5

O bisavô de 90 anos

Meus filhos tem um bisavô de noventa anos. É o meu avô por parte de mãe.

Ele é daqueles vovôs de bem com a vida, tranquilos e cheios de saúde, sabem? Galanteadores, que estão com tudo em cima. Sabem apreciar a beleza feminina e ainda cantam as mulheres na rua. Ir ao shopping ou a farmácia com ele é sempre interessante, ele sempre encontra alguma vendedora bonita ou transeunte charmosa a quem possa cortejar, e eu me sinto de volta às décadas passadas, onde homens ainda faziam mesuras e saudavam mulheres.

Esse é o meu avô.

Bom, então este galanteador conversando com a minha filha de quatro anos:

BISA: Você é tão bonita!

FILHA: Eu sei bisa

Que bom que ela se tem em alta conta né? Auto estima vai bem, obrigada.

BISA: Quer casar comigo?

 

Decidida a menina.

BISA: Por que não?

E com toda sabedoria e sinceridade que só as crianças de 4 anos tem, respondeu:

FILHA: Porque quando eu for uma mocinha que nem minha mãe (mocinha, eu? Obrigada!!) você vai morrer. E eu vou ficar sozinha.

Então tá.

________________________________________________

Para quem está se perguntando a reação do meu avô, ele não ficou chateado, muito pelo contrário, deu muita risada da situação toda. Não é todo dia que um pedido de casamento é recusado com tanta fofura e sinceridade!! 

0

O tal do parto

Toda grávida tem um certo receio do parto. Não tem jeito, dá medo. O que entrou na gente menor do que um grão de areia  vai sair com mais ou menos cinquenta centímetros e pesando três quilos. Fala sério, é pra dar medo em qualquer um, né? E uma das maiores dúvidas das gestantes é: como saber que é hora de ir pro hospital? No último mês cada dia é possível. Será que vai ser no sacolão, no cinema, na festa de uma amiga?

Imaginamos a cena básica: no meio da noite, a gente com dor, acorda nosso parceiro. “Amor acho que vai nascer!!!” Aí ele dá a mão pra gente, com todo o carinho, e iniciamos juntos a contagem das contrações no relógio, calmamente.

Ou a gente imagina que vai ser pega de surpresa. Numa consulta simples de nono mês, você ainda está de 37 semanas, e o médico te examina e fala “Querida, você está super dilatada! Vai nascer hoje a noite.”

Podemos ser mais dramáticas e achar que a nossa bolsa vai estourar em um lugar público. Que grávida nunca pensou nisso? A bolsa rompendo no meio do supermercado, a gente ficando toda molhada. E as pessoas correndo ao nosso auxílio, gritando “Vai nascer!! Vai nascer!!!!” Algum engraçadinho já com o iPhone em mãos filmando a cena toda, esperando que nos deitemos no chão e que demos à luz ali, entre os frios e os enlatados.

Gente, não é bem assim. Parto DEMORA. Salvo algumas exceções, grande parte do trabalho de parto consiste em esperar. Esperar a dilatação completar, esperar o anestesista chegar, esperar o bebê descer. É uma longa espera.

Bom, decidido que é hora de ir pro hospital, vem toda aquela emoção, ligamos para os familiares e vamos correndo para o carro (se você resolver ir de taxi como eu, tem que entrar fazendo cara de paisagem, senão ele não te leva, com medo que você dê a luz no banco de trás). A entrada e saída do carro é um trampo com todas as malas – a sua, a do bebê, a do pai, a das lembrancinhas, a dos docinhos e o tal do quadro da maternidade que ficamos meses planejando. Parece que vamos sair de férias por um mês.

Chegando no hospital a ansiedade bate forte. Será que vou conseguir fazer parto normal? Será que minha cesária vai dar certo? Será que vai demorar ou vai ser rapidinho? Eu quando cheguei no hospital achei que iam me tirar do carro numa maca, me levar correndo pra sala de parto, uma gritaria tipo E.R. Mas não, tudo correu muito calmamente. Cheguei, esperei, meu marido preencheu o protocolo, fizeram a triagem para confirmar que eu de fato estava em trabalho de parto (aparentemente meus gritos não foram suficientes). E tudo isso sem nada de pressa, no maior bate papo animado. Aí, constatado que realmente era hora de nascer, me colocaram numa cadeira de rodas (finalmente !!!) e me levaram até a sala.

Me vestiram num aventalzinho branco, colocaram uns tubinhos na minha veia, mediram minha pressão e falaram “agora espera”. E fiquei lá, meio esquecida. Morrendo de dor, xingando quem aparecesse na minha frente, e todo mundo em volta agindo normalmente, realizando suas funções do dia a dia. Era um entra e sai de enfermeiras na sala, trazendo coisa, levando coisa, conversando sobre a festa da semana que vem e sobre o placar do jogo do Corinthians. E eu lá, naquela situação.

Quando eu achava que aquilo não ia acabar nunca, que a dor ia durar para sempre, chegou meu anestesista, santo doutor Eduardo. E pronto, em quinze minutos o mundo se tornou um lugar mais bonito. De repente eu percebi que na verdade meu marido era um fofo de estar la do meu lado me dando a mão – e não mais um canalha idiota e culpado por toda a dor que eu estava sentindo. Até as enfermeiras de repente pareceram mais simpáticas e solícitas. O mundo voltou a ser um lugar civilizado. Fiz piadinhas para a câmera de video e reparei em como a sala de parto era muito mais aconchegante e charmosa do que eu imaginava quando tudo começou.

Passada a fase ESPERA, chegou a hora de nascer. E de repente todos os presentes na sala se posicionaram numa plateia organizada: o pediatra, o ajudante do pediatra, as enfermeiras, o seu médico, o assistente do seu médico, o anestesista, e mais um enfermeiro que estava de passagem pra sua hora de almoço, ouviu a confusão e resolveu entrar. Aquela bagunça toda: faz força, mais força, mais um pouco de força. Nasceu?? Nasceu!!! Tira o bebê, dá pro pediatra, cuida da mãe. E depois de se certificarem de que está tudo bem, pesarem e medirem a criança, me ofereceram o meu pequeno e lindo prêmio: um embrulho minúsculo de touquinha na cabeça, parecendo um joelhinho amassado, que era a cara do pai.

Bom, aí eu aprendi algumas lições. Que as dores do parto e do pós parto não tem nada de romântico. Que as contrações são de morrer, a cicatrização é complicada, o peito parece que vai explodir com a descida do leite. Que você fica pálida, andando que nem uma pata, e ainda tem que sorrir e se arrumar para as visitas que vem pra te parabenizar. Mas faz parte do pacote, e rola uma pressão para sair do parto linda, magra e recuperada – não rola?? Aprendi que cada mulher é uma mulher, e que cada parto é um parto. (Conheço gente que não sente nada de dor, gente que grita até não poder mais. Tenho uma amiga que não percebeu que estava em trabalho de parto e deu a luz em casa. Uma que ficou treze horas internada esperando a dilatação completar até nascer. Outra que fez cesárea marcada. Uma que a bolsa estourou no meio da noite enquanto ela dormia. Outra que depois de passar da data, foi para indução. Tem uma conhecida minha que deu a luz no carro – afinal seu bebê resolveu nascer as seis e meia da tarde de uma sexta feira chuvosa em plena Avenida Rebouças).

Mas acima de tudo aprendi que mesmo que você jure com todas as suas forças que nunca mais vai passar por essa agonia de novo e que considere loucas todas as mulheres que vão para o segundo filho, depois de uns meses você esquece de toda a dor e desespero – e aí fica pronta para ter o seu próximo pacotinho.

Dessa vez rosa, quem sabe?

1

Presente de dia dos Pais

Semana passada, véspera de dia dos pais. Sento com os meus filhos para discutir as possíveis opções para o presente desse ano. O que podemos dar? Um sapato? Não.. Um pijama? Já dei ano passado. Um casaco?

Hm. Parece uma ótima ideia, já que eu perdi o casaco que ele adora nas férias de julho. (Não perguntem como. Simplesmente perdi!! Mãe carregada de coisas, um avião lotado, filhos inquietos… enfim. A história fica pra outro post…)

dia dos pais 142

EU: Eu sei que ele tem casaco. Mas eu perdi um casaco dele esse mês e …

FILHO: Ah mãe, não precisa comprar nada. Eu já estou fazendo um presente na escola.

Ah sim. O presente da escola. Esqueci.

EU: Ah é? E o que é o presente?

FILHO: É um copo. Pra tomar café da manhã.

EU: Que bacana filho. E como você tá fazendo ele? Pintando?

FILHO: Sim. Com tinta. É uma sequencia de listras verde- azul – amarela- vermelha

dia dos pais 143

EU: Juntos, filho?

FILHO: Sim! Ele vai gostar. Eu também fiz um cartão de camisa com um monte de corações.

De repente me passa pela cabeça: não posso ensinar meu filho a ser consumista né? Se ele quer dar o presente feito a mão, vamos dar o tal presente feito a mão.

Então esse ano o presente de dia dos pais foi um copo. Ou melhor, uma linda caneca de porcelana pintada a mão. Com um cartão de camisa. E também brigadeiros. E desenhos de “melhor pai do mundo” impressos do google e coloridos pelas crianças.

dia dos pais 145

E é claro, muitos beijos e abraços! E querem saber? Ele adorou. As vezes menos é mais.

(Mas não desisti do casaco. Só adiei um pouco..)

E você? O que ganhou de dia dos pais?

2

Dormir na casa da vovó

Esse é um post sobre uma conversa que eu tive com o meu filho um dia antes de me mudar. (Como eu mencionei aqui, eu mudei de apartamento!! Eba!)

Para quem já se mudou, sabe como é um caos o processo todo. As caixas empilhadas, os móveis desmontados, a gente não encontrando nada em lugar nenhum… Bom, eu estava na ‘casa velha’, nessa vibe de organizar tudo, encaixotar tudo, o maior estresse, quando tive que sair para buscar meu filho na escolinha.

Estávamos andando na rua, ele usando os seus novos óculos escuros que ganhou de presente e se achando O superstar, quando vira para mim e pergunta:

dormivo1

Hm. Seria bem conveniente pra mim, afinal estava tudo encaixotado e a cama dele estava cheia de roupas dobradas.

EU: Tá bom filho. Pode dormir lá hoje.

E não esqueci do adendo que sempre faço quando ele vai dormir na casa da avó.

dormivo2

Tradução: ele vai chegar na casa dela e ficar na frente da TV até a hora de dormir, comendo pipoca doce, pirulito e chocolate.

(Ok. Já me acostumei com o fato. Fazer o quê? Minha mãe leva ele para escola toda manhã, porque é caminho dela, então eu acabo aceitando essas estragações de neto.)

Bom, aí ele pensa mais um pouco e fala:

ELE: Mãe eu acho que é melhor eu dormir na casa da vovó todos os dias. Porque aí de manhã, quando eu acordo, eu já to lá. É mais fácil pra ir pra escola.

Fiquei dividida entre rir da lógica dele e me ofender diante do seu enorme descaso para com nossa família e nossa casa.

EU: Mas filho… e sua caminha no seu quarto novo que a mamãe tá preparando com tanto carinho?? Quem vai dormir lá??

Ahá. Quero ver ele responder essa agora.

Percebo que ele ficou pensativo com meu apelo, até tirou o óculos para responder.

dormivo3

Então tá…

Ainda bem que ele gostou! =)