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Tinha o Pete e o Repete, o Pete morreu

Vocês lembram da piada do Pete e do Repete?

Quando eu tinha uns 5, 6 anos, era febre na escola. Todas as crianças viviam contando umas pras outras. Era assim:

CRIANÇA 1: Tinha dois cachorrinhos, o Pete e o Repete. O Pete morreu, quem sobrou?

CRIANÇA 2: O Repete!!!

CRIANÇA 1: Aaaai você quer que eu repita??? Tá bom.. Tinha o Pete e o Repete..

Então essa era a piada. Ficar repetindo múltiplas vezes até cansar (o que demorava bastante pra acontecer). E a gente achava hilário, morria de rir. Chegava em casa e contava pro pai, pra mãe, pra todo mundo que quisesse ouvir.

Bom, quase vinte anos depois essa piadinha dos dois cachorrinhos voltou a fazer parte da minha vida. Aliás, do meu dia INTEIRO. Não sei quem ensinou para meu filho, mas ele adorou.

Tudo começou ontem de manhã. Ele chegou para mim enquanto eu me vestia e anunciou que ia contar uma piada.

Fiquei super empolgada, afinal, ele nunca tinha contado piada antes. As poucas vezes que tentamos contar uma piada para ele, ele não tinha entendido.

Então ele contou uma vez e eu achei muito fofo e engraçadinho!

pete repete 3

Ah, que legal!! Meu filho tão grande, já contando a piada do Pete e o Repete…

Então ele repetiu a piada uma vez e morreu de rir. Depois repetiu uma segunda vez, e novamente morreu de rir.

Aí não teve mais fim.

Ele continuou contando a piada ininterruptamente durante a manhã. E eu fui respondendo REPETE pacientemente, me sentindo A boa mãe que ouve o seu filho com toda atenção durante horas e horas.

pete repete 8

Mas aí teve uma hora eu cansei. Tipo, deu.

E então desencanei da parte da boa-mãe-que-ouve-o-filho. Desisti. Parei de responder REPETE.

Mas de nada adiantou. Ele continuou firme e forte contando a piada, e agora incluindo pequenos detalhes na história.

pete repete 7

Bom, pelo menos é criativo né?

Aí ele inventou a versão internacional da piada.

A versão Pete e Repete viajantes.

pete repete 5

E então, quando eu achava que aquela conversa toda não teria mais fim, ele de repente se distraiu e parou.

Assim, não mais que de repente.

Ufa.

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A ida ao primeiro dia no berçário

Segunda feira passada foi o primeiro dia da minha filha no berçário.

O mais animado com a novidade era o meu filho. Quando eu contei pra ele que a irmãzinha teria o seu primeiro dia de aula, ele veio correndo todo orgulhoso trazendo sua mochila antiga do Barney (porque esse ano ele ganhou uma nova de presente da avó).

FILHO: Vou emprestar a mochilinha do Barney pra ela, tá bom mãe?

A mochila é praticamente do tamanho dela. Mas ela não se importou muito com isso.

bercario2

Preparamos a mochila com a troca de roupa, escova de dentes, casaco, copo de suco, fraldas… Meu filho também quis ajudar, ele trouxe vários de seus brinquedos favoritos, afinal, “ela pode ficar com vontade de brincar de lego” ou para o caso de “ela ficar com vontade de pôr a máscara do batman”.

Ele estava realmente empolgado.

Bom, o esperado dia chegou. Descemos até o carro. Eu, as duas mochilas de rodinhas, minha bolsa, e as duas crianças, cada uma com seu potinho de sucrilhos. Uma cena que seria trágica se não fosse cômica (mas isso é assunto pra outro post…)

Prendi um na cadeirinha, prendi o outro na cadeirinha, coloquei as mochilas no banco do carona, e lá fomos nós.

EU: Filho, a sua irmã nunca foi na escola. Vai ser o primeiro dia dela. Você não quer dar umas dicas, explicar um pouco como funciona…?

Eu estava esperando que ele contasse um pouco sobre o dia a dia dele na escola. Sei lá, que falasse para ela que ela iria brincar, iria pintar, conhecer amiguinhos novos, cantar, aprender várias coisas diferentes…

Mas eis o que ele diz:

bercario 1

Hm.. não era bem o que eu esperava, mas… ok. É justo. Ela vai realmente tomar lanche e almoçar por lá.

Continuamos o caminho até a escola com o meu filho tagarelando sobre coisas aleatórias (“olha mãe aquela torre que alta!!“, “Mãe você viu aquele passarinho que passou aqui do lado?, “O Pedro* da minha classe tá com febre e faltou na escola.“, “Quem achar um carro vermelho primeiro ganha, ACHEEI!!!!“). E ouvindo a música do trem maluco (mãe, de novo o trem maluco. Agora de novo. E de novo. É a moda do momento, repetir 593847 vezes a mesma música)

Aí, primeira parada: escola do meu filho. Tiro-o de sua cadeirinha, separo sua mochila, dou um beijo de despedida e falo:

EU: Dá tchau pra sua irmã, filho! Fala boa aula pra ela!

FILHO: Tchau irmazinha! Boa aula.

Ele já estava entrando no portão quando olha pra trás e grita sua última recomendação (que na verdade é uma ameaça):

bercario3

E com isso, se vira e entra na escola, saltitando com sua mochila de rodinhas.

Bom, não deixa de ser um bom conselho, né? Afinal, ninguém quer se meter em briga logo no primeiro dia…

(Fim da parte 1)

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* os nomes foram alterados para a preservar a identidade dos menores de idade.

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Cortando a unha (ou tentando cortar)

Lembro dos primeiros dias dos meus filhos em casa, depois de chegarmos da maternidade. Lindos, fofos, indefesos, e com aquelas unhas do tamanho de um grão de gergilim.

Dava medo só de pensar em cortar.

Logo percebi que as unhas dos recém nascidos cresciam super rápido. E que nessa fase da vida, a coordenação deles ainda não era das melhores. Se eu demorasse um dia a mais do que deveria para cortar suas unhas, eles arranhavam simplesmente todo o rosto.

Aí dava até vergonha de sair na rua, porque eles ficavam assim:

unha 5

Fala sério…

Bom, aí os meses passaram e hoje em dia minha bebê já não se arranha mais.

Mas ela também não ajuda muito na hora de cortar a unha…

unha 4

Porque bebês dessa idade não param quietos nem por 30 segundos.

Depois de uma certa idade, a gente acha que vai ficar mais fácil né? Que já com seus dois, três aninhos eles vão deixar você cortar as unhas deles calmamente, contando sobre o seu dia de escola…

Que nada. Meu filho pelo menos ODEIA cortar unha.

A gente tem que fazer em prestações:

FILHO: Mãe, essa mão hoje e a outra amanhã tá?

EU: Tá, o que você quiser. Só pelo amor de D’us deixa eu cortar essas unhas.

E quando eu tenho que cortar a unha do pé… é um desespero.

Parece que a gente está espancando o menino, de tão altos e sofridos que são os berros dele.UNHA 3

Ainda bem que unha do pé demora mais pra crescer…

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Pós post:

MARIDO: Ei, não é justo isso…

EU: O quê??

MARIDO: Você tem que falar para os leitores a verdade!! Há quanto tempo que você não corta as unhas das crianças????

EU: Hm.. é, tem razão. Então vou colocar “a verdade” como um acréscimo no final do post, pode ser?

MARIDO: Tá bom. Melhor. Quero meu mérito!!!

ADENDO DO FIM DO POST: Preciso confessar que hoje em dia eu não corto mais as unhas das crianças. De um mês pra cá isso se tornou uma tarefa do pai, oba!!

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A mentira cresce…

Perto da nossa casa tem uma pracinha gostosa, com árvores, bancos e uma vendinha de água de coco. Nessa manhã de domingo, eu iria até lá com as crianças. Meu marido, que tinha que terminar umas coisas de trabalho, nos encontraria ali mais tarde.

Mas acabou que saímos, tomamos coco, brincamos, vimos os cachorrinhos… já era hora de ir embora, e o papai acabou não aparecendo.

Então, meu filho, indignado:

mentira 111

Ai meu D’us. Eu mereço…

EU (pacientemente): Filho, ele não mentiu, deve ser que ele ficou ocupado com as coisas de trabalho e não conseguiu vir. Agora a gente fala com ele em casa.

FILHO (com tom de voz acusador): Não é… ELE FALOU MENTIRA!!

Ele estava tão decidido sobre o assunto que eu simplesmente desisti. Chegando em casa ele esqueceria. Ou perguntaria pro pai.

Porém, depois de andar por mais alguns minutos…

FILHO (já mais calmo): Mãe, sabe que quando você fala mentira, a mentira cresce, cresce, cresce, cresce.

Hm. Muito interessante essa observação. Da onde será que ele tirou?

EU: É mesmo?? E quem te contou isso?

mentira 3

Ah, é. Um livro sobre ‘como é feio mentir que eu comprei pra ele depois que ele começou a falar que ‘foi no parque da Xuxa ontem’ (quando ontem na verdade ele tinha ido na escola) e que ‘comeu tudo que tinha no prato’ (quando na verdade a comida estava intacta. E bem na minha frente, que descarado!)

Faz uns três meses que eu não vejo o livro, desde antes de nos mudarmos de apartamento. É um livrinho fofo, sobre dois irmãos ursinhos que estavam jogando bola na sala e quebraram o vaso da mãe. Aí eles inventaram que quem quebrou o vaso foi um passarinho que passava por ali.

O livro explica que, quando você conta uma mentira, a mentira CRESCE, CRESCE E CRESCE (metaforicamente, é claro).

Eu já estava toda orgulhosa por ele ter captado o conceito do livro tão rápido, depois de ler apenas duas ou três vezes. Que esperto meu meninão!!

E então, ele vira para mim com seus olhinhos cheios de preocupação e anuncia:

MENTIRA 2Hmm…

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Quando eu chamo o elevador…

Hoje eu tive a infelicidade de violar a lei número 728-b do código da maternidade.

JAMAIS APERTARÁ BOTÕES DE ELEVADORES NA PRESENÇA DE VOSSOS FILHOS

Porque são sempre eles que tem que apertar. E ai de você se você esquece.

Principalmente se eles estão naqueles dias mais birrentos…

elevador

É só aqui em casa ou aí também rola?

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Comendo em aniversários

Festinha de criança é uma delícia…

É como se fosse um dia da semana especial, onde podemos fugir um pouquinho da rotina e além de tudo comer salgadinhos e doces gostosos.

Tem coisa melhor?

Bom, como todas as crianças dessa idade, meu filho adora guloseimas. Na verdade acho que é a parte da festa que ele mais gosta. Se você pergunta pra ele como foi o aniversário ele vai responder:

niver3

Típico…

Desde que começou a andar, sempre que chega na festa seus pézinhos o levam diretamente para a mesa de doces. Lembro de uma vez em que ele tirou todas as cerejinhas dos cupcakes.

Foi super legal.

feliz niver 2

Aí, com o passar do tempo, ele foi entendendo que não pode ficar mexendo em todos os docinhos, que se mexe em algum tem que comer, e principalmente, que doce demais dá cárie.

E dá dor de barriga. Atrapalha o sono… (aliás, sempre que ele vem com qualquer reclamação desconexa eu falo que é porque comeu muito doce.)

doce dedo

Semana passada tivemos uma festinha. Antes de entrarmos, combinei com ele de não comer muita besteira.

EU: tenta não exagerar tá filho? Come primeiro as pizzinhas e pães de queijo. Depois você vai olhar a mesa de doces. Ok?

Ele já entendeu o esquema. Salgados pode à vontade, são sempre preferíveis aos docinhos.

Mas dessa vez ele quis inovar. Minutos depois de cumprimentarmos o aniversariante, ele me apareceu avisando:

gelatina

Hm… não sei se SUPER saudável. Mas já é um progresso, né? Aliás, quem será que ensinou essa palavra pra ele, hein… “saudável”?

2

Abracadabra

A nova do meu filho é.. fazer mágica!!

Tudo começou porque em alguma festinha da escola teve um show de mágica. Ele ficou dias falando sobre o tal show e então virou moda aqui em casa ele apresentar seus dons pra gente.

É mais ou menos assim:

magica 1

Obedientes, fechamos os olhos e aguardamos o grande truque enquanto ouvimos seus passinhos apressados se movendo para longe.

magica 2

Aí, ele magicamente esconde o patinho atrás do criado mudo.

(Ou de uma almofada. Ou do sofá. Depende do que estiver mais perto)

magica 3

E por fim ele volta correndo, exultante. Todo orgulhoso de si mesmo.

magica 5

Meu David Copperfield.

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A cama que virou barco

Meu filho inventou uma nova brincadeira que ele adora. Chama-se “Vamos-fingir-que-sua-cama-é-um-barco”, e ele brinca todo dia. Várias vezes por dia.

Hoje o jogo começou cedo.

cama barco 1

EU: (de novo??) Tá bom, vamos filho.

Nessa hora ele escala minha cama com toda a urgência e desespero. Como se sua vida dependesse disso e ele realmente fosse se afogar se continuasse no chão.

Aí ele começa a pegar TUDO o que está espalhado pelo quarto e pôr em cima da minha cama.

CAMA BARCO 6

Até o chinelo, o peso de porta, a lixeira vazia…

FILHO: AI NÃÃÃOOO!!!! Meu livro do Batman!!!! Vou pegar!

E aí vem o livro do batman, o livro da mamãe, as revistas velhas, os brinquedos que ficaram espalhados no meu quarto ontem a noite…

Quando dou por mim, minha cama está assim:

barco 3

EU: Agora chega de coisas filho, o barco já está muito cheio. Deixa o chinelo do papai aí no chão.

Então minha filha, que estava há dez minutos remexendo nos armários e gavetas do banheiro, aparece.

cama barco 4

Não posso deixar minha filha se afogando no mar né? Acabo pegando-a e acomodando-a em nossa embarcação.

E aí velejamos, comemos, matamos os tubarões.

Depois cansamos (eu bem mais rápido que eles…)

E então, quando eu finalmente acho que é hora do descanso, eles me aparecem com a próxima super-brincadeira.

BARCO7

Haja energia.