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A vaca morrida

Este é um post sobre o dia em que vimos uma vaca morta na estrada.

Você já viu uma vaca deitada no meio da estrada? Eu nunca tinha visto. Foi uma experiência nova para mim e para o meu marido, e um tanto chocante para os meus filhos.

Estávamos viajando já há algumas horas por uma estradinha de duas mãos, cheia de curvas.

A situação dentro do carro era caótica (não vou ilustrar, vou deixar para suas mentes criativas imaginarem os pacotes de biscoitos, restos de maçã, papel kleenex jogados, garrafas de água vazias, etc) quando de repente passamos por uma vaca caída no meio da estrada. Gigantesca, branca. Uma cena chocante. Não havia sangue nem nada, apenas a vaca, e alguns carros parados prestando suas condolências na faixa ao lado*.

Ela estava tão serena que algum desavisado poderia imaginar que ela estava dormindo.

Com dois filhos pequenos no carro, nós não paramos. Deixamos a vaca para trás e continuamos nosso caminho, cada um absorto em seu silêncio, digerindo a cena, quando do banco de trás vem uma vozinha:

vaca morrida 1

Era minha filha.

EU:……. é verdade filha..

FILHA: Que nem eu né?

EU: Isso mesmo. Igual você.

vaca morrida 2

EU (e marido) HAHAHAHAHAHHAHAHA

FILHA: E aí ela fica assim, morrida.

O que eu posso dizer? Foi um aprendizado, passar pela vaca morta. Sem eu precisar falar nada, muitas lições ficaram para as crianças: temos que obedecer a mamãe, dar sempre a mão para atravessar a rua, estar sempre atentos…

Querida vaca da estrada, obrigada por me ajudar na árdua tarefa de educar os meus filhos, mesmo que só por alguns segundos. Sinto muito. Descanse em paz.

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Neste post aqui já falei sobre vacas na estrada. Mas no caso elas estavam vivas.

*Não havia ninguém fazendo contato físico e direto com a vaca, deitado em cima dela e abraçando-a como no filme do Eu Eu Mesmo e Irene. Isso foi um pouco decepcionante, confesso. 

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A mentira

Hoje vou escrever sobre um episódio que me marcou muito este ano.

Nesses quase seis anos de maternidade (uau quase uma pós graduação!!) tem uma coisa que eu aprendi: eu sou o exemplo dos meus filhos. E é muito difícil ser exemplo o tempo todo…

Era um belo dia de sol, e estávamos muito empolgados para ir num novo brinquedão de água que só abre no verão.

MENTIRA 1

Chegamos lá e descubro um pequeno detalhe: a idade mínima para as crianças poderem ir no tal brinquedo era de 6 anos.

Meu filho tem cinco e meio.

Ele já é grandinho e sabe nadar, e neste brinquedão o uso de colete salva vidas era obirgatório. Não achei que teria problema algum ele ir. E quando nos inscrevemos para entrar no brinquedo, ninguém perguntou a idade dele. Deixaram ele entrar direto.

Enquanto ele ia colocando o seu colete, uma turista que estava por lá perto perguntou:

“Que menino bonito! Quanto anos ele tem, seis?”

Eu, com medo de que a mulher pudesse nos delatar para os responsáveis do brinquedo, mexi a cabeça e afirmei que sim. Respondi em voz baixa, quase num sussurro, disfarçando para os meus filhos não escutarem a minha pequena mentirinha branca.

Coletes postos, tivemos uma manhã encantadora no brinquedão, com direito à muita diversão e risadas.

Quando estávamos indo embora (veja bem, já havia se passado mais de duas horas que estávamos lá) meu filho vira para mim e pergunta:

mentira 2

Pega de surpresa, fico sem resposta. O que eu posso dizer? Como explicar para um menino de cinco anos que as vezes uma mentira inofensiva é politicamente aceitável, dependendo do contexto?? Ele terá o discernimento para entender? Ou vai começar a achar que mentir é normal? Será que devo mentir (de novo!!) pra ele e dizer que não, eu não menti para a mulher e ele que se confundiu?

Reflito um pouco sobre as minhas opções. Lembro da história de minha amiga Márcia, fisioterapeuta, de quando ela era pequena. Um dia, a vizinha que vendia pano de pratos tocou a campanhia procurando a mãe dela, provavelmente para mostrar os novos modelos da coleção. Márcia então chamou a mãe pela porta, e esta, por sua vez, se escondeu e fez um acentuado ‘não’ com o dedo indicador, sinalizando com os lábios “Diga que eu não estou!!”.

Este foi o dia em que Márcia aprendeu a mentir.

Entre todas as opções que voam pela minha mente, a história da Márcia, os prós e contras de cada saída, eu finalmente escolho a reposta mais honesta que pude:

mentira a

Fui até a mulher, que estava a uns 10 passos de distância. Falei qualquer amenidade sobre o clima, ou sobre como estava cheio o parque. E voltei até os meus filhos, que me observavam atentamente.

Guardamos nossas coisas e fomos embora, em silêncio.

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Sobre Meninos e Meninas

Faz uns dois anos meu filho ganhou de presente um carrinho de controle remoto, super legal.

O diferencial deste carrinho, é que ele fica preso ao seu controle por um fio de mais ou menos um metro e meio de comprimento, para o carro não “se perder”. Já viram um desse estilo? (Achei bem prático esse fio, assim pelo menos os dois estão sempre guardados juntos)

Pois bem.

Semana passada as crianças encontraram este carrinho há séculos perdido no armário de brinquedos (também conhecido como armário das coisas perdidas e nunca mais encontradas… você deve ter um desses em casa, não?)

Meu filho ficou excitadíssimo, é lógico. Passou a tarde brincando. Mais ou menos assim:

meninos meninas

Altas velocidades, manobras, e algumas batidas pelos móveis da casa…

E então, mais tarde, depois do irmão cansar da brincadeira, minha filha encontrou o tal do carrinho e resolveu brincar também.

Mais ou menos assim:

meninos meninas 2

 

Coméquié?

Desfilando delicadamente com o seu auau e sua bolsinha a tiracolo.

Pois é… meninas serão sempre meninas.

E meninos serão sempre meninos.

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Gostaria de enfatizar que minha filha tem um cachorrinho de pelúcia rosa, preso por uma coleira de coração, que ela poderia ter levado pra passear pela casa. Mas por algum motivo que foge da minha compreensão, ela quis brincar com o carrinho… 

Vai entender…  

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E chegou Dia das Mães

Sexta feira, dois dias antes do Dia das Mães. Eu estou na cozinha preparando o jantar, quando meu filho entra, saltitante, com um pacote na mão:

FILHO: FELIZ DIA DAS MÃÃÃES! Olha aqui o presente que eu te fiz na escola!!

EU: OBA!!! Obrigada meu amor! O que é isso?

FILHO: Uma sacola sustentável de supermercado. Pra você fazer compras.

dia das maes 4

 

EU: UAU! Estava precisando mesmo de uma. Que linda filho, obrigada!!

FILHO: E um chaverinho com o seu nome, olha:

dia das maes 2

chaveirinho                             sacola de mercado

 

(Pausa pra eu derreter de amor)

(Pronto)

Adorei o meu presente e vou usar – além de sustentável, o supermercado aqui do lado está cobrando 8 centavos o saquinho plástico, fala sério!!

Mas se você não foi sortuda como eu de ganhar uma sacola sustentável com um arco íris, coraçõezinhos e um chaveiro com o seu nome, seguem algumas ideias de presentes que a sua família pode te dar. A melhor parte? São todos gratuitos!!! (Maridão, fica a dica)

1- acordar as 10 da manhã

dia das maes 1

2- um banho relaxante e demorado (sem ninguém te apressando na porta)

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3- banheiro sem plateia (dispensa comentários) – um mínimo de dignidade no nosso dia né minha gente…

DIA DAS MAES 5

4- uma refeição inteira sentada (sem precisar levantar pra trazer mais suco, ou buscar a colher da minnie, ou o copo da patrulha canina) – um luxo!!

Screen Shot 2018-05-13 at 2.44.48 PM

E aí, que outras ideias de presente nesse dia tão comercial especial? Lembre-se, todo dia é nosso dia, meninas! Mas se a gente pode ser mimadas uma vez por ano, por que não, não é mesmo? Aproveitem!

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Regras

Toda casa tem suas regras.

Algumas são firmes, outras mais flexíveis.

Desde “Não pode dormir sem tomar banho” até “não pode comer no quarto” ou “Terça feira é dia de cortar a unha”.

O engraçado é que as crianças vão crescendo e as regras que eram vitais começam a perder o sentido e sair de cena para dar espaço a regras novas.

Filhos fazem isso com nosso lar.

Por exemplo, aqui em casa antigamente a gente não podia passar de sapatos na frente do quarto das crianças de noite, porque senão eles acordavam. Era motivo de grande discussão entre eu e meu marido, mas no final ele acatou a regra – tira o sapato e passa (coisa de mãe paranóica).

Era uma situação meio ninja, tipo..

REGRAS 1

Hoje em dia eu posso passar o aspirador na frente do quarto deles que eles continuarão profundamente adormecidos.

Ou seja, a regra do tira-o-sapato-na-frente-do-quarto caiu.

Dizem que para as crianças as regras são muito importantes. Tem gente que discorda, sei que existem linhas de maternidade mais liberais (pelo menos já li a respeito).

Mas por aqui temos a rotina, e uma porção de regras. Exemplo:

regras 2
Enfim. Essas são apenas algumas.

E esta tarde, meu filho criou uma regra nova.

Minha pequena de dois anos estava inconsolável porque queria ter servido a salada no prato dela sozinha, e eu já havia servido. Obviamente essa situação para uma criança de dois anos é considerada algo próximo do fim do mundo.

Então ela chorava e se debatia no chão, e ninguém sabia o que fazer.

Eis que meu filho, preocupado, diz:

FILHO: Mãe tenho uma nova regra pra nossa casa

EU: Qual filho?

regras 2

(L)

Eles se batem, reclamam um do outro o dia inteiro, as brincadeiras acabam em choro… Mas no fundo se importam (muito) um com o outro.

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PS: É claro que não vou acatar essa regra nova da casa.

PS2: Ela logo parou de chorar, depois de eu convidá-la para servir salada no prato do irmão.

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O besouro

Eis que na minha varanda aparece um besouro. No meio de são paulo, capital.

Eu particularmente (como vocês podem conferir neste post) não amo quando esses bichos aparecem. Mas preciso reconhecer que essas ocasiões são muito emocionantes e bem aproveitadas pelas crianças.

Primeiro a minha reação:

Screen Shot 2015-04-24 at 4.35.43 PM

Como eu vejo o bicho.                                                    Como ele é de verdade

Aí as crianças aparecem correndo, num misto de empolgação e adrenalina:

besouro 2

E então, meu filho começa a utilizar as suas técnicas infalíveis de como se livrar (não MATAR, apenas tirá-lo da casa) do bicho. Vamos lá:

#1 Tentar pegar com pedaço de papel e jogar pela janelabesouro 22

Digamos apenas que a coordenação de um menino de cinco anos não é suficiente para essa missão. Conseguimos com grande dificuldade apenas virar o bicho de cabeça pra baixo, se debatendo com as perninhas pra cima.

#2 jogar água

besouro 23

Mas ele não jogou água o suficiente.

O bicho continuou naquela posição mexendo as patinhas freneticamente.

#3 Fazer um desenho muito feio e assustador para amedontrar o bicho para ele ir embora

BESOURO 2`1

Por razões óbvias não funcionou.

#4 Jogar mais água

E transformar a varanda numa piscina da dengue?? De jeito nenhum.

Entre essas e outras, o besouro conseguiu se desvirar e sorrateiramente, se mandou.

RESULTADO: Há um besouro a solta pela minha casa. Aiai. Vamos rezar para dar tudo certo.

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Da série “mamãe pegou dengue”

Pois é, peguei.

Não sei onde, não sei quando e nem como. Mas eu, como milhares aqui em são paulo, fui premiada pelo mosquitinho sem vergonha. E naturalmente fiquei acabada, de cama, tomando soro, etc etc e tal, faltando no trabalho, na aula…

Mas já estou melhorando, e isso que importa.

Mamãe doente foi sensação na casa. E confesso que fiquei impressionada com a capacidade dos filhos entenderem que a mamãe tá dodói e precisa ficar na cama. Bonitinhos, eles traziam seus livrinhos e jogos pra brincarmos juntos deitados. Meu quarto se tornou uma zona, mas tudo bem, são os ossos do ofício..

Minha filha, muito preocupada, fez questão de usar o seu método de tratamento altamente eficaz, denominado por ela mesmo de “gelinho”. Consiste em ir até o congelador, pegar uma pedra de gelo, e passar na região ferida.

FILHA: mamãe, aonde tá doendo?

EU: aqui no meu braço, meu amor.

Que local que eu poderia falar, né?

post 85

Acredito que ela aprendeu essa técnica na escola.

Depois de pressionar o gelo na minha mão por uns 6 segundos, ela diz:

post 85 b

E aí ela pediu o que pareceu ser o pagamento pelo atendimento.

FILHA: Então dá beijo aqui na minha bochecha.

EU (morrendo de amores): smack!! Que bochecha gostosa! Posso dar mais um?

post 85 c

E assim, levantou e foi embora.

O tratamento foi bastante produtivo, fico feliz em afirmar que já estou muito mais bem disposta.