6

Volta às aulas

FILHO: Mãe, amanhã eu quero ir para a escola bem cedo!! Pra pegar lugar…

Meu filho de dez anos disse isso ontem, um dia antes da volta às aulas.

EU: Cedo tipo que horas?

ELE: Tipo umas seis, seis e meia.

Me lembrei, então, de quando eu era pequena e fazia minha mãe acordar as 5 da manhã no primeiro dia de aula para me levar na escola escolher o meu lugar na classe (valeu mãe!!!) Na época, todas as crianças chegavam 4h -5h – 6h da manhã para conseguirem ser as primeiras a selecionar o seu assento, que seria praticamente o seu lar na escola durante o resto do ano letivo. Seu porto seguro. Um lugarzinho para chamar de seu naquele ambiente nem sempre amistoso chamado escola.

Era um absurdo, mas de certa forma compreensível.

Então, tomada por essa lembrança (que na época me deixava bastante ansiosa, mas que hoje a tomo com afeto e nostalgia) eu compreendo o desejo do meu filho.

Acordamos bem cedo e chegamos na escola uma hora antes do normal. Mochilas, uniformes, material escolar, tudo certo. Prontos para a guerra a seleção dos lugares. Parei o carro e desci com eles.

Meu filho, então, olha para mim e diz:

EU, ultrajada: Como, tchau mãe? Eu vou subir com você.

FILHO: Não vai, não.

EU, contrariada: Vou sim!  Como não?? Primeiro dia de aula! Quero ver sua sala, sua mesa, tudo o mais.

FILHO: Mãe, NENHUMA MÃE SOBE. Eu já estou no quarto ano. Tchau, sério.

EU (Insistente. Porque sou brasileira e não desisto nunca.): Mas filho, e todo o material? Eu te ajudo a carregar lá para cima.

FILHO: Não. Eu levo mãe. Tchau. Obrigado.

EU: Então tá né… um beijo pelo menos?

Ele revira os olhos, olha para os dois lados para ver se não tem ninguém por perto e assente. Sinto um aperto no coração.

Olho para minha filha de 7 anos e me recomponho.

EU: Filha! Sua vez! Vamos? Vamos lá? Vou subir com você.

EU, em choque: Como não? Primeiro ano primário. Lógico que sobem.

FILHA: Não mãe… Ano passado você foi a única.

EU, brasileira insistente: Poxa, como assim filha? E o seu material? Você vai levar sozinha?

FILHA: Sim né. Dur. Eu não sou bebezinha.

Me deu um beijo rápido e fim.

Lá se foram eles, lutar suas primeiras batalhas do ano, longe de mim. E eu fiquei estática com cara de tacho tentando entender como isso aconteceu.

A vida não te prepara para se tornar “desnecessária” para os filhos. Doeu. Mas acho que faz parte, né? E bom, o que eu posso dizer? É todo aquele drama: A gente põe um filho no mundo, sabe… carrega nove meses… para sermos tratadas assim…

Me recompus, saí de lá e fui atrás de um sundae duplo com calda de chocolate e caramelo. Porque eu merecia.

Infelizmente não encontrei NENHUM lugar aberto, afinal, ainda era de madrugada.

Resumo da ópera:

  • Férias: quem está fora quer entrar, quem está dentro quer sair.
  • O tempo passa rápido pra burro (lembre-se disso nos maus momentos também)
  • Falta na cidade de SP estabelecimentos que fiquem abertos 24 horas para eventuais crises emocionais.

_____________________________________________________________________

Em tempo: Meu filho acabou com um lugar no canto da segunda fila. De acordo ele, já havia muitos amigos na classe quando ele chegou. Minha filha conseguiu um na primeira fileira.

Ambos estão satisfeitos.

E eu, por fim, ainda não consegui comer o meu sundae. Decidi desenhá-lo para ver se passa a vontade:

Não passou.

1

Tchau 2019 =)

E 2019 chegou ao fim.

Um ano de muito amor e aprendizado, muitas surpresas, bagunça e confusão. Ri, chorei, vivi um monte. Descobri coisas novas, fiz mais amigos. Cheguei nos trinta (pois é). Foi intenso.

Dizem que estamos sempre evoluindo como pessoas, que nunca podemos parar. Oras, se for assim é inconcebível acabar um ano do mesmo jeito que começamos ele, né? Então vai aí um balanço de algumas das lições mais importantes que aprendi em 2019 e que levo para 2020.

1- Aprendi que, afinal de contas, eu não sou assim tão jovem, descolada e moderna quanto eu achava que era… mas tudo bem. A verdadeira juventude está na nossa essência, e já decidi que, pelo menos por dentro, serei sempre jovem.

2- Que a gente tem uma mania compulsiva da nossa geração de querer resolver tudo e superar cada vírgula da nossa vida. Mas a descoberta do ano foi que… nem sempre a gente consegue. Nem tudo na vida a gente supera, e tudo bem! A vida segue. E, se tivermos sorte, com mais significado.

3- Aprendi que nem sempre podemos controlar os acontecimentos. Gostamos muito de acreditar que sim – talvez por ingenuidade ou arrogância – acreditamos que temos esse poder supremo sobre tudo. Mas a vida sempre surpreende e mostra que não, não temos.

4- Que as pessoas são diferentes, e cada uma tem suas próprias prioridades. Às vezes a gente discorda e tenta discutir  e argumentar, mas será que vale a pena? Afinal, prioridade é uma coisa muito pessoal.

5- … mas em tempos de internet e redes sociais, o wifi é definitivamente uma prioridade geral da nação.

6- Aprendi que às vezes a gente é muito rígido com a gente mesmo, e precisamos sempre lembrar de nos tratar com mais amor e gentileza. Preste atenção em como trata os outros. Agora pare e pense se você consegue ser naturalmente assim com você também…

7- Aprendi que grande parte da vida é escolha. Nós as tomamos com base nos conhecimento e vontades que temos no momento em que as tomamos. E tudo bem. Cabe a nós lidar com as consequências delas.

 

8- Que têm dias em que as lembranças chegam com tudo e a saudade bate mais forte. E dói e é difícil. Mas que há 99% de chance de sobrevivermos à ela.

9- Que os adultos definitivamente precisam de magia tanto quanto as crianças. A gente acha que cresceu e por isso não precisa/pode/deve mais brincar e se divertir. De jeito nenhum! Preste atenção em como você tem dado toques de mágica à sua vida.

10- Aprendi que (para o total desespero do meu ego) às vezes eu sou super-substituível… E tudo bem. Sobrevivi à isso também.

11- Mas que às vezes, também, eu sou insubstituível!

Obrigada a todos que me seguem. Não sei como agradecer, sério.

Feliz 2020 para nós! Vamos que vamos =)

6

Novidades!

Queridos leitores,

É com imenso prazer que comunico o nascimento de nossa terceira filha!! Agora somos uma família de cinco integrantes..

Eu sei, eu sei, nem postei que estava grávida. Nem avisei ninguém. Que falta de consideração da minha parte.. É que a vida já tava bem louca com minhas duas crias, aí a terceira gravidez passa meio “desapercebida” sabe?

É assim que funciona, a primeira gravidez você está tão animada que conta pra todo mundo! Ah que maravilha! A gente corre ligar pra mãe, pra sogra, pra tia, pros amigos do trabalho, pro vizinho. Faz a festa. Até o seu porteiro sabe que você está grávida (antes da barriga sequer dar as caras)

Tudo é lindo. Dá até pra sentir aquela minúscula sementinha florescendo no seu útero. A gente sai pra comprar roupa de grávida, mesmo que a barriga não aumentou um mílimetro ainda. E fica se admirando no espelho com aquela barriga falsa que a vendedora te ofereceu. “Você vai ficar liiiinda de barriga!!”. Gente, grávida é que nem noiva. Já viu grávida feia? Não. Você já viu grávida meio inchada. Grávida meio pálida, grávida meio acima do peso. Agora, grávida feia, não.

Bom aí chegam os enjôos. Não só os matinais, como os vespertinos e noturnos também. Aliás nem sei porque deram o nome de enjôo matinal. É só sentir o cheiro de qualquer coisa que já sobe aquela ânsia, não importa a hora do dia. E não passa tão rápido, não. Fica aí no mínimo uns três meses até ir embora. E no primeiro filho, é aquela coisa:

No terceiro filho não tem isso, não. É tipo “aguenta aí, amiga, que daqui a pouco as crianças dormem e você pode deitar e passar mal a vontade”

E os hormônios? Pense numa TPM brava. Agora imagine ela se alastrando por semanas. Antes do café da manhã, eu já tinha sentido frio, calor, ódio mortal, fome e enjôo. Isso que não são nem 9 horas da manhã. A gente fica sensível, a flor da pele. A mistura é tão louca que o meu santíssimo marido que se cuidasse, afinal era TUDO culpa dele eu estar naquele estado!! A gente ama, odeia, quer abraçar bater, tudo ao mesmo tempo. Meu marido, coitado, toda noite fazia uma prece no elevador antes de entrar em casa.

No terceiro filho você se contém mais, precisa estar mais equilibrada, afinal, tem outros dois pra dar conta em casa – que já estão suficientemente sensíveis com a notícia da gravidez.

Aí o tempo vai passando e a gente começa a contar tudo em semanas. Eu tô de 19 semanas. O aniversário da minha mãe é daqui a 9 semanas e meia. A festa da empresa foi há 7 semanas. Fulana tá de 32 semanas e nem parece que tá grávida. Aí sentimos o primeiro chute. Que delícia!! Todo mundo quer sentir. A mãe, sogra, até o seu chefe. “Esse aí vai ser jogador de futebol!!” falam os papais, todo orgulhosos. E sempre, SEMPRE que alguém põe a mão para sentir, o bebê pára de se mexer.

Aliás quando a barriga aparece ela vira pública né? O pessoal no meio da rua já chega chegando, ‘ai que coisa linda! Para quando você ta?’ e posiciona a mão na sua barriga. E se você é do tipo mais tímida ou faz cara feia você se torna A grávida estúpida.

Os meses vão passando e a gente já se cadastrou em todos os sites de bebê possíveis, já comprou vários livros sobre gravidez, está por dentro de tudo o que pode ou não esperar quando você está esperando. E de repente começa a usar um monte de termos médicos e está super antenada em medicina fetal. Falamos sobre como o bebê está grande, ou sobre como a placenta baixou, ou sobre o fluxo do cordão e o nível do líquido amniótico. E se a gente encontra outra grávida, mesmo que desconhecida (seja na rua, no shopping, na sala de espera) rola aquele olhar de compreensão, tipo “nós duas nos entendemos, estamos carregando um ser dentro de nós”. E se iniciamos uma conversa, ninguém segura mais: “De quanto tempo você está?” Começamos falando sobre as tais das semanas, o sexo do bebê e por aí vamos. Falamos sobre a decoração do quarto. Sobre possíveis nomes. Sobre como está a sua alimentação ‘equilibrada’, tomando 4 litros de água por dia como mandam os livros.

Perto do final da gravidez a gente está que não se aguenta mais. Aquela sementinha minúscula te transformou num balão. Suas costas estão acabadas – eu pelo menos me sentia uma idosa de 105 anos andando. Sabe aquelas roupas de grávida que você tão empolgada comprou há alguns meses? Você não agüenta mais olhar pra elas. O calor é de matar. Você faz em média 30 xixis por dia. Os chutes que antes eram pequenas tremidinhas meigas se tornam verdadeiros terremotos. Você está há dias sem dormir, afinal não tem posição por causa da barriga. Cansada, com dores pelo corpo, e esperando o bebê resolver dar o ar de sua graça – (no caso de um parto normal). Uma lista infindável de reclamações. E os conhecidos não dão trégua. Falta ainda duas semanas para a data, o pessoal já começa: “Esse bebê não tá querendo sair né??” “Deve ser porque tá frio aqui fora, ele tá curtindo ficar no quentinho he-he”.

Bom, mas na terceira você já está mais preparada pra tudo isso. Se for esperta, (eu não fui), já joga a data provável do parto mais pra frente, e aguarda para contar a novidade somente quando a barriga já tiver aparecido. A minha data provável era 12/02 e ela nasceu 8 dias depois!! E eu, como já sofri um aborto espontâneo aos 3 meses de gestação, espero para contar só quando já estiver tudo bem, os morfológicos feitos, etc.

Nossa nova integrante nasceu no dia 20 de fevereiro de 2017! Estou muito empolgada e ansiosa pelas novas aventuras como mãe de três.. Aguardem =)

2

2016 está chegando

Mais um ano que chega ao fim! Já é o terceiro fim de ano do Filhos em Quadrinhos, nem posso acreditar! E por isso, decidi pegar a lista de resoluções que fiz aqui para 2014 e repassar ela.. Vou comentar item por item que tinha na lista. A resolução vai estar escrita normalmente e os meus comentários de hoje vão em vermelho escuro/vinho/uva itálico (não sei definir ao certo que cor é essa).

Vamos lá:

LISTA DE RESOLUÇÕES PARA 2014 (compilada em 30 de dezembro de 2013)

1- Aprender receitas novas e variadas pra fazer em casa

dez/2015: Aprendi!! E mudei algumas coisas! Oba! Mas sempre dá pra aprender mais, né? 

2- Trabalhar para ser uma mãe cada vez mais PACIENTE e CENTRADA

dez/2015: Vamos pular essa… 

3- Não comer as coisas que meus filhos deixam no prato. (Mesmo se for muito gostoso)

dez/2015: Também vamos pular essa

4- Não pegar salgados em festinhas dizendo que são para os meus filhos quando eu sei que eles não vão comer e quem vai comer sou eu. (AUTO ENGANAÇÃO)

resolucao 1

dez/2015: Desencanei… se eu estou com vontade eu pego e como mesmo porque o importante é ser feliz. Mas minha vontade também diminuiu!! Acho que nosso gosto vai mudando conforme os anos vão passando né..? 

5– Não comprar mais coisas inúteis achando que elas vão mudar minha vida (como os lenços umidecidos de higienizar chupeta. Nunca usei. )

dez/2015: Melhorei nisso!!! Tenho pensado mais antes de comprar coisas inúteis! Só livros que eu não aguento… livros são minha perdição.

6- Organizar! Manter organizados os brinquedos das crianças (incentivá-los a guardar, mesmo que seja muito mais rápido eu guardar tudo sozinha)

dez/2015: Como eles cresceram um pouco, consegui fazer com que eles começassem a arrumar os brinquedos. Mas mesmo assim, nos dias que eu estou cansada pra ficar no pé deles eu arrumo tudo sozinha – mais rápido, prático e eficiente? Sim. Menos educativo? Sim também… Mas a vida é assim.

7- Não ficar berrando desesperada quando meus filhos alimentam os carneiros na fazendinha

resolucao 33

dez/2015: Aprendi a relaxar mais com isso…! Mas acho que deve ser porque eles cresceram um pouco. Até no Parque da Água Branca (ou das galinhas assassinas) eu também fico mais tranquila.
ferias 4

8- Ensinar meu filho a nadar URGENTE ***

dez/2015: Ensinei!!! Ele se vira super bem na água. Agora a meta é ensinar minha filha a nadar. 

9- Começar a anotar as pérolas das crianças para não esquecer.

dez/2015: Vamos pular essa também.. 

10- Usar menos o whatsapp e o iPhone em geral quando estou com meus filhos (vício horroroso)

dez/2015: De fato consegui melhorar o vício do iPhone sim, evito ao máximo usar quando estou com as crianças. Mas é que nem o item 1, o das receitas. Sempre dá pra progredir um pouco mais, né?  

É isso aí! Os filhos crescem e a gente vai crescendo com eles. Desejo a todos meus leitores um ano com mais noites bem dormidas, mais momento de fofura, mais compreensão, mais paciência e amor.. um 2016 com menos choro, menos brigas de irmãos, e menos dodóis!