7

Como é sair de casa

Às vezes a gente sai de casa. Sabe? Pra passear, ou ir pra escola, para o supermercado… Enfim.

O negócio é que… o processo todo, desde o “vamos sair de casa??” até sairmos de fato, demora.

Quem tem filho, sabe.

Primeiro a gente se certifica que está todo mundo vestido, limpo, alimentado, com sapato no pé.

saindo 1

Aí eu preparo a bolsa com coisas que podem ser úteis para eles. No meu caso, são coisas tipo fralda, lenço umedecido, água (vai que eles tem sede?), lanche (vai que eles ficam com fome?), casacos (porque esse clima de São Paulo ninguém merece), chupeta (salva vidas para hora do aperto).

Eu sei que fico andando pela casa feito barata tonta.

saindo 3

Aí eu preparo a MINHA bolsa né? Porque mãe também merece. Celular? Check. Carteira? Check. Chiclete? Gloss? Lixa de unha? Enfim, cada mãe com sua loucura.

Nisso meus filhos já se sujaram (com lapis de cor, com água, com massinha, com lego.. com seja lá o que eles estão brincando. É uma capacidade impressionante que eles têm de se sujar.)

SAINDO4

Ok, troca a blusa. Sem stress.

Finalmente, tudo em mãos, chega o momento “se-eu-não-sair-já-eu-não-saio-mais”. Consiste em eu parar na frente porta de entrada da casa e berrar “CRIANÇAS TO NO ELEVADOOOOR. ELEVADOOOOR, VAMOS DESCER”.

Nessa hora eles até que ajudam. Vêm correndo, bonitinhos.

Entramos no elevador, descemos.

E é lógico que assim que chegamos na garagem, meu filho…

saindo 5

Ai ai ai..

Mas aprendi a ter fé.. muita fé. No fim das contas, a gente sai de casa todo dia!! =D

E por aí? Também é uma novela pra sair de casa?

 

Advertisements
2

Copa com os filhos

Sempre gostei do Brasil em clima de copa do mundo. É uma delícia!! Todo povo naquela vibe de união, comemorando com os amigos, tomando uma cervejinha no bar… Os carros e as ruas em verde e amarelo. Todo mundo comprando figurinhas pra completar o álbum… Deixando de lado as diferenças e torcendo por um bem maior. (Coloquemos as manifestações, as greves e a Dilma em stand by um pouquinho, né??)

Mas depois de me tornar mãe devo confessar que assistir aos jogos com as crianças é uma missão quase impossível. Acho que as mães e pais do Brasil haverão de concordar comigo.

brasil 1

Eles não entendem a importância da situação. Pra eles é como se fosse um dia normal, só que eles estão vestidos de verde e amarelo e os pais tão meio doidinhos.

Meu filho até entende um pouco, assiste alguns minutinhos… mas que criança aguenta ver 90 minutos de jogo??

E é impressionante como a lei de Murphy age com força nessa hora. A vontade deles de ir ao banheiro vem nos momentos mais inoportunos…

brasil 2

É uma beleza!!

Mal posso esperar pelos próximos jogos…

5

As certezas que eles tem

As vezes as crianças chegam com umas verdades absolutas. Umas coisas nada a ver com nada, mas que eles acreditam do fundo do coração deles. Coisas que, por algum motivo, para eles fazem todo o sentido.

Lembro de quando meu filho veio me explicar que o carneiro chama carneiro pois come muita carne.

Eu tentei explicar que o carneiro não come carne, que na verdade ele é um animal herbívoro, que só come vegetais como por exemplo o pasto. Até mostrei fotos de carneiro no google.

Mas não obtive sucesso. Ele continuou convicto de que o carneiro chama carneiro pois come muita carne.

Aí eu desisti, né? O tempo vai ensinar.

Essa semana ele me apareceu com uma nova certeza absoluta.

Eu estava trocando minha filha, quando ele chega correndo afobado.

carneiro 1

Nessa hora há um silêncio.

Como se ele estivesse organizando os pensamentos dele antes de falar.

E aí ele me conta o que está pensando:

carneiro 2

Ah meu D”s, e essa agora? Da onde ele tirou?

EU: E quem te contou isso filho?

ELE: Eu já sabia sozinho.

O que fazer? Tento explicar ou deixo ele descobrir sozinho?

No caso, deixei por isso mesmo, porque até eu conseguir organizar as minhas ideias e ensaiado uma resposta, ele já tinha se virado e voltado para seu quebra cabeça.

4

Machucados e Dramas

Ontem meu filho saiu da escola com uma animação desigual. Sempre sai empolgado, mas ontem tinha algo a mais. Ele corre na minha direção com os olhinhos arregalados, um quê de preocupação. E diz:

FILHO: Mãe! Mãe!! Olha meu dodói!

Esticando seu braço e levantando a manga do casaco, lá estava um pequenino arranhão. Do tamanho de um clipe de papel.

EU (fazendo a maior cara de preocupação do mundo): Nossa filho, como você fez isso??

FILHO (em tom solene): Na aula de futebol.

Não preciso dizer que o tal machucado se tornou o assunto do carro durante a volta da escola.

dodoi

Chegando na garagem, olhei de novo para o dodói e constatei que não tinha o que fazer. Já estava ótimo, cem por cento cicatrizado.

Mas meu filho ainda estava monotemático.

dodoi2

Então, quando entramos em casa, só para acalmar os ânimos, levei ele até o banheiro. Passei um creme (qualquer coisa serviria. O importante era passar alguma pomada só para ele sentir que a gente deu importância.)

No caso passamos hidratante Johnson mesmo.

Finalizamos o procedimento com um super band aid do Toy Story.

dodoi 3

Apesar de não querer tomar banho para não estragar o curativo, paciente passa bem.

15

Surpresas no banho

Todo bebê faz cocô no banho. Se o seu filho não fez ainda, algum dia ele fatalmente vai fazer.

Ou não. Mas aí você tem que ser muito sortuda (o).

Em geral é assim que acontece (com os bebês recém nascidos ou de poucos meses):

Você já deixou a água preparada na temperatura correta, a troca de roupa, a fralda, o creme de bumbum, a toalha. Aí você coloca seu bebê na banheira e é só alegria. Ele tá curtindo o banho, você tá curtindo o momento relaxante com seu filho. Beleza.

Quando de repente, sem aviso prévio:

surpresas 1

Apesar do drama, não é fim do mundo.

Parece. Mas não é.

Tira o bebê – e põe ele aonde, meu Ds do céu? Na pia? Na privada? No chão?? – joga a água fora. Limpa a banheira. Enche de novo.

Se tiver alguém em casa pra te ajudar, melhor. Senão, tem que se virar nos trinta mesmo.

Que mãe nunca, né?

Bom, aí eles crescem. Chega uma idade em que eles ainda não tiraram a fralda, mas já entendem alguma coisa…

E foi num belo dia, poucos meses antes de meu filho completar dois anos, que ele estava tomando banho e eu sentada no chão ao seu lado, papeando no telefone, quando de repente ele começa a gritar, empolgadíssimo:

FILHO: Olha mãe! Tem massinha aqui!!

EU (meio no telefone meio ouvindo ele): Legal filho, legal. Massinha.

Aí me dou conta de que tem um brinquedo estranho nesse banho. Um brinquedo que eu não conhecia…

Adivinha o que era?

surpresas 2

Ele ficou me olhando com seus olhinhos arregalados, sem entender. Tadinho…

Bom. Alguns anos se passaram… Minha filha nasceu. Minha experiência como mãe aumentou. Aprendi a lidar melhor com situações de crise. Um cocô no banho deixou de ser um bicho papão.

E, como já era de se esperar, chegou o grande dia da minha filha escapar no banho. Afinal, todo mundo tem sua vez, né? Mas agora, tínhamos um agravante: a ilustre presença do seu irmão mais velho na banheira (porque eles tomam banho juntos).

Aparentemente ele achou a situação engraçada.

Pois enquanto eu, super mega ágil, tentava contornar a situação…

surpresas 3

Realmente… hilário.

Aí é o mesmo procedimento: Tira um do banho. Tira o outro. (Reza pra acontecer no verão pra ninguém pegar uma gripe. Também reza pra a sua filha não estar com diarreia). Limpa a dita cuja. Tira a água da banheira. Limpa a banheira. E por aí vai…

E ri junto. Porque rir é o melhor remédio.

10

Hora de Jantar

Lembro de quando meu filho começou a comer sopinhas e papinhas, quando tinha apenas meses. Era tudo uma beleza!

A gente dava batata, ele comia. Dava abobrinha, ele comia. Cenoura? Xuxu? Ervilha? Mandioca? Comia. Abóbora? Chuchu? Espinafre? Beterraba? Comia, feliz. Comia de tudo.

Lembro que eu pensava “que sortuda que sou! Meu filho é tão fácil pra comer!”

Hoje, 4 anos depois, a vida não anda tão fácil assim.

Não sei quando foi que isso aconteceu, mas hoje ele é muito seletivo pra comida. Por exemplo, faz mais de seis meses que ele decidiu que não come feijão. Não adianta, não come.

Legumes? Só batata. A cenoura só se for crua e bem raladinha. Saladas tipo pepino, tomate, milho, palmito, ele até que come bem. Mas com muita paciência e criatividade. Ultimamente só tem comido se for com prato de carinha.

Haja criatividade pra fazer prato de carinha TODOS os dias.

comida1

Dá trabalho, mas funciona.

Outras técnicas que funcionaram bem comigo:

Técnica “aviãozinho”

Clássica. Dispensa comentários.

Aqui em casa começou com o vrum vrum básico. Eu fazendo movimentos rebuscados com a colher, indo pra cima e pra baixo. Aquela coisa toda.

Mas depois de anos de vrum vrum, o nosso aviãozinho já se tornou mais elaborado:

comida 7

Com direito a voz de aeromoça, sons de campainha e tudo.

Técnica “Não deixa o passarinho comer”

Uma vez contei pra meus filhos que existe um passarinho que gosta de comer toda a comida das crianças, então eles tem que comer logo pro passarinho não pegar.

Então eu deixo uma colherzinha preparada no prato dele, dizendo:

comida 4

Gargalhadas e colheradas garantidas!!!

Técnica “Adivinha o que eu vou pôr na sua colher

Digamos que você tenha colocado 5 alimentos no prato do seu filho. Arroz, lentilha, carne, batata e tomate.

Então essa tática consiste em fazer diferentes combinações para ele adivinhar o que está comendo.

COMIDA 6

Faz tempo que não faço, mas ele adora.

Tática “Liga o dane-se e seja feliz”

Essa é para os dias que eles não estão afim de comer nada, e que eu já cansei de fazer malabarismos dramatizações e cambalhotas pra eles comerem.

comida 5

Afinal, ninguém vai morrer de fome.

13

A Barata

Você tem medo/nojo de barata?

Eu tenho, muito. Só que eu não sabia disso até aparecer uma barata aqui na minha casa.

No meu banheiro. ECA!!

Era uma manhã como outra qualquer. Seis e quinze e as crianças já estava acordadas. Eu tinha voltado pra cama para tentar tirar mais uns 5 minutos de sono (em vão, é claro), quando escuto uma gritaria vinda do banheiro.

Vou ver o que está acontecendo e eis a cena:

BARATA 2

EU: Gente, o que foi aqui??? Tá tudo bem, é só um bichinho morto embaixo da pia. Daqui a pouco o papai vem tirar.

Nem dei importância àquele bichinho pequeno e estático. Tive certeza que estava morto.

Bom, nisso eu já desisti de tentar dormir mais né? Perdeu o clima.

Aí eu fiquei no banheiro com eles. Tirando o pijaminha da minha filha e conversando com meu filho enquanto ele estava sentadinho no trono. Era uma cena corriqueira. Tudo lindo.

BARATA 1

Quando, de repente, aquele bicho horroroso e gigantesco preto com antenas gigantescas saiu debaixo da pia e começou a correr. Sabe, com aquelas patinhas velozes e furiosas? Então.

Foi uma coisa tão rápida que eu estou tentando entender até agora. Num segundo a barata estava paradinha, indefesa e fingindo de morta debaixo da pia. No outro, ela já estava a metros de distância. Como pode??

Confesso que eu mesma fiquei surpresa com a minha reação na hora.

Que foi essa:

barata 3

Eu sempre soube que era meio dramática. Mas não imaginei que ficaria tão assustada e histérica. Sei que não é pra tanto, mas eu gritei tão alto que minha filha começou a chorar. Meu filho ficou olhando pra mim com cara de paisagem, tentando entender por que a mãe agia como uma louca.

Bom, graças a D’us o pai estava em casa.

Ele passou a correr atrás da barata com um chinelo (vejam só que clichê, mas é verdade!!) e após alguns minutos de agonia (pra mim) e pura diversão (para meu filho), ele finalmente capturou o mostro e jogou na privada.

Meu filho teve a honra de dar a descarga.

E nesse dia ele foi para escola MUITO feliz e realizado.

E desde então ele tem contado a História da Barata para TODO MUNDO que queira (ou que não queira) ouvir.

__________________________________________________________

#Nunca mais vou pensar / falar / comentar mal de quem grita e foge de insetos pequenos.

PS: Na imagem 3 meu filho aparece de shorts para preservar as suas partes íntimas. Na realidade não deu tempo de subir o pijama dele.

O episódio da barata ficou marcado para sempre aqui em casa. Para mim, como o dia que eu descobri que eu tenho SIM medo de barata. Para meu filho, como o dia em que apareceu um bicho DENTRO DA NOSSA CASA e ele ajudou a capturar. Para minha filha o dia que ela aprendeu a falar BI (bicho). E para meu marido, como o dia que ele salvou a família de um bicho (raridade em cidade grande).