STOP!

Estávamos sentados jogando STOP, eu e meu filho de dez anos.

Ultimamente, ele tem reclamado que as categorias comuns de STOP são muito sem graça. Sabe, os de sempre? Nome, Comida, CEP, Minha Tia É, etc?? (Aaaah, essa geração alpham acelerada e impaciente)

Então, para dar aquela revigorada na coisa, a cada jogo ele decide criar novas categorias.

Nesse dia, eram elas:

Não são categorias muuuuito diferentes das comuns, mas especificam um pouco mais a coisa. Não basta um objeto com N. Tem que ter mais de 100 kg. Não basta uma comida com N, tem que ser vermelha. E assim por diante.

Enfim. Eu havia acabado de escrever Napoleão Bonaparte e Nápoles (não gosto de preencher as coisas na ordem) e fiquei esperando ele terminar de escrever os dele. Sabe, acho que eu aos 31 anos coleciono um pouco mais de conhecimento e experiência de vida do que meu filho de dez – apesar de sua memória e capacidade de armazenar informações serem infinitamente melhores que a minha.

Em todo caso, considero uma diferença meio injusta disputar no STOP com um menino duas décadas menor do que eu. Por isso, mesmo que eu termine de preencher todas as categorias primeiro, sempre dou um tempinho pra ele acabar.

E nesse dia, enquanto eu esperava, fui me perdendo em meus devaneios (sim, dá uns bons minutos de espera, suficientes para se perder em devaneios distantes) e de repente comecei a lembrar daquelas piadinhas de cúmulos que eu costumava contar quando era criança.

Vocês lembram dessas piadas?

Decidi que talvez seria legal compartilhar com ele essas minhas lembranças.

EU: Filho, antes da gente comparar as respostas, eu quero muito te contar uma coisa da minha época.

(Vó total né?)

ELE: (adolescente entediado revirando os olhos): Fala, mãe.

Aí eu perguntei:

EU: Filho, você conhece as piadas de cúmulos??

ELE: Tem várias.. De qual vc tá falando?

Tento me lembrar da mais famosa da minha época:

EU: TIPO… Qual é o cúmulo da rapidez? Comer o guardanapo e limpar a boca com o peixe.

Lembro de como eu me achava o máximo quando contava essa piada.

Mas meu filho só me olhou muito sério e disse:

Oras, eu era tão avoada de pequena que nem sabia o que a palavra distração significava.

Mas não desisti:

EU: O cúmulo da distração não é trancar a gaveta com a chave dentro?

ELE: Não mãe, esse é o cúmulo da velocidade…

Minha Débora de dez anos interior já estava furiosa com a audácia daquele menininho dizendo que meus cúmulos todos estavam errados.

EU (enfezada): Não é, não! O da velocidade é apostar corrida contra si mesmo e chegar em segundo lugar.

Não contente, ele me lançou um olhar que era em parte desafiador e em parte divertido, e respondeu:

ELE: Mãe, este é o da lerdeza.

EU, vencida na vida: Tá, desencana dos cúmulos. Vamos de stop.

 

Comparamos nossas respostas.

Tiramos 75. Ambos colocamos Napoleão Bonaparte.

 

Resumo da ópera: Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia… Nem as brincadeiras, nem as piadas. E provavelmente nem as músicas. RIP anos 90.

2 thoughts on “STOP!

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