando minha pequena de dois anos apareceu animadamente com uma bala na mão.

Uma bala. Na hora do jantar.

Naturalmente, ela pergunta:

Seus olhos azuis me encaram profundamente, com toda a doçura do mundo. (Sabe, tipo cachorrinho abandonado?) Há uma bala tipo 7 belo na sua mãozinha estendida. É tão pequena e graciosa que dá vontade de falar: “Sim, é lógico que abro. Para você eu faço tudo, meu amor. Aliás, se você quiser a gente pode desencanar do jantar e sair agora mesmo comprar mais balas!! Vamos? Coloca um sapato e faz xixi! Partiu.”

Mas é óbvio que não digo isso. O modo mãe responsável e madura assume o comando e sou firme (com um toque de drama porque, né, senão não sou eu):

EU – Ai minha filha, aonde foi que você achou esta bala???? Agora não é hora de bala, né? É hora de jantar. Guarda para depois da janta, ok? Por favor.

E dando continuidade a meu papel de mãe adulta sensata, volto o foco para o meu brócolis refogando na panela.

Insistente, a pequena decide tentar a sorte com a irmã de seis anos – que estava ao meu lado num longuíssimo e detalhado relato sobre uma briga que rolou entre duas amigas hoje na escola.

FILHA MAIS VELHA (interrompendo o monólogo de duas horas relato): A mamãe falou que não pode.

UAU!! Estou chocada com minha moral!!  “A mamãe falou que não pode!”  Me sinto o poder em pessoa. A soberania da casa. Estou sem palavras, eu sabia que este dia ia chegar!

No entanto, a pequena, não contente com mais um não, decide tentar mais uma vez. Agora com o seu irmão mais velho – que é absolutamente apaixonado por ela e faz quase tudo o que ela pede sem pestanejar.

Ela tem total ciência disso, e venho percebendo que cada vez mais ela aprende a usar esse trunfo a seu favor.

Ele está na sala ao lado ocupado com um quebra cabeças de mil peças da floresta amazônica, e escuto-o perguntando:

FILHO: Mas a mamãe deixa? Você tem que perguntar pra ela.

Quase choro de emoção em cima da comida. Olha só!! Minha autoridade à mil! E eu achando que ninguém nessa casa me obedecia.

Escuto ela respondendo:

FILHA PEQUENA: Vou perguntar para a mamãe, ‘peraí’.

Uma pausa.

Aguardo, mas ela não aparece na cozinha. E não me pergunta nada.

E então consigo ouvi-la dizendo descaradamente para o irmão:

Ouço o barulhinho do papel sendo aberto. E ela consegue sua bala.

Determinação, a gente vê por aqui.

Autoridade, médio…

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Um belo dia

Um belo dia você acorda e percebe que dormiu uma noite inteira sem ninguém te acordar.

Que você até conseguiu tomar um banho tranquila, sem ninguém ficar te chamando do lado de fora.

Um belo dia você consegue voltar a ler. E a trabalhar. A malhar, a comer e ver sua série –quase- tranquilamente.

Ter até um tempinho de ócio.

Um belo dia você percebe que logo mais vai poder devolver aquele vaso de cristal na mesa da sala.

Um belo dia aqueles passinhos ligeiros e suaves no corredor se tornam passadas firmes e estrondosas.

E ninguém mais grita mãããe, acabei o cocô.

Um belo dia picoca vira pipoca.

E aquele dentinho que você comemorou tanto quando nasceu, cai.

Um belo dia ninguém te pede para ler um livro, porque já sabem fazê-lo por conta própria.

E aquela peça de roupa, que parece que cresceu junto com eles, de repente não entra mais.

Um belo dia eles ficarão com vergonha que você lhes dê um beijo na frente dos amigos.

E você irá se assustar com a altura deles. Com o jeito maduro/retraído/desenvolto/responsável/engraçado/sério/focado de serem.

Um belo dia eles sem querer dirão alguma verdade que vai te tirar dos trilhos e fazer repensar tanta coisa.

Sei que novos belos dias vão chegar. Eles sempre chegam, entre uma garfada e outra, depois do banho quentinho, ou naquele semáforo que sempre atrasa a gente para chegar na escola.

Desejo apenas conseguir apreciar esses belos dias com toda a beleza que cabe à eles.

Afinal, eles não são chamados de belos dias à toa.

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Doces na escola. Ou sobre como as coisas são e como deveriam ser.

Em todo lugar há regras.

E nós, como seres humanos do bem e civilizados, temos de segui-las, certo? Seja na vida, no mundo, no trabalho, entre família ou amigos.

Na escola dos meus filhos, por exemplo, há uma porção de regras. Não pode levar doces. Nem celular ou videogame. Não pode ir sem uniforme. Não pode “vender coisas”, ou chegar atrasado.

Eu, como mãe, faço o que está dentro do meu alcance para as crianças se manterem “dentro da lei”. Por exemplo, organizo para os uniformes estarem sempre à mão, e me responsabilizo pela gritaria correria de todas as manhãs para eles chegarem cedo na aula.

É um momento bem tranquilo do dia, onde tenho tudo sob controle:

(Sim meu filho é a personificação da desordem. Tadinho, puxou a mãe.)

Mas, milagrosamente, conseguimos chegar à tempo quase todo dia.

No entanto, há algumas coisas que fogem do meu controle. Por exemplo, a última moda na turma do meu filho (de nove anos) é levar mercadorias para vender na escola entre amigos. Mais especificamente, balas e pirulitos – pirulitos que viram chiclete valem mais. Também há vendas ilícitas de cards de Pokémon. De folhas de papel A4 (10 por 1 real), de figurinhas da Copa (se não é da copa do mundo, é da Copa América. Se não é copa América, é copa feminina, senão é Champions League.. Enfim. É um negócio sem fim.)

Numa rápida pesquisa sobre essas vendas, descobri que elas são sazonais e ocorrem apenas enquanto durarem os estoques. Ou seja, hoje o Gabriel* vende balas porque a tia deu pra ele um pacote no fim de semana. E o Pedrinho* vende figurinhas porque completou o álbum e sobraram muitas.

Enfim. O giro é rápido.

Naturalmente, meu filho queria participar desse mercado negro comércio interno, e eu, naturalmente, sentei e expliquei para ele que era proibido na escola. Argumentei que crianças lidando com dinheiro e mercadorias podia gerar confusão. Falei que esta prática fere dois itens da legislação do colégio: o que proíbe levar doces E o que proíbe vender coisas. Confere ao marginal praticamente uma pena de prisão perpétua.

E então ele me disse: 

Respondi que ele não é todo mundo (clássico, bingo pra mim). Que o que certo é certo. Que a gente tem que sempre seguir as leis, fazer o que é correto. Etc. Tentei botar moral no pedaço, sabe?

Mas mesmo depois de toda a conversa ele quis porque quis participar da economia escolar e, eventualmente, acabou tendo o seu momento de vender pirulitos que ganhou da avó (contra a minha vontade e ‘escondido de mim’)

Decidi deixar por conta da escola, afinal uma mãe precisa escolher suas batalhas.

O problema piorou quando minha filha de seis anos decidiu também entrar nessa onda. Antes, quando eu dizia para ela não levar doces na escola, ela obedecia. Mas essa semana no carro a caminho do colégio percebo que ela tem um pacote de balas na mão. Que ela ganhou – adivinha – da avó.

EU com voz acusadora: Filha, aonde que você vai com essas balas? (Me sentindo o próprio Lobo Mau para Chapeuzinho Vermelho)

FILHA: Ué, vou trocar com minhas amigas. Todas levam bala pra trocar.

EU: Trocar?

FILHA: É, trocar.

Na minha época trocávamos papéis de carta e selinhos.

Bom, mas pelo menos elas não vão vender.

EU:  Mas filha isso aí não é proibido pela escola? Não pode dar confusão?

FILHA: Não mãe. É tudo combinado: por exemplo, uma bala grande vale duas pequenas. Um pirulito também, porque dura mais.

Oras, até que elas são organizadas. Existem leis entre os fora da lei, afinal.

EU: Mas filha, não é proibido levar bala na escola??

Me deu um beijo e foi para o seu dia, deixando essa mãe que vos escreve um tanto estarrecida, pensando… será que não é cedo para eles descobrirem que nem sempre as coisas são como deveriam ser?

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* Todos os nomes deste texto foram alterados para preservar a identidade dos fora da lei personagens

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A Festa do Amarelo

As pessoas sempre brincam sobre a diferença com que tratamos o primeiro, segundo, terceiro filho… Realmente, conforme o tempo passa e nós adquirimos experiência nesse negócio louco chamado maternidade, aprendemos a ir dosando, o que vale a pena priorizar (tempo de qualidade juntos, não se estressar com bobagens, rir cada dia mais das situações, etc)

Primeiros filhos ganham muito mais atenção e tempo a sós com os pais. Caçulas, por sua vez, são mais independentes porque precisam aprender a se virar, afinal, os pais tem os outros filhos para se ocupar, e, na maioria das vezes, já gastaram bastante de sua dedicação, paciência e potencial criativo com os mais velhos (#momentoconfissão). Então com os outros filhos, as coisas acabam sendo mais relapsas.

Por exemplo, veja como ensinamos o primeiro filho a falar:

A gente até tenta um bilinguismo, tal.

E agora, como os outros filhos aprendem a falar:

Mas tudo bem, há muitos pontos positivos em não ser primogênito.

Por exemplo, eu sou a filha mais velha entre quatro irmãos. Lembro de quando eu era adolescente meus pais mal me deixavam ir até a esquina no sábado à noite. Já meus irmãos, podem sair à vontade e passar a madrugada fora sem que ninguém reclame.

Entende? Tudo tem seus pontos positivos e negativos.

Mês passado, recebi um bilhete da escola da minha caçula de que eles festejariam a festa do amarelo, então era para todas as crianças irem vestidas de amarelo no dia tal.

O problema é que eu (óbvio) perdi o bilhete. Não lembrava de jeito nenhum que dia que era a festa, só que seria em junho. Resultado: Ela está indo de amarelo todos os dias do mês de junho, só para o caso de chegar o dia da festa.

Isso aconteceria com um primeiro filho? Jamais. Porque no primeiro filho eu provavelmente teria saído para comprar uma roupinha amarela ESPECIALMENTE para o Dia do Amarelo.

Primeiro filho tem até álbum, gente. Só dele.

Eu poderia perguntar na escola que dia vai ser a tal da festa? Claro. Poderia sim. Posso mandar mensagem no grupo das mães pedindo para alguém me dizer quando será? Posso. Mas toda manhã na hora de vesti-la, eu percebo que, mais uma  vez, ainda não mandei a pergunta. E agora, em vez de mandar, estou aqui escrevendo isso.

Então com licença que vou ser produtiva e escrever um recado para a escola, confirmando a data.

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Sobre quando todo mundo pegou Influenza B

A primeira a ter febre foi minha filha do meio.

Foi um febrão, do nada. Seguido de um dia inteiro de total desânimo. Ela deitando pelos cantos da casa, sem vontade de brincar, bagunçar, comer e nem ver televisão.

A parte da televisão me preocupou.

Mas ela só queria ficar deitada, quietinha.

Levei ao hospital. Lotado, não havia nem onde sentar. Peguei-a no colo porque ela mal conseguia ficar em pé. Até sermos atendidas, o exame realizado, termos um diagnóstico e sermos liberadas para voltar para casa levou cinco horas. CINCO HORAS.

Tratamento: 5 dias do Tamiflu. Antitérmico para febre. Muito líquido. Dieta leve. Sem escola ou qualquer atividade por uma semana. E sem contato com os irmãos, principalmente com a irmã pequena, de apenas dois anos.

Sei. Só se trancafiá-la no quarto. Os três, apesar de brigarem direto, são super grudados.

Chegando em casa com ela, eu tento instaurar e manter uma política de isolamento, mas é só eu sair de perto deles por um minuto que quando volto, estão assim:

Maravilha! Bem na cara da irmãzinha.

E é tiro e queda. Dois dias depois, adivinha quem está com febrão? Pois é. A pequena.

Eu, já mais esperta, responsável e experiente, vou ao hospital com um pedido de exame em mãos, para não pegar a monstruosa fila como da outra vez. Mesmo assim, todo o processo leva um tempo, onde brincamos e desenhamos com aqueles brinquedos e giz de cera contaminados da sala de espera do hospital.

Afinal, ela já está doente mesmo né.. fazer o quê. Que brinque com as coisas

Diagnóstico: Influeza B.

Voltamos para casa, e, enquanto estou na cozinha preparando um suco de laranja para as minhas agora DUAS pacientes, meu filho mais velho aparece meio cambaleando e diz, baixinho: “mãe, não estou me sentindo muito bem”.

“Ah, nãooooo filho!! Você também?????”

Mas só de tocá-lo consigo sentir a fervura de sua pele. Dou um abraço. Penso comigo que ele nem precisa fazer exame, seu diagnóstico é mais do que óbvio.

Nesse momento estou sem ação, me sentindo uma espectadora em uma comédia tragicômica. Mas é lógico que vamos fazer o exame. De novo. Mais uma ida ao hospital.

O manobrista já inclusive virou meu ‘brother’, e fez até piadinha:

Engraçadinho. Pergunto para ele se a terceira vez não pode ser por conta da casa (#engraçadinha).

Enquanto esperamos para sermos atendidos, brinco com o meu filho que ele e as irmãs podiam ter combinado de ficar doentes juntos para a gente economizar a viagem e irmos todos ao hospital de uma vez só, em vez de se revezar. Ele ri. Eu rio. E seguimos para a sala de exames. Só para tirar a dúvida do diagnóstico.

Que deu positivo.