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Volta às aulas

FILHO: Mãe, amanhã eu quero ir para a escola bem cedo!! Pra pegar lugar…

Meu filho de dez anos disse isso ontem, um dia antes da volta às aulas.

EU: Cedo tipo que horas?

ELE: Tipo umas seis, seis e meia.

Me lembrei, então, de quando eu era pequena e fazia minha mãe acordar as 5 da manhã no primeiro dia de aula para me levar na escola escolher o meu lugar na classe (valeu mãe!!!) Na época, todas as crianças chegavam 4h -5h – 6h da manhã para conseguirem ser as primeiras a selecionar o seu assento, que seria praticamente o seu lar na escola durante o resto do ano letivo. Seu porto seguro. Um lugarzinho para chamar de seu naquele ambiente nem sempre amistoso chamado escola.

Era um absurdo, mas de certa forma compreensível.

Então, tomada por essa lembrança (que na época me deixava bastante ansiosa, mas que hoje a tomo com afeto e nostalgia) eu compreendo o desejo do meu filho.

Acordamos bem cedo e chegamos na escola uma hora antes do normal. Mochilas, uniformes, material escolar, tudo certo. Prontos para a guerra a seleção dos lugares. Parei o carro e desci com eles.

Meu filho, então, olha para mim e diz:

EU, ultrajada: Como, tchau mãe? Eu vou subir com você.

FILHO: Não vai, não.

EU, contrariada: Vou sim!  Como não?? Primeiro dia de aula! Quero ver sua sala, sua mesa, tudo o mais.

FILHO: Mãe, NENHUMA MÃE SOBE. Eu já estou no quarto ano. Tchau, sério.

EU (Insistente. Porque sou brasileira e não desisto nunca.): Mas filho, e todo o material? Eu te ajudo a carregar lá para cima.

FILHO: Não. Eu levo mãe. Tchau. Obrigado.

EU: Então tá né… um beijo pelo menos?

Ele revira os olhos, olha para os dois lados para ver se não tem ninguém por perto e assente. Sinto um aperto no coração.

Olho para minha filha de 7 anos e me recomponho.

EU: Filha! Sua vez! Vamos? Vamos lá? Vou subir com você.

EU, em choque: Como não? Primeiro ano primário. Lógico que sobem.

FILHA: Não mãe… Ano passado você foi a única.

EU, brasileira insistente: Poxa, como assim filha? E o seu material? Você vai levar sozinha?

FILHA: Sim né. Dur. Eu não sou bebezinha.

Me deu um beijo rápido e fim.

Lá se foram eles, lutar suas primeiras batalhas do ano, longe de mim. E eu fiquei estática com cara de tacho tentando entender como isso aconteceu.

A vida não te prepara para se tornar “desnecessária” para os filhos. Doeu. Mas acho que faz parte, né? E bom, o que eu posso dizer? É todo aquele drama: A gente põe um filho no mundo, sabe… carrega nove meses… para sermos tratadas assim…

Me recompus, saí de lá e fui atrás de um sundae duplo com calda de chocolate e caramelo. Porque eu merecia.

Infelizmente não encontrei NENHUM lugar aberto, afinal, ainda era de madrugada.

Resumo da ópera:

  • Férias: quem está fora quer entrar, quem está dentro quer sair.
  • O tempo passa rápido pra burro (lembre-se disso nos maus momentos também)
  • Falta na cidade de SP estabelecimentos que fiquem abertos 24 horas para eventuais crises emocionais.

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Em tempo: Meu filho acabou com um lugar no canto da segunda fila. De acordo ele, já havia muitos amigos na classe quando ele chegou. Minha filha conseguiu um na primeira fileira.

Ambos estão satisfeitos.

E eu, por fim, ainda não consegui comer o meu sundae. Decidi desenhá-lo para ver se passa a vontade:

Não passou.

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SOS fim de férias para mães exaustas

Fim de férias, fim de festa, fim da energia das mães que estão na função desde meados de dezembro… mas sabe o que não chega ao fim? O ânimo dos pequenos!! Uhuw!! Não importa o dia ou a hora, eles estão sempre à mil e prontos para novas aventuras!

E como você, mãe, está?

ENTÃO, aí vão algumas dicas de atividades para as mães que, assim como eu, estão exaustas para fazer programas muito elaborados mas não querem deixar de participar do jeito-possível.

1- Esconde-esconde.

É a vez deles te procurarem! Pegue seu livro e escolha um lugar BEM difícil. Se você não está afim de ler, pode pegar o seu tablet com aquela série que você está quase terminando (com fones por favor). Ou, pode ser o seu celular pra você ficar em modo-letargia rodando a tela para baixo sem parar (embora eu não recomende isso). Se quiser ser ainda mais equipada, leva uma barrinha de chocolate (ou de cereal, dependendo se você aderiu ao plano fitness este ano ou não)

IMPORTANTE: Esconda-se num lugar BEM difícil. Não subestime a capacidade dos seus filhos. Se esconda no chuveiro, atrás da porta, no hall de entrada, sei lá. Você que conhece sua casa. Pense num lugar original e difícil de encontrar

Aproveite sua meia hora de paz.

2- Hora do Show!

Fale para as crianças que você A-DO-RA-RIA assistir a um show deles. Pode ser de dança, de música, de piada, de fantoches, do que eles quiserem. Temática livre!! Acomode-se no sofá. Agora relaxe e bom show!

(DICA para quem tem mais de um filho: Altas chances de dar briga, seja pela temática – que cada um vai querer diferente – pela música, pelo ar que cada um respira ou espaço que cada um ocupa na sala. O céu é o limite quando se trata de briga de irmãos, não é mesmo? No pior dos casos, diga que quer shows separados, para você poder olhar para cada um deles direitinho sem perder nenhum movimento.

 

 

3- Brincar de médico

Diga: Crianças, estou muito doente. Preciso de cuidados médicos. Não consigo nem me mexer. Tragam a maleta de médico.

Agora deite-se no chão/sofá/cama e interprete o paciente em coma.

Você tem pelo menos 20 minutos aí, aproveite.

 

4- A boa e velha TV

Escolha um filme que você gosta (de sua infância ou sei lá, o que estiver afim de assistir) e convide-os para uma sessão pipoca exclusiva de fim de férias. Faça um baldão de pipoca e se joga!

 

 

Se tiver mais ideias de atividades para mães exaustas, por favor compartilha aqui ou me manda na minha página do instagram, porque eu ainda tenho uma semana pela frente =)

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Agora, se você tiver algum material em casa e não estiver tãão exausta assim…

5- Hora dos adesivos

Compre uma cartela adesivos. Pode até ser aquelas de etiquetas redondas e coloridas. Aliás, este é um material que vale muito a pena você ter em casa quando quer uma atividade rápida/fácil/indolor e que eles vão achar incrível (assim como massinha).

Dê para eles e manda eles bolarem uma arte bem linda! Podem colar em você, num caderno ou no papel sulfite e fazer uma linda arte com eles.

6- Encontrar bichinhos no jardim

MATERIAL NECESSÁRIO: Um copo plástico e uma pá. Se quiser elaborar mais ainda, uma lupa de brinquedo. Desça com eles no jardim/quintal/gramado qualquer pedacinho de terra ta valendo.  Mande-os catar bichinhos e trazer todos depois para você avaliar. Tatu bolas, joaninhas, formigas, besouros…. 

IMPORTANTE: Lembre-se que eles que são os estudantes da fauna, e você é apenas a bióloga responsável pelo laboratório, e por isso tem que ficar sentada tomando conta da sede e não pode ir ajudá-los (ou seja, ficar sentada sem fazer nada)

(Ah, depois de olharem os bichinhos com curiosidade, pode devolver ao seu habitat natural.)

7- Hora da limpeza.

Material: um balde, água e um pano ou toalha pequena. Ou só um lencinho umidecido, se você estiver realmente exausta.

Mande eles limparem o chão/ a parede/ qualquer coisa. Eles amam limpar (só quando não precisa limpar de verdade, é claro.)

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À mãe de maiô verde na praia ontem,

Também sou mãe.

Eu era a de azul que estava na barraca atrás de você, enquanto você abraçava e tentava ninar a sua bebê. Quanto tempo ela tem? Uns oito, nove meses? Ela estava quase dormindo no aconchego do seu abraço e quando algum vendedor ambulante passava, ou alguma criança gritava… e ela punha-se a chorar.

Sei bem o que é isso.

Senti sua apreensão ao tentar colocá-la – pela terceira vez – com todo o carinho e cuidado na colcha estendida abaixo do guarda sol. Para que ela dormisse sossegada, afinal, pela piscininha e os brinquedos ao seu lado, presumi que ela já tinha se divertido e visto muita coisa nova por hoje. Era hora de descansar.

Também era o seu momento de se estirar um pouco no sol, tomar uma água de côco, talvez dar um mergulho ou caminhar. Quem sabe abrir o livro que você, otimista, trouxe na bolsa, na esperança de talvez conseguir ler uma ou duas páginas enquanto ouvia o som do mar.

É difícil esse dilema entre ser mãe e mulher, a gente se perde um pouco. Amamos testemunhar cada sorriso e conquista de nosso bebê, mas também ansiamos por nossa hora do respiro. Nosso momento, sagrado. São dois sagrados, o tempo com o bebê e o tempo com nós mesmas. Difícil conciliar.

Ela dormiu, depois de muita resistência – bebês em geral não gostam de dormir, mesmo. Pelo menos os meus também eram assim. E você foi fazer suas coisas. Foi ser um pouco você. Lembrei de quando minha vida era assim, de quando eu podia existir entre as sonecas deles.

É uma fase difícil. Maravilhosa e única, sim! Arrebatadora, divina, apaixonante… mas às vezes tão dura e solitária.

Eu estava atrás de você, olhando os meus pequenos enquanto eles construíam seus castelos e bolos, cavavam buracos pra caçar siri e brigavam pela pá vermelha – mandei brigar baixo para não acordar a sua bebê.

Depois, fui ao mar com eles, e quando voltei, a sua pequena já tinha acordado. Pronta para uma nova aventura sagrada, quem sabe perseguir os passarinhos ou comer mais um pouquinho de areia.

Você conseguiu relaxar um pouco?

Espero que sim.

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Tudo bem vai… Serei mais realista. Abaixo, uma ilustração mais precisa da nossa calma e tranquila manhã na praia:

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O tênis na sala

Chego em casa daquele jeito depois de um dia lotado. Me jogo no sofá. Começo a relaxar o pescoço, sentir os músculos descansarem, quando…. me deparo com eles.

Os sapatos do meu filho.

Como sempre, eles adornam a minha sala de estar, quase como um objeto de arte moderna contemporânea. Sabe? Uma coisa meio conceitual, esparramada entre o sofá e a poltrona.

Mas será possível? Há nove anos (quase dez) ele é meu filho, e há nove anos (quase dez) me pronuncio contra este hábito diário. E olha que não sou das mães mais obcecadas por organização. Aliás, me considero bastante liberal e receptiva à falta de ordem.

Mas não consigo deixar de me perguntar, ali naquele ensolarado fim de tarde, sobre aonde está a dificuldade do meu baixinho (que já não é tão baixinho) em descalçar os raios dos sapatos no quarto. Não estou nem pedindo para que os guarde dentro do guarda roupas – longe de mim!! – peço apenas que os deixe no quarto, e não aqui.

O hábito está tão enraizado nele que secretamente desconfio de que, alguma vez, já deve ter acontecido dele chegar em casa, correr até o quarto e notar que ainda está com os sapatos nos pés. E então dar um suspiro e dizer: “Ah, não!! Esqueci de deixar os meu tênis na sala. Vou lá tirar e já volto”.

Será? Não duvido.

Mas sabe, temos de escolher nossas batalhas, não dá para exigir tudo o tempo todo. Por exemplo, no momento estou focando na causa-toalha-de-banho. Depois de anos muito tempo pedindo e explicando a importância de pendurar a toalha após o uso (deixá-la seca para amanhã, manter o mínimo de organização no lar, etc) eu finalmente consegui!

Considero uma batalha quase vencida. Meus futuros genros e noras poderão reclamar do que for, mas não da toalha jogada na cama.

Já o tênis no armário… essa ainda não posso garantir.

Escuto-os conversando alegremente no meu quarto. Pelo papo, sei que estão brincando de montar um forte na minha cama. Penso em ir lá dar oi, conversar um pouquinho, chamar ele pra recolher o tênis… Como a mãe responsável que eu deveria ser. Que busca sempre educar os filhos, ensinar as coisas…

Mas… não vi eles o dia todo. Não quero chegar assim, já reclamando. Não dá para bancar a mãe chata agora. Aliás, é tão exaustivo ser uma mãe chata. Você não acha? Por mim eu seria sempre uma mãe legal. Quer faltar na escola? Sim! Ver TV a tarde toda e desencanar da lição de casa? Estou dentro! Tomar sorvete para o jantar? Com certeza!

Posso escolher ignorar: simplesmente fingir que nunca vi o sapato aqui, todo errante, entre o sofá e a poltrona. A ideia me parece tentadora.. afinal, amanhã cedo ele já vai ter de usá-lo para ir à escola, mesmo, que diferença faz? Assim, já está mais próximo da porta para ir embora. Será quase um desserviço às nossas atrapalhadas manhãs eu mandá-lo guardar o tênis agora. Oras.

Seria o sapato jogado um sinal de minha negligência materna? Talvez um símbolo da desordem natural da vida? Seria um displicente ato de rebeldia pré adolescente? Ou quem sabe, penso, olhando de relance minha bolsa e casaco que acabei de largar no sofá, seja apenas um ato de entrega, tão doméstico, que nos concedemos ao chegar em casa depois de um dia cheio?

Hoje não será dia de vencer batalhas. Hoje será dia de me unir aos meus pequenos e adoráveis “inimigos” no forte, de repente estourar umas pipocas quentinhas e pedir uma pizza para o jantar.*

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*O jantar foi carne com legumes, arroz, feijão e salada de tomate com palmito. Mas cá entre nós, eu adoraria que tivesse sido pizza. 

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Um belo dia

Um belo dia você acorda e percebe que dormiu uma noite inteira sem ninguém te acordar.

Que você até conseguiu tomar um banho tranquila, sem ninguém ficar te chamando do lado de fora.

Um belo dia você consegue voltar a ler. E a trabalhar. A malhar, a comer e ver sua série –quase- tranquilamente.

Ter até um tempinho de ócio.

Um belo dia você percebe que logo mais vai poder devolver aquele vaso de cristal na mesa da sala.

Um belo dia aqueles passinhos ligeiros e suaves no corredor se tornam passadas firmes e estrondosas.

E ninguém mais grita mãããe, acabei o cocô.

Um belo dia picoca vira pipoca.

E aquele dentinho que você comemorou tanto quando nasceu, cai.

Um belo dia ninguém te pede para ler um livro, porque já sabem fazê-lo por conta própria.

E aquela peça de roupa, que parece que cresceu junto com eles, de repente não entra mais.

Um belo dia eles ficarão com vergonha que você lhes dê um beijo na frente dos amigos.

E você irá se assustar com a altura deles. Com o jeito maduro/retraído/desenvolto/responsável/engraçado/sério/focado de serem.

Um belo dia eles sem querer dirão alguma verdade que vai te tirar dos trilhos e fazer repensar tanta coisa.

Sei que novos belos dias vão chegar. Eles sempre chegam, entre uma garfada e outra, depois do banho quentinho, ou naquele semáforo que sempre atrasa a gente para chegar na escola.

Desejo apenas conseguir apreciar esses belos dias com toda a beleza que cabe à eles.

Afinal, eles não são chamados de belos dias à toa.

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Sobre quando todo mundo pegou Influenza B

A primeira a ter febre foi minha filha do meio.

Foi um febrão, do nada. Seguido de um dia inteiro de total desânimo. Ela deitando pelos cantos da casa, sem vontade de brincar, bagunçar, comer e nem ver televisão.

A parte da televisão me preocupou.

Mas ela só queria ficar deitada, quietinha.

Levei ao hospital. Lotado, não havia nem onde sentar. Peguei-a no colo porque ela mal conseguia ficar em pé. Até sermos atendidas, o exame realizado, termos um diagnóstico e sermos liberadas para voltar para casa levou cinco horas. CINCO HORAS.

Tratamento: 5 dias do Tamiflu. Antitérmico para febre. Muito líquido. Dieta leve. Sem escola ou qualquer atividade por uma semana. E sem contato com os irmãos, principalmente com a irmã pequena, de apenas dois anos.

Sei. Só se trancafiá-la no quarto. Os três, apesar de brigarem direto, são super grudados.

Chegando em casa com ela, eu tento instaurar e manter uma política de isolamento, mas é só eu sair de perto deles por um minuto que quando volto, estão assim:

Maravilha! Bem na cara da irmãzinha.

E é tiro e queda. Dois dias depois, adivinha quem está com febrão? Pois é. A pequena.

Eu, já mais esperta, responsável e experiente, vou ao hospital com um pedido de exame em mãos, para não pegar a monstruosa fila como da outra vez. Mesmo assim, todo o processo leva um tempo, onde brincamos e desenhamos com aqueles brinquedos e giz de cera contaminados da sala de espera do hospital.

Afinal, ela já está doente mesmo né.. fazer o quê. Que brinque com as coisas

Diagnóstico: Influeza B.

Voltamos para casa, e, enquanto estou na cozinha preparando um suco de laranja para as minhas agora DUAS pacientes, meu filho mais velho aparece meio cambaleando e diz, baixinho: “mãe, não estou me sentindo muito bem”.

“Ah, nãooooo filho!! Você também?????”

Mas só de tocá-lo consigo sentir a fervura de sua pele. Dou um abraço. Penso comigo que ele nem precisa fazer exame, seu diagnóstico é mais do que óbvio.

Nesse momento estou sem ação, me sentindo uma espectadora em uma comédia tragicômica. Mas é lógico que vamos fazer o exame. De novo. Mais uma ida ao hospital.

O manobrista já inclusive virou meu ‘brother’, e fez até piadinha:

Engraçadinho. Pergunto para ele se a terceira vez não pode ser por conta da casa (#engraçadinha).

Enquanto esperamos para sermos atendidos, brinco com o meu filho que ele e as irmãs podiam ter combinado de ficar doentes juntos para a gente economizar a viagem e irmos todos ao hospital de uma vez só, em vez de se revezar. Ele ri. Eu rio. E seguimos para a sala de exames. Só para tirar a dúvida do diagnóstico.

Que deu positivo.

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A Vacina da Febre Amarela

Se você mora no Brasil, deve lembrar-se daquele surto da vacina da febre amarela, no ano passado. Lembra?? Todo mundo aflito atrás de uma dose para chamar de sua, os jornais noticiando as filas quilométricas e o desespero.

Fiquei com dó das crianças, que acabaram entrando nessa onda (porque eles são esponjas, escutam os pais comentando, ouvem no rádio, tv, etc, e quando a gente vai ver eles estão fazendo mil perguntas pertinentes e sabendo de tudo), mesmo sendo muito mais informação do que a cabecinha deles é capaz de processar.

Tadinhos. A imaginação não tem fim.

Sempre tem aquela parcela da população que é super precavida e responsável, que consegue perceber quando haverá uma crise ou um surto de vacinas e se antecipam. (Quem são essas pessoas? Aonde vivem? Do que se alimentam?).

Elas dizem coisas como:

Eu, óbvio, não faço parte deste seleto grupo de seres humanos. Não. Por motivos que fogem da minha compreensão, eu acabo procrastinando e sempre deixo para última hora. E quando dou por mim já não há mais a tal da vacina.

Lembro de ter tentado de todas a maneiras: acordar as crianças cedo e chegar horas antes de abrir o posto. Em vão. A fila virava o quarteirão, subia a avenida e já não havia mais senhas. Não contente, liguei em todos os particulares que conhecia e a resposta era sempre a mesma: acabou e estamos sem previsão de chegada. Talvez em março.

E as filas eram tão grandes, mas tão grandes, que se tornaram referência na cabeça do meu filho. Até hoje, quando vemos pessoas enfileiradas num restaurante, no ponto de ônibus, na casa lotérica, etc, ele comenta:

Acabei conseguindo (em março) a bendita vacina.

Todos tomaram, mas até hoje falam no assunto. Me pergunto quando irão esquecer…