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Três e novembro

Meus filhos ultimamente têm brincado de um novo jogo, que eles chamam de “Vendedor”.  O legal desse jogo é que você pode brincar em qualquer lugar. Em casa, no banho, no carro, na sala de espera do médico, etc. Consiste em fingir que você está comprando e vendendo coisas. Pode ser qualquer coisa, desde uma tampa de shampoo até um telefone ou uma poltrona.

Então ontem já era hora do banho e eles estavam no meio de um desses intermináveis jogos, negociando bravamente se um relógio do mickey que meu filho estava vendendo deveria custar cinquenta e nove, vinte um, ou três reais.

EU: Filhaaa! Vamos tomar o seu banho?

tres e novembro

Hm.. eu diria que é uma gama de produtos bastante diversificada.

EU: Ah, oi vendedora. Quero comprar este óculos.. quanto custa?

FILHA: Custa três e novembro.

EU: hahahaha

(Provavelmente ela quis dizer noventa. Tudo hoje em dia tem o noventa no final, já reparou? Até minha filha de três anos reparou. Espertinho esse noventa, faz você achar que está pagando quase um real a menos do que está pagando na verdade…)

EU: Ah tá meio caro esse óculos, né… e a corujinha?

FILHA: Três e novembro.

Tudo nessa loja custa três e novembro.

EU: Tá legal, vou querer a coruja então. Tem troco pra vinte?

O ‘dinheiro’ nessa brincadeira são cartões de visita. Quer deixar os meus filhos felizes? Dá o seu cartão de visita pra eles. Se der um cartão pra cada um então, eles vão à loucura.

tres e novembro 2

Peguei o meu troco e fui embora.

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Brincadeiras a parte, este jogo de vendedor me faz refletir sobre a sociedade de consumo em que nossas crianças estão crescendo e em quão insustentável ela é. Onde vai parar isso? Quantos brinquedos os seus filhos tem? Quanta tralha que você não usa há mais de um ano? A quantidade de coisas a venda que se esfrega na nossa cara todos os dias, as propagandas sem limites, os anúncios que nunca foram tão insistentes e semeiam lá no íntimo aquela urgência em comprar.. Como nossos filhos vão acabar saindo disso tudo? Para se pensar…

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Sobre casamentos

Oi Gente
Pra quem não lembra meu nome é Debora e eu costumava escrever neste blog há muito tempo atrás. Mas aí eu parei. Por que eu parei? Não sei! A correria, o dia a dia, a falta de inspiração pra escrever (canalizada pra outra área, mas ok isso é assunto de outro post).

A boa notícia é que depois de tanto tempo eu voltei pra continuar postando as aventuras da família em quadrinhos. Por onde começar depois de tanto tempo? Bom, meu filho hoje é um grande cirurgião que passou meses viajando com os Médicos sem Fronteiras e hoje atende nos melhores hospitais de SP. Minha filha cresceu, se formou em economia, criou o seu próprio fundo de investimentos, casou e já tem um bebê.

Brincadeira não passou taaaaanto tempo assim.

Não.. Meu filho está com 5 anos e 9 meses e minha filha acaba de completar 3 anos. Não mudamos muito desde a última vez.

A cena de hoje aconteceu esta semana no carro. Era uma manhã como outra qualquer, estávamos saindo da garagem para ir à escola. Quando minha filha…

casar 1

EU (meio embasbacada sem saber o que responder): Sim filha, mas só quando você crescer.

E então meu filho, irmão mais velho protetor resolve entrar no papo:

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EU (precisando de mais detalhes sobre esse assunto.. Desde quando uma menina de 3 anos se preocupa com casamento?): mas com quem você vai casar?

Ao que ela responde:

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Olha aí o édipo minha gente… Freud tarda mas não falha.

FILHO: Mas com amigo do papai não pode!!

FILHA: Por que não??

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Nessa hora eu já não sabia se ria ou se chorava… porque criança não mede palavras, elas são sinceras e ponto final.

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Quando eles estão amigos

Irmãos. Uma relação tão ambivalente. E é tão difícil tentar descrevê-la.

Uma hora se amam. Uma hora se odeiam. Se tornam rivais de primeira. Mas logo essa rivalidade evapora e dá lugar a um companheirismo sem igual. E eles, que há pouco pegavam no pé um do outro, em questão de minutos se tornam os mais fiéis parceiros no crime.

As vezes eles estão brigando tanto que me fecho no banheiro por alguns segundos para respirar.

Mas o texto de hoje descreve uma parte carinhosa dessa relação. É uma daquelas cena fofas e raras, que as vezes nós temos a sorte de estar por perto bem na hora para testemunhar.

Era uma tarde como outra qualquer…

FILHO: Irmãzinha!!  vamos pular na cama da mamãe?

FILHA: vamos vamos vamos

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Se tem um programa que eles amam, é pular na minha cama. Eles estão reclamando que não tem nada pra fazer e você está sem criatividade para inventar brincadeiras?? Manda pular na cama.

Não tem erro.

irmaoss 3

Mas minha pequena não conseguia subir sozinha. A cama estava alta para as suas perninhas.

Então…

IRMAOSS 2

Como assim fazer um banquinho? Eu me perguntei..

Mas logo entendi:

irmaosss

E continuaram pulando, felizes e gargalhantes, até a próxima briga.

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Mãe, posso ver tv?

FILHO: Mãe, deixa eu ver tv?

EU: Ah não filho, ver tv não. Vamos fazer outra coisa.

FILHO: Mas eu quero ver televisão mãe.. faz tempo que eu não vejo.

EU: Mas tv é só pra quando não tem NADA pra fazer. E a gente tem mil coisas pra fazer agora! Tipo brincar de lego, pintar, fazer colagem…

FILHO: Se você não me deixar eu ver TV eu vou te bater, porque eu quero muito ver um filme!

EU: Ah filho mas não pode bater na mãe. Isso não se faz. E eu vou chorar se você me bater né?

FILHO: E daí?

EU: E aí eu vou chorar tanto que vai acabar toooda a água do meu corpo*. (A mãe trágica. Drama Queen.)

Silêncio.

 

ver tv 2

 

Tão gentil… A água do corpo da mãe que se dane, eu quero mesmo é assistir Bob Sponja!!

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* Falei sobre a água do corpo porque um dia essa semana minha filha estava fazendo escândalo** e ele anunciou docemente que a água do corpo dela iria acabar de tanto que ela estava chorando. Ri muito.

** Em breve post sobre os escândalos dos dois anos de idade (ou popularmente conhecido como TERRIBLE TWOS)

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Das coisas que parecem simples

Andar na rua com duas crianças. Parece uma coisa simplíssima de fazer. Todo mundo sabe: tem que dar a mão, andar devagarzinho, parar nas faixas de pedestre, etc etc.

Mas na prática nem sempre acontece assim.

As vezes, eles empacam, do nada, e decidem que não querem mais andar.

Outras vezes eles disparam feito foguete pelas calçadas.

rua

A mãe vira A louca.

Outra coisa que parece ser muito simples é pagar coisas. Pagar qualquer coisa no caixa de alguma loja. Parece uma coisa tão comum, tão normal.

A gente acha que os filhos vão ficar quietinhos pacientemente esperando você digitar a senha correta do cartão, checar o valor a ser pago, etc.

Mas, pelo menos aqui em casa, não é assim que funciona…

coisas simplesFé e foco. Fé e foco.

Nos dias que você está mais estressada evite sair com eles.

Mas tem dias que até ficar em casa é complicado…

simples

Ir ao banheiro também parece uma coisa super simples de se fazer.

Tipo “vou aproveitar que eles estão entretidos e fazer um xixi rapidinho…”

Doce ilusão…

xixi2

Ir no parque. Parece uma coisa super educativa, relaxante… Eles vão ver a natureza, brincar e correr ao ar livre.

Tão lindo! A gente acha que vai poder sentar e ler os nossos livros enquanto eles exploram livremente a natureza.

Mas não é bem assim…

PARQUE

Pois é..

Antes de ser mãe eu achava que ter filhos era coisa simples. Afinal, todo mundo tem, né?

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Coisa de Pai

Essa semana recebi um convite super legal: Escrever um post para o blog Coisa de pai. O tema?? “Coisa de pai”.

COISA DE PAI

Coisa de pai é participar da gravidez desde o início! É engordar, passar mal e morrer de sono durante os nove meses junto com a grávida. É atender aos desejos da futura mamãe pra o bebê não nascer com cara de X.

Lembro que tive desejo de ovos mexidos as 2 da manhã. Mas nós estávamos sem UM ovo na geladeira… Adivinha quem foi comprar?

COISA DE PAI 2

Coisa de pai é, apesar da falta de prática, dar uma folguinha pra nós mamães, (quase) sempre com um sorriso no rosto =D

COISA DE PAI 1

É não ter o menor senso de moda…

COISA DE PAI 5

Pôr lacinho na filha? Vestir a criançada com roupa que combine? Isso é coisa de mãe.

Quer continuar lendo? Clique aqui!

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Hora de Jantar

Lembro de quando meu filho começou a comer sopinhas e papinhas, quando tinha apenas meses. Era tudo uma beleza!

A gente dava batata, ele comia. Dava abobrinha, ele comia. Cenoura? Xuxu? Ervilha? Mandioca? Comia. Abóbora? Chuchu? Espinafre? Beterraba? Comia, feliz. Comia de tudo.

Lembro que eu pensava “que sortuda que sou! Meu filho é tão fácil pra comer!”

Hoje, 4 anos depois, a vida não anda tão fácil assim.

Não sei quando foi que isso aconteceu, mas hoje ele é muito seletivo pra comida. Por exemplo, faz mais de seis meses que ele decidiu que não come feijão. Não adianta, não come.

Legumes? Só batata. A cenoura só se for crua e bem raladinha. Saladas tipo pepino, tomate, milho, palmito, ele até que come bem. Mas com muita paciência e criatividade. Ultimamente só tem comido se for com prato de carinha.

Haja criatividade pra fazer prato de carinha TODOS os dias.

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Dá trabalho, mas funciona.

Outras técnicas que funcionaram bem comigo:

Técnica “aviãozinho”

Clássica. Dispensa comentários.

Aqui em casa começou com o vrum vrum básico. Eu fazendo movimentos rebuscados com a colher, indo pra cima e pra baixo. Aquela coisa toda.

Mas depois de anos de vrum vrum, o nosso aviãozinho já se tornou mais elaborado:

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Com direito a voz de aeromoça, sons de campainha e tudo.

Técnica “Não deixa o passarinho comer”

Uma vez contei pra meus filhos que existe um passarinho que gosta de comer toda a comida das crianças, então eles tem que comer logo pro passarinho não pegar.

Então eu deixo uma colherzinha preparada no prato dele, dizendo:

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Gargalhadas e colheradas garantidas!!!

Técnica “Adivinha o que eu vou pôr na sua colher

Digamos que você tenha colocado 5 alimentos no prato do seu filho. Arroz, lentilha, carne, batata e tomate.

Então essa tática consiste em fazer diferentes combinações para ele adivinhar o que está comendo.

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Faz tempo que não faço, mas ele adora.

Tática “Liga o dane-se e seja feliz”

Essa é para os dias que eles não estão afim de comer nada, e que eu já cansei de fazer malabarismos dramatizações e cambalhotas pra eles comerem.

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Afinal, ninguém vai morrer de fome.