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Onomatopéia

Uma tarde ensolarada qualquer…

FILHO: Mãe, você sabe o que é onomatopéia?

Essa é nova!! Da onde ele tirou??

EU: Não filho, o que é?

onomatopeia 1

Ai que fofo!!

Derretida, quero que ele continue explicando sobre essa figura de linguagem do nosso bom português. Então sigo com as perguntas:

EU: Como assim filho?

FILHO: Assim, por exemplo, a vaca faz MU né?

EU: É…

FILHO: Então a onomatopéia da vaca é mu.

EU: Ah! Entendi!

Aí ele para. Pensa mais um pouco.

E finalmente:

FILHO: A irmãzinha fala muita onomatopéia né?

Hmm….

onomatopeia

Hmm… até que ele tem razão, né??

E seus filhos? Falam muita “onomatopeia” por aí?

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As certezas que eles tem

As vezes as crianças chegam com umas verdades absolutas. Umas coisas nada a ver com nada, mas que eles acreditam do fundo do coração deles. Coisas que, por algum motivo, para eles fazem todo o sentido.

Lembro de quando meu filho veio me explicar que o carneiro chama carneiro pois come muita carne.

Eu tentei explicar que o carneiro não come carne, que na verdade ele é um animal herbívoro, que só come vegetais como por exemplo o pasto. Até mostrei fotos de carneiro no google.

Mas não obtive sucesso. Ele continuou convicto de que o carneiro chama carneiro pois come muita carne.

Aí eu desisti, né? O tempo vai ensinar.

Essa semana ele me apareceu com uma nova certeza absoluta.

Eu estava trocando minha filha, quando ele chega correndo afobado.

carneiro 1

Nessa hora há um silêncio.

Como se ele estivesse organizando os pensamentos dele antes de falar.

E aí ele me conta o que está pensando:

carneiro 2

Ah meu D”s, e essa agora? Da onde ele tirou?

EU: E quem te contou isso filho?

ELE: Eu já sabia sozinho.

O que fazer? Tento explicar ou deixo ele descobrir sozinho?

No caso, deixei por isso mesmo, porque até eu conseguir organizar as minhas ideias e ensaiado uma resposta, ele já tinha se virado e voltado para seu quebra cabeça.

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Dia Internacional da Água

Água. Um tema tão importante e recorrente nos jornais. No mundo. Na vida. No dia a dia.

Nós já estamos cansados de saber que precisamos economizar água. Sobre racionamento de água. Sobre a importância da água. Etc.

E as crianças? Será que têm alguma consciência? Quanto eles estão sabendo sobre o assunto??

Resolvi perguntar para o meu filho de 4 anos. Segue a breve entrevista:

Comecei com uma pergunta simples e direta:

EU: Filho, o que é água??

FILHO  (Pensa. Pensa. Pensa): É onde os patos vivem, mãe.

Muito bom.

A água é de fato imprescindível para o reino animal.

AGUA 1

Ok. Muito justo.

(Super K é o supermercado que a gente faz compras semanalmente)

FILHO: A dos patinhos eu só uso pra fazer barquinho!!

Ah sim, barquinhos.

EU: E da onde você consegue água pra você usar, filho?

FILHO (inquieto): Mãeee, do Super K. Já te falei.

Que impaciência as crianças desses dias.. eu hein!

AGUA 2

Ele fala isso com os olhos brilhando.

A fábrica é tipo D’us.

EU: E para que você usa a água?

FILHO: Pra me hidratar. E pra ir na piscina.

Só pra isso? E pra tomar banho? Escovar os dentes?

Decido perguntar:

AGUA 3

É lógico! Os barquinhos… Como eu pude me esquecer?

Feliz dia internacional da água a todos!!

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ps: Entreviste seu filho!! É muito engraçado!!

ps2: Hoje, 22 de março, é o dia internacional da água.

Acho importante chamar atenção para a última pergunta, que eu fiz depois de escrever o post:

EU: Filho, a água tá acabando?

FILHO: Não tá, mãe.

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A foto que acabou em pizza

Era uma tarde de semana qualquer e os dois estavam de ótimo humor.

Brincavam juntos serenamente, felizes, com o seu novo jogo de comidinhas de plástico. Sem brigas por brinquedos, provocaçõezinhas e choros.

Tudo em perfeita harmonia.

chazinho 4Excelente oportunidade de tirar uma foto deles brincando com o jogo de chá e lanches que ganharam de presente.

Animada, saí correndo até o meu quarto pra pegar a câmera fotográfica.

Mas nos 10 segundo que levei para voltar, instaurou-se o caos (como sempre acontece quando eu quero tirar uma foto deles…)

Minha filha chorava dramática no chão. Xícaras, colheres, cadeiras, comidas, estavam espalhados. E meu filho segurava defensivamente um pedaço de queijo de plástico.

chazinho 2

Aí ele me explica o motivo da cena:

FILHO: Ela não quis me passar o queijo, mãe.

EU: Mas filho, ela é bebê. As vezes ela não entende o que você fala, né?

Ao que ele me reponde:

chazinho 9Eu mereço…

Tento contornar a situação. Devolvo tudo no lugar e explico pra minha filha a importância de passar as coisas para as pessoas na mesa.

Chorosa, ela sinaliza que ainda quer o pedaço de queijo que está na mão dele.

Então eu tento convencê-la a pegar a cenoura. Cenoura é muito gostoso!!

Mas ela não aceita. Está decidida no queijo.

Então tento convencer ele de que a cenoura é bem melhor.

Mas não, obrigado. Ele vai ficar com o queijo mesmo.

Então tenho uma ideia brilhante:

EU: E a pizza, filho?? Que tal?? A pizza é uma junção de muitos e muitos queijos!!

Mas…

chazinho 10

Tudo por um simples pedaço de plástico amarelo. Podia ter vindo dois pedaços de plástico amarelo no raio do jogo de lanche né?

Nisso, minha filha desata a chorar de novo.

E aí, de repente, meu filho cansa daquilo tudo.

Simplesmente levanta e larga o queijo em cima da mesa.

Ela, então vitoriosa, pega o queijo. Olha pra ele por alguns instantes e chega à conclusão de que na verdade, o pedaço de plástico não é tão interessante assim.

Levanta e vai embora, me deixando sozinha…

chazinho 3

Com a mesa de lanchinhos e chás, o pedaço de queijo, a câmera numa mão e a pizza na outra.

Acho que a foto vai ficar pra próxima…

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Quantos dinheiros você tem?

Há algumas semanas, tivemos uma festinha de aniversário de uma amiguinha da escola. O brinde foi uma moedeira. Daquelas redondas de plástico, com zíper, sabe? Todo mundo já teve uma dessas um dia.

Meu filho simplesmente adorou o brinde. Amou de paixão. Voltou da festa super animado, pedindo para eu dar à ele “muitos dinheiros”.

moedeiro 2

A chegada da moedeira na nossa casa marcou o início de uma nova descoberta na vida dele: o dinheiro. Ele descobriu que podemos pagar as coisas com dinheiro, e não só com cartão. E mais importante: que ele tinha acesso à esse dinheiro.

De repente ele se tornou tão poderoso!!!

Dei à ele alguns trocados pra começar a encher sua moedeira. Mas ele não quis saber das notas, só das moedas.

Moedas são bem mais legais… são redondinhas, fazem barulho… Notas são sujas, velhas, feias. Né?

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Ah, a doce inocência das crianças…

Agora ele acha que pode pagar tudo. Quando tomamos uma água de coco na praça, quando levo ele para cortar cabelo, ou até para pagar as compras do mês.

Ele saca aquela moedeira do bolso, com pouco mais de um real e cinquenta, e declara:

moedeiro1

Eu lanço para a moça do caixa aquele olhar meio cúmplice. Meio “ele só tem três anos, relaxa eu vou pagar. Mas ele ta tão feliz.. então finge que você acredita”. Ela me devolve um olhar de compreensão. Tudo numa realidade a parte.

Pagamos e saímos, prontos para a próxima.

Me pergunto quando vou ter que contar pra ele que na verdade sou eu que pago tudo.

Algum dia ele vai ter que aprender… mas até lá, vou deixando ele pagar as coisas com “os dinheiros” dele.

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A mentira cresce…

Perto da nossa casa tem uma pracinha gostosa, com árvores, bancos e uma vendinha de água de coco. Nessa manhã de domingo, eu iria até lá com as crianças. Meu marido, que tinha que terminar umas coisas de trabalho, nos encontraria ali mais tarde.

Mas acabou que saímos, tomamos coco, brincamos, vimos os cachorrinhos… já era hora de ir embora, e o papai acabou não aparecendo.

Então, meu filho, indignado:

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Ai meu D’us. Eu mereço…

EU (pacientemente): Filho, ele não mentiu, deve ser que ele ficou ocupado com as coisas de trabalho e não conseguiu vir. Agora a gente fala com ele em casa.

FILHO (com tom de voz acusador): Não é… ELE FALOU MENTIRA!!

Ele estava tão decidido sobre o assunto que eu simplesmente desisti. Chegando em casa ele esqueceria. Ou perguntaria pro pai.

Porém, depois de andar por mais alguns minutos…

FILHO (já mais calmo): Mãe, sabe que quando você fala mentira, a mentira cresce, cresce, cresce, cresce.

Hm. Muito interessante essa observação. Da onde será que ele tirou?

EU: É mesmo?? E quem te contou isso?

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Ah, é. Um livro sobre ‘como é feio mentir que eu comprei pra ele depois que ele começou a falar que ‘foi no parque da Xuxa ontem’ (quando ontem na verdade ele tinha ido na escola) e que ‘comeu tudo que tinha no prato’ (quando na verdade a comida estava intacta. E bem na minha frente, que descarado!)

Faz uns três meses que eu não vejo o livro, desde antes de nos mudarmos de apartamento. É um livrinho fofo, sobre dois irmãos ursinhos que estavam jogando bola na sala e quebraram o vaso da mãe. Aí eles inventaram que quem quebrou o vaso foi um passarinho que passava por ali.

O livro explica que, quando você conta uma mentira, a mentira CRESCE, CRESCE E CRESCE (metaforicamente, é claro).

Eu já estava toda orgulhosa por ele ter captado o conceito do livro tão rápido, depois de ler apenas duas ou três vezes. Que esperto meu meninão!!

E então, ele vira para mim com seus olhinhos cheios de preocupação e anuncia:

MENTIRA 2Hmm…

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Comendo em aniversários

Festinha de criança é uma delícia…

É como se fosse um dia da semana especial, onde podemos fugir um pouquinho da rotina e além de tudo comer salgadinhos e doces gostosos.

Tem coisa melhor?

Bom, como todas as crianças dessa idade, meu filho adora guloseimas. Na verdade acho que é a parte da festa que ele mais gosta. Se você pergunta pra ele como foi o aniversário ele vai responder:

niver3

Típico…

Desde que começou a andar, sempre que chega na festa seus pézinhos o levam diretamente para a mesa de doces. Lembro de uma vez em que ele tirou todas as cerejinhas dos cupcakes.

Foi super legal.

feliz niver 2

Aí, com o passar do tempo, ele foi entendendo que não pode ficar mexendo em todos os docinhos, que se mexe em algum tem que comer, e principalmente, que doce demais dá cárie.

E dá dor de barriga. Atrapalha o sono… (aliás, sempre que ele vem com qualquer reclamação desconexa eu falo que é porque comeu muito doce.)

doce dedo

Semana passada tivemos uma festinha. Antes de entrarmos, combinei com ele de não comer muita besteira.

EU: tenta não exagerar tá filho? Come primeiro as pizzinhas e pães de queijo. Depois você vai olhar a mesa de doces. Ok?

Ele já entendeu o esquema. Salgados pode à vontade, são sempre preferíveis aos docinhos.

Mas dessa vez ele quis inovar. Minutos depois de cumprimentarmos o aniversariante, ele me apareceu avisando:

gelatina

Hm… não sei se SUPER saudável. Mas já é um progresso, né? Aliás, quem será que ensinou essa palavra pra ele, hein… “saudável”?