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Fim de tarde no parque

Aí eu resolvi ensinar pela 17645ª vez meu filho a jogar o lixo no lixo.

Estávamos no parque e ele tinha acabado de tomar sorvete.

Depois de se pingar todo, ele estendeu o papel e o palito para mim. O clássico MÃE, ACABEI. (O segundo clássico, porque o primeiro envolve um banheiro, uma privada, e uma mãe ocupada)

Apontei para trás dele, onde a apenas 4 metros havia uma lata de lixo (daquelas bem grandes e verdes, sabe?), e mandei ele jogar lá.

Fiquei obvservando a emocionante cena do meu filho jogando lixo na lixeira.

Ele parou a uma certa distância do cesto (um metro mais ou menos) e mirou.

lixeira1

Com infinita concentração, sem nem piscar, ele joga o papel e…. lixeira 2

Erra.

Mas ok, vamos tentar de novo né?

Um, dois eee…

lixeira 5

Ele erra de novo.

Mas não vamos desistir. Quem acredita sempre alcança.

Pacientemente ele pega o papel do chão, se posiciona, e…

lixeira 6

Erra.

E na outra vez:
lixeira 7

Erra de novo….

Aí, quando eu achei que ele ia parar de tentar, ele teve a brilhante ideia de se aproximar mais da lata.

Achei uma excelente ideia!!

Mas…

lixeira 8

Ventinho chato!

Então ele tenta de novo, de outro ângulo…

lixeira 9

Tadinho!! Não era o dia dele, gente.

Derrotado, ele finalmente desiste e me convoca para concluir a missão.

lixeira 10

Mamãe multi-uso em ação.

lixeira 11

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Eu sei que foi uma situação extrema, mas realmente aconteceu. Ele deve ter tentado umas 20 vezes acertar a tal da lata. Tentou muito mesmo, não era pra ser. 

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Quantos dinheiros você tem?

Há algumas semanas, tivemos uma festinha de aniversário de uma amiguinha da escola. O brinde foi uma moedeira. Daquelas redondas de plástico, com zíper, sabe? Todo mundo já teve uma dessas um dia.

Meu filho simplesmente adorou o brinde. Amou de paixão. Voltou da festa super animado, pedindo para eu dar à ele “muitos dinheiros”.

moedeiro 2

A chegada da moedeira na nossa casa marcou o início de uma nova descoberta na vida dele: o dinheiro. Ele descobriu que podemos pagar as coisas com dinheiro, e não só com cartão. E mais importante: que ele tinha acesso à esse dinheiro.

De repente ele se tornou tão poderoso!!!

Dei à ele alguns trocados pra começar a encher sua moedeira. Mas ele não quis saber das notas, só das moedas.

Moedas são bem mais legais… são redondinhas, fazem barulho… Notas são sujas, velhas, feias. Né?

moedeiro 5

Ah, a doce inocência das crianças…

Agora ele acha que pode pagar tudo. Quando tomamos uma água de coco na praça, quando levo ele para cortar cabelo, ou até para pagar as compras do mês.

Ele saca aquela moedeira do bolso, com pouco mais de um real e cinquenta, e declara:

moedeiro1

Eu lanço para a moça do caixa aquele olhar meio cúmplice. Meio “ele só tem três anos, relaxa eu vou pagar. Mas ele ta tão feliz.. então finge que você acredita”. Ela me devolve um olhar de compreensão. Tudo numa realidade a parte.

Pagamos e saímos, prontos para a próxima.

Me pergunto quando vou ter que contar pra ele que na verdade sou eu que pago tudo.

Algum dia ele vai ter que aprender… mas até lá, vou deixando ele pagar as coisas com “os dinheiros” dele.

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Viajando com as crianças

Depois de ter filhos preciso confessar que passei a ter muita preguiça de viajar. Não me levem a mal, adoro passar tempo com eles, cuidar deles, brincar com eles e etc. Mas ultimamente tenho preferido fazer tudo isso no conforto da minha própria casa.

Porque afinal de contas, aqui já tem tudo. Já tem banheira, trocador, fralda, berço, leite, mamadeira, etc. Então é bem mais prático.

Bebê exige MUITA bagagem. É carrinho, é berço portátil, é estoque de fralda, é brinquedo… ai de nós se esquecemos os brinquedos. Ou a chupeta, D’us me livre.

Então, resolvi fazer uma ilustração para ser mais clara.

Isso somos nós viajando ANTES dos filhos:

Viajar 1

Jovens, com roupas despojadas (naquela época eu podia escolher as minhas roupas E combiná-las com os acessórios, que luxo!), descansados, tranquilos…

Cada um com sua malinha. Sem pressa, sem horário, sem um milhão de esquemas.

Deu pra captar??

Ok.

Isso, por sua vez, somos nós viajando hoje em dia:

VIAGEM 2

Mala de roupa, mais roupa, mais um pouco (Vai que suja? Vai que vaza?? Vai que molha? Vai que precisa trocar?), carrinho, mala de coisas de cozinha, farmacinha (vai que fica doente), os brinquedos… a “mala da mão” com fraldas, comida, bebida, roupas extras, passatempos para o percurso…

Enfim. Por isso que dá preguiça…

Vocês me entendem?

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A mentira cresce…

Perto da nossa casa tem uma pracinha gostosa, com árvores, bancos e uma vendinha de água de coco. Nessa manhã de domingo, eu iria até lá com as crianças. Meu marido, que tinha que terminar umas coisas de trabalho, nos encontraria ali mais tarde.

Mas acabou que saímos, tomamos coco, brincamos, vimos os cachorrinhos… já era hora de ir embora, e o papai acabou não aparecendo.

Então, meu filho, indignado:

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Ai meu D’us. Eu mereço…

EU (pacientemente): Filho, ele não mentiu, deve ser que ele ficou ocupado com as coisas de trabalho e não conseguiu vir. Agora a gente fala com ele em casa.

FILHO (com tom de voz acusador): Não é… ELE FALOU MENTIRA!!

Ele estava tão decidido sobre o assunto que eu simplesmente desisti. Chegando em casa ele esqueceria. Ou perguntaria pro pai.

Porém, depois de andar por mais alguns minutos…

FILHO (já mais calmo): Mãe, sabe que quando você fala mentira, a mentira cresce, cresce, cresce, cresce.

Hm. Muito interessante essa observação. Da onde será que ele tirou?

EU: É mesmo?? E quem te contou isso?

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Ah, é. Um livro sobre ‘como é feio mentir que eu comprei pra ele depois que ele começou a falar que ‘foi no parque da Xuxa ontem’ (quando ontem na verdade ele tinha ido na escola) e que ‘comeu tudo que tinha no prato’ (quando na verdade a comida estava intacta. E bem na minha frente, que descarado!)

Faz uns três meses que eu não vejo o livro, desde antes de nos mudarmos de apartamento. É um livrinho fofo, sobre dois irmãos ursinhos que estavam jogando bola na sala e quebraram o vaso da mãe. Aí eles inventaram que quem quebrou o vaso foi um passarinho que passava por ali.

O livro explica que, quando você conta uma mentira, a mentira CRESCE, CRESCE E CRESCE (metaforicamente, é claro).

Eu já estava toda orgulhosa por ele ter captado o conceito do livro tão rápido, depois de ler apenas duas ou três vezes. Que esperto meu meninão!!

E então, ele vira para mim com seus olhinhos cheios de preocupação e anuncia:

MENTIRA 2Hmm…