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O tal do parto

Toda grávida tem um certo receio do parto. Não tem jeito, dá medo. O que entrou na gente menor do que um grão de areia  vai sair com mais ou menos cinquenta centímetros e pesando três quilos. Fala sério, é pra dar medo em qualquer um, né? E uma das maiores dúvidas das gestantes é: como saber que é hora de ir pro hospital? No último mês cada dia é possível. Será que vai ser no sacolão, no cinema, na festa de uma amiga?

Imaginamos a cena básica: no meio da noite, a gente com dor, acorda nosso parceiro. “Amor acho que vai nascer!!!” Aí ele dá a mão pra gente, com todo o carinho, e iniciamos juntos a contagem das contrações no relógio, calmamente.

Ou a gente imagina que vai ser pega de surpresa. Numa consulta simples de nono mês, você ainda está de 37 semanas, e o médico te examina e fala “Querida, você está super dilatada! Vai nascer hoje a noite.”

Podemos ser mais dramáticas e achar que a nossa bolsa vai estourar em um lugar público. Que grávida nunca pensou nisso? A bolsa rompendo no meio do supermercado, a gente ficando toda molhada. E as pessoas correndo ao nosso auxílio, gritando “Vai nascer!! Vai nascer!!!!” Algum engraçadinho já com o iPhone em mãos filmando a cena toda, esperando que nos deitemos no chão e que demos à luz ali, entre os frios e os enlatados.

Gente, não é bem assim. Parto DEMORA. Salvo algumas exceções, grande parte do trabalho de parto consiste em esperar. Esperar a dilatação completar, esperar o anestesista chegar, esperar o bebê descer. É uma longa espera.

Bom, decidido que é hora de ir pro hospital, vem toda aquela emoção, ligamos para os familiares e vamos correndo para o carro (se você resolver ir de taxi como eu, tem que entrar fazendo cara de paisagem, senão ele não te leva, com medo que você dê a luz no banco de trás). A entrada e saída do carro é um trampo com todas as malas – a sua, a do bebê, a do pai, a das lembrancinhas, a dos docinhos e o tal do quadro da maternidade que ficamos meses planejando. Parece que vamos sair de férias por um mês.

Chegando no hospital a ansiedade bate forte. Será que vou conseguir fazer parto normal? Será que minha cesária vai dar certo? Será que vai demorar ou vai ser rapidinho? Eu quando cheguei no hospital achei que iam me tirar do carro numa maca, me levar correndo pra sala de parto, uma gritaria tipo E.R. Mas não, tudo correu muito calmamente. Cheguei, esperei, meu marido preencheu o protocolo, fizeram a triagem para confirmar que eu de fato estava em trabalho de parto (aparentemente meus gritos não foram suficientes). E tudo isso sem nada de pressa, no maior bate papo animado. Aí, constatado que realmente era hora de nascer, me colocaram numa cadeira de rodas (finalmente !!!) e me levaram até a sala.

Me vestiram num aventalzinho branco, colocaram uns tubinhos na minha veia, mediram minha pressão e falaram “agora espera”. E fiquei lá, meio esquecida. Morrendo de dor, xingando quem aparecesse na minha frente, e todo mundo em volta agindo normalmente, realizando suas funções do dia a dia. Era um entra e sai de enfermeiras na sala, trazendo coisa, levando coisa, conversando sobre a festa da semana que vem e sobre o placar do jogo do Corinthians. E eu lá, naquela situação.

Quando eu achava que aquilo não ia acabar nunca, que a dor ia durar para sempre, chegou meu anestesista, santo doutor Eduardo. E pronto, em quinze minutos o mundo se tornou um lugar mais bonito. De repente eu percebi que na verdade meu marido era um fofo de estar la do meu lado me dando a mão – e não mais um canalha idiota e culpado por toda a dor que eu estava sentindo. Até as enfermeiras de repente pareceram mais simpáticas e solícitas. O mundo voltou a ser um lugar civilizado. Fiz piadinhas para a câmera de video e reparei em como a sala de parto era muito mais aconchegante e charmosa do que eu imaginava quando tudo começou.

Passada a fase ESPERA, chegou a hora de nascer. E de repente todos os presentes na sala se posicionaram numa plateia organizada: o pediatra, o ajudante do pediatra, as enfermeiras, o seu médico, o assistente do seu médico, o anestesista, e mais um enfermeiro que estava de passagem pra sua hora de almoço, ouviu a confusão e resolveu entrar. Aquela bagunça toda: faz força, mais força, mais um pouco de força. Nasceu?? Nasceu!!! Tira o bebê, dá pro pediatra, cuida da mãe. E depois de se certificarem de que está tudo bem, pesarem e medirem a criança, me ofereceram o meu pequeno e lindo prêmio: um embrulho minúsculo de touquinha na cabeça, parecendo um joelhinho amassado, que era a cara do pai.

Bom, aí eu aprendi algumas lições. Que as dores do parto e do pós parto não tem nada de romântico. Que as contrações são de morrer, a cicatrização é complicada, o peito parece que vai explodir com a descida do leite. Que você fica pálida, andando que nem uma pata, e ainda tem que sorrir e se arrumar para as visitas que vem pra te parabenizar. Mas faz parte do pacote, e rola uma pressão para sair do parto linda, magra e recuperada – não rola?? Aprendi que cada mulher é uma mulher, e que cada parto é um parto. (Conheço gente que não sente nada de dor, gente que grita até não poder mais. Tenho uma amiga que não percebeu que estava em trabalho de parto e deu a luz em casa. Uma que ficou treze horas internada esperando a dilatação completar até nascer. Outra que fez cesárea marcada. Uma que a bolsa estourou no meio da noite enquanto ela dormia. Outra que depois de passar da data, foi para indução. Tem uma conhecida minha que deu a luz no carro – afinal seu bebê resolveu nascer as seis e meia da tarde de uma sexta feira chuvosa em plena Avenida Rebouças).

Mas acima de tudo aprendi que mesmo que você jure com todas as suas forças que nunca mais vai passar por essa agonia de novo e que considere loucas todas as mulheres que vão para o segundo filho, depois de uns meses você esquece de toda a dor e desespero – e aí fica pronta para ter o seu próximo pacotinho.

Dessa vez rosa, quem sabe?

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Novidades!

Queridos leitores,

É com imenso prazer que comunico o nascimento de nossa terceira filha!! Agora somos uma família de cinco integrantes..

Eu sei, eu sei, nem postei que estava grávida. Nem avisei ninguém. Que falta de consideração da minha parte.. É que a vida já tava bem louca com minhas duas crias, aí a terceira gravidez passa meio “desapercebida” sabe?

É assim que funciona, a primeira gravidez você está tão animada que conta pra todo mundo! Ah que maravilha! A gente corre ligar pra mãe, pra sogra, pra tia, pros amigos do trabalho, pro vizinho. Faz a festa. Até o seu porteiro sabe que você está grávida (antes da barriga sequer dar as caras)

Tudo é lindo. Dá até pra sentir aquela minúscula sementinha florescendo no seu útero. A gente sai pra comprar roupa de grávida, mesmo que a barriga não aumentou um mílimetro ainda. E fica se admirando no espelho com aquela barriga falsa que a vendedora te ofereceu. “Você vai ficar liiiinda de barriga!!”. Gente, grávida é que nem noiva. Já viu grávida feia? Não. Você já viu grávida meio inchada. Grávida meio pálida, grávida meio acima do peso. Agora, grávida feia, não.

Bom aí chegam os enjôos. Não só os matinais, como os vespertinos e noturnos também. Aliás nem sei porque deram o nome de enjôo matinal. É só sentir o cheiro de qualquer coisa que já sobe aquela ânsia, não importa a hora do dia. E não passa tão rápido, não. Fica aí no mínimo uns três meses até ir embora. E no primeiro filho, é aquela coisa:

No terceiro filho não tem isso, não. É tipo “aguenta aí, amiga, que daqui a pouco as crianças dormem e você pode deitar e passar mal a vontade”

E os hormônios? Pense numa TPM brava. Agora imagine ela se alastrando por semanas. Antes do café da manhã, eu já tinha sentido frio, calor, ódio mortal, fome e enjôo. Isso que não são nem 9 horas da manhã. A gente fica sensível, a flor da pele. A mistura é tão louca que o meu santíssimo marido que se cuidasse, afinal era TUDO culpa dele eu estar naquele estado!! A gente ama, odeia, quer abraçar bater, tudo ao mesmo tempo. Meu marido, coitado, toda noite fazia uma prece no elevador antes de entrar em casa.

No terceiro filho você se contém mais, precisa estar mais equilibrada, afinal, tem outros dois pra dar conta em casa – que já estão suficientemente sensíveis com a notícia da gravidez.

Aí o tempo vai passando e a gente começa a contar tudo em semanas. Eu tô de 19 semanas. O aniversário da minha mãe é daqui a 9 semanas e meia. A festa da empresa foi há 7 semanas. Fulana tá de 32 semanas e nem parece que tá grávida. Aí sentimos o primeiro chute. Que delícia!! Todo mundo quer sentir. A mãe, sogra, até o seu chefe. “Esse aí vai ser jogador de futebol!!” falam os papais, todo orgulhosos. E sempre, SEMPRE que alguém põe a mão para sentir, o bebê pára de se mexer.

Aliás quando a barriga aparece ela vira pública né? O pessoal no meio da rua já chega chegando, ‘ai que coisa linda! Para quando você ta?’ e posiciona a mão na sua barriga. E se você é do tipo mais tímida ou faz cara feia você se torna A grávida estúpida.

Os meses vão passando e a gente já se cadastrou em todos os sites de bebê possíveis, já comprou vários livros sobre gravidez, está por dentro de tudo o que pode ou não esperar quando você está esperando. E de repente começa a usar um monte de termos médicos e está super antenada em medicina fetal. Falamos sobre como o bebê está grande, ou sobre como a placenta baixou, ou sobre o fluxo do cordão e o nível do líquido amniótico. E se a gente encontra outra grávida, mesmo que desconhecida (seja na rua, no shopping, na sala de espera) rola aquele olhar de compreensão, tipo “nós duas nos entendemos, estamos carregando um ser dentro de nós”. E se iniciamos uma conversa, ninguém segura mais: “De quanto tempo você está?” Começamos falando sobre as tais das semanas, o sexo do bebê e por aí vamos. Falamos sobre a decoração do quarto. Sobre possíveis nomes. Sobre como está a sua alimentação ‘equilibrada’, tomando 4 litros de água por dia como mandam os livros.

Perto do final da gravidez a gente está que não se aguenta mais. Aquela sementinha minúscula te transformou num balão. Suas costas estão acabadas – eu pelo menos me sentia uma idosa de 105 anos andando. Sabe aquelas roupas de grávida que você tão empolgada comprou há alguns meses? Você não agüenta mais olhar pra elas. O calor é de matar. Você faz em média 30 xixis por dia. Os chutes que antes eram pequenas tremidinhas meigas se tornam verdadeiros terremotos. Você está há dias sem dormir, afinal não tem posição por causa da barriga. Cansada, com dores pelo corpo, e esperando o bebê resolver dar o ar de sua graça – (no caso de um parto normal). Uma lista infindável de reclamações. E os conhecidos não dão trégua. Falta ainda duas semanas para a data, o pessoal já começa: “Esse bebê não tá querendo sair né??” “Deve ser porque tá frio aqui fora, ele tá curtindo ficar no quentinho he-he”.

Bom, mas na terceira você já está mais preparada pra tudo isso. Se for esperta, (eu não fui), já joga a data provável do parto mais pra frente, e aguarda para contar a novidade somente quando a barriga já tiver aparecido. A minha data provável era 12/02 e ela nasceu 8 dias depois!! E eu, como já sofri um aborto espontâneo aos 3 meses de gestação, espero para contar só quando já estiver tudo bem, os morfológicos feitos, etc.

Nossa nova integrante nasceu no dia 20 de fevereiro de 2017! Estou muito empolgada e ansiosa pelas novas aventuras como mãe de três.. Aguardem =)