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Um belo dia

Um belo dia você acorda e percebe que dormiu uma noite inteira sem ninguém te acordar.

Que você até conseguiu tomar um banho tranquila, sem ninguém ficar te chamando do lado de fora.

Um belo dia você consegue voltar a ler. E a trabalhar. A malhar, a comer e ver sua série –quase- tranquilamente.

Ter até um tempinho de ócio.

Um belo dia você percebe que logo mais vai poder devolver aquele vaso de cristal na mesa da sala.

Um belo dia aqueles passinhos ligeiros e suaves no corredor se tornam passadas firmes e estrondosas.

E ninguém mais grita mãããe, acabei o cocô.

Um belo dia picoca vira pipoca.

E aquele dentinho que você comemorou tanto quando nasceu, cai.

Um belo dia ninguém te pede para ler um livro, porque já sabem fazê-lo por conta própria.

E aquela peça de roupa, que parece que cresceu junto com eles, de repente não entra mais.

Um belo dia eles ficarão com vergonha que você lhes dê um beijo na frente dos amigos.

E você irá se assustar com a altura deles. Com o jeito maduro/retraído/desenvolto/responsável/engraçado/sério/focado de serem.

Um belo dia eles sem querer dirão alguma verdade que vai te tirar dos trilhos e fazer repensar tanta coisa.

Sei que novos belos dias vão chegar. Eles sempre chegam, entre uma garfada e outra, depois do banho quentinho, ou naquele semáforo que sempre atrasa a gente para chegar na escola.

Desejo apenas conseguir apreciar esses belos dias com toda a beleza que cabe à eles.

Afinal, eles não são chamados de belos dias à toa.

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Doces na escola. Ou sobre como as coisas são e como deveriam ser.

Em todo lugar há regras.

E nós, como seres humanos do bem e civilizados, temos de segui-las, certo? Seja na vida, no mundo, no trabalho, entre família ou amigos.

Na escola dos meus filhos, por exemplo, há uma porção de regras. Não pode levar doces. Nem celular ou videogame. Não pode ir sem uniforme. Não pode “vender coisas”, ou chegar atrasado.

Eu, como mãe, faço o que está dentro do meu alcance para as crianças se manterem “dentro da lei”. Por exemplo, organizo para os uniformes estarem sempre à mão, e me responsabilizo pela gritaria correria de todas as manhãs para eles chegarem cedo na aula.

É um momento bem tranquilo do dia, onde tenho tudo sob controle:

(Sim meu filho é a personificação da desordem. Tadinho, puxou a mãe.)

Mas, milagrosamente, conseguimos chegar à tempo quase todo dia.

No entanto, há algumas coisas que fogem do meu controle. Por exemplo, a última moda na turma do meu filho (de nove anos) é levar mercadorias para vender na escola entre amigos. Mais especificamente, balas e pirulitos – pirulitos que viram chiclete valem mais. Também há vendas ilícitas de cards de Pokémon. De folhas de papel A4 (10 por 1 real), de figurinhas da Copa (se não é da copa do mundo, é da Copa América. Se não é copa América, é copa feminina, senão é Champions League.. Enfim. É um negócio sem fim.)

Numa rápida pesquisa sobre essas vendas, descobri que elas são sazonais e ocorrem apenas enquanto durarem os estoques. Ou seja, hoje o Gabriel* vende balas porque a tia deu pra ele um pacote no fim de semana. E o Pedrinho* vende figurinhas porque completou o álbum e sobraram muitas.

Enfim. O giro é rápido.

Naturalmente, meu filho queria participar desse mercado negro comércio interno, e eu, naturalmente, sentei e expliquei para ele que era proibido na escola. Argumentei que crianças lidando com dinheiro e mercadorias podia gerar confusão. Falei que esta prática fere dois itens da legislação do colégio: o que proíbe levar doces E o que proíbe vender coisas. Confere ao marginal praticamente uma pena de prisão perpétua.

E então ele me disse: 

Respondi que ele não é todo mundo (clássico, bingo pra mim). Que o que certo é certo. Que a gente tem que sempre seguir as leis, fazer o que é correto. Etc. Tentei botar moral no pedaço, sabe?

Mas mesmo depois de toda a conversa ele quis porque quis participar da economia escolar e, eventualmente, acabou tendo o seu momento de vender pirulitos que ganhou da avó (contra a minha vontade e ‘escondido de mim’)

Decidi deixar por conta da escola, afinal uma mãe precisa escolher suas batalhas.

O problema piorou quando minha filha de seis anos decidiu também entrar nessa onda. Antes, quando eu dizia para ela não levar doces na escola, ela obedecia. Mas essa semana no carro a caminho do colégio percebo que ela tem um pacote de balas na mão. Que ela ganhou – adivinha – da avó.

EU com voz acusadora: Filha, aonde que você vai com essas balas? (Me sentindo o próprio Lobo Mau para Chapeuzinho Vermelho)

FILHA: Ué, vou trocar com minhas amigas. Todas levam bala pra trocar.

EU: Trocar?

FILHA: É, trocar.

Na minha época trocávamos papéis de carta e selinhos.

Bom, mas pelo menos elas não vão vender.

EU:  Mas filha isso aí não é proibido pela escola? Não pode dar confusão?

FILHA: Não mãe. É tudo combinado: por exemplo, uma bala grande vale duas pequenas. Um pirulito também, porque dura mais.

Oras, até que elas são organizadas. Existem leis entre os fora da lei, afinal.

EU: Mas filha, não é proibido levar bala na escola??

Me deu um beijo e foi para o seu dia, deixando essa mãe que vos escreve um tanto estarrecida, pensando… será que não é cedo para eles descobrirem que nem sempre as coisas são como deveriam ser?

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* Todos os nomes deste texto foram alterados para preservar a identidade dos fora da lei personagens

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Sobre quando todo mundo pegou Influenza B

A primeira a ter febre foi minha filha do meio.

Foi um febrão, do nada. Seguido de um dia inteiro de total desânimo. Ela deitando pelos cantos da casa, sem vontade de brincar, bagunçar, comer e nem ver televisão.

A parte da televisão me preocupou.

Mas ela só queria ficar deitada, quietinha.

Levei ao hospital. Lotado, não havia nem onde sentar. Peguei-a no colo porque ela mal conseguia ficar em pé. Até sermos atendidas, o exame realizado, termos um diagnóstico e sermos liberadas para voltar para casa levou cinco horas. CINCO HORAS.

Tratamento: 5 dias do Tamiflu. Antitérmico para febre. Muito líquido. Dieta leve. Sem escola ou qualquer atividade por uma semana. E sem contato com os irmãos, principalmente com a irmã pequena, de apenas dois anos.

Sei. Só se trancafiá-la no quarto. Os três, apesar de brigarem direto, são super grudados.

Chegando em casa com ela, eu tento instaurar e manter uma política de isolamento, mas é só eu sair de perto deles por um minuto que quando volto, estão assim:

Maravilha! Bem na cara da irmãzinha.

E é tiro e queda. Dois dias depois, adivinha quem está com febrão? Pois é. A pequena.

Eu, já mais esperta, responsável e experiente, vou ao hospital com um pedido de exame em mãos, para não pegar a monstruosa fila como da outra vez. Mesmo assim, todo o processo leva um tempo, onde brincamos e desenhamos com aqueles brinquedos e giz de cera contaminados da sala de espera do hospital.

Afinal, ela já está doente mesmo né.. fazer o quê. Que brinque com as coisas

Diagnóstico: Influeza B.

Voltamos para casa, e, enquanto estou na cozinha preparando um suco de laranja para as minhas agora DUAS pacientes, meu filho mais velho aparece meio cambaleando e diz, baixinho: “mãe, não estou me sentindo muito bem”.

“Ah, nãooooo filho!! Você também?????”

Mas só de tocá-lo consigo sentir a fervura de sua pele. Dou um abraço. Penso comigo que ele nem precisa fazer exame, seu diagnóstico é mais do que óbvio.

Nesse momento estou sem ação, me sentindo uma espectadora em uma comédia tragicômica. Mas é lógico que vamos fazer o exame. De novo. Mais uma ida ao hospital.

O manobrista já inclusive virou meu ‘brother’, e fez até piadinha:

Engraçadinho. Pergunto para ele se a terceira vez não pode ser por conta da casa (#engraçadinha).

Enquanto esperamos para sermos atendidos, brinco com o meu filho que ele e as irmãs podiam ter combinado de ficar doentes juntos para a gente economizar a viagem e irmos todos ao hospital de uma vez só, em vez de se revezar. Ele ri. Eu rio. E seguimos para a sala de exames. Só para tirar a dúvida do diagnóstico.

Que deu positivo.

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A Vacina da Febre Amarela

Se você mora no Brasil, deve lembrar-se daquele surto da vacina da febre amarela, no ano passado. Lembra?? Todo mundo aflito atrás de uma dose para chamar de sua, os jornais noticiando as filas quilométricas e o desespero.

Fiquei com dó das crianças, que acabaram entrando nessa onda (porque eles são esponjas, escutam os pais comentando, ouvem no rádio, tv, etc, e quando a gente vai ver eles estão fazendo mil perguntas pertinentes e sabendo de tudo), mesmo sendo muito mais informação do que a cabecinha deles é capaz de processar.

Tadinhos. A imaginação não tem fim.

Sempre tem aquela parcela da população que é super precavida e responsável, que consegue perceber quando haverá uma crise ou um surto de vacinas e se antecipam. (Quem são essas pessoas? Aonde vivem? Do que se alimentam?).

Elas dizem coisas como:

Eu, óbvio, não faço parte deste seleto grupo de seres humanos. Não. Por motivos que fogem da minha compreensão, eu acabo procrastinando e sempre deixo para última hora. E quando dou por mim já não há mais a tal da vacina.

Lembro de ter tentado de todas a maneiras: acordar as crianças cedo e chegar horas antes de abrir o posto. Em vão. A fila virava o quarteirão, subia a avenida e já não havia mais senhas. Não contente, liguei em todos os particulares que conhecia e a resposta era sempre a mesma: acabou e estamos sem previsão de chegada. Talvez em março.

E as filas eram tão grandes, mas tão grandes, que se tornaram referência na cabeça do meu filho. Até hoje, quando vemos pessoas enfileiradas num restaurante, no ponto de ônibus, na casa lotérica, etc, ele comenta:

Acabei conseguindo (em março) a bendita vacina.

Todos tomaram, mas até hoje falam no assunto. Me pergunto quando irão esquecer…

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Brincar de cabana

Você brincava de fazer cabana quando era pequeno?

Essa é uma brincadeira muito fácil e é SEMPRE um sucesso. Se você por acaso não teve infância não a conhece, consiste em pegar um lençol antigo (ou uma manta, toalha, o que tiver disponível) e tentar esticá-lo do jeito que der, prendendo-o entre dois móveis, como por exemplo entre dois sofás, formando uma cabana embaixo. Os pequenos piram nisso, colocam a imaginação para trabalhar.. é muito legal.

E no fim, eles acreditam piamente que a cabana deles ficou assim:

Quando na verdade ela é algo assim:

Mas tudo bem né? O importante é eles felizes. E a criatividade à mil.

Eu lembro que brincava MUITO disso com meus irmãos quando era pequena. E hoje em dia meus filhos adoram essa brincadeira também. Tem dias em que eles estão mais inspirados e ficam horas desenvolvendo as melhores técnicas de deixar a cabana esticada e grande (antes de começarem a se matar discutir pela decoração/disposição/espaço/móveis/qualquer assunto da cabana. O que sempre acontece depois de um certo tempo de brincadeira).

Um fator determinante para que ela seja considerada uma cabana de sucesso é se eles conseguem fazer com que fique tudo escuro lá dentro. Logicamente, essa é uma façanha praticamente impossível, mas eu finjo que tento ajudá-los, e fica tudo certo. Depois de um certo tempo tentando eles desistem.

Aí, uma vez montada essa elaborada tenda, eles curtem mobiliá-la, levar livros, lanternas, uma maçã cortada, travesseiros e cobertores, e juram que essa noite sim, eles vão dormir nela.

Bom, essa semana eu estava compenetrada numa leitura enquanto eles montavam uma cabana. Nesse dia em especial os dois estavam super focados e em sintonia, a brincadeira já durava horas sem brigas (o que, como meus leitores já sabem, é uma raridade aqui em casa). Quando de repente eu escuto meu filho de 9 anos comentando com minha filha de 6:

FILHO: Agora só falta fazer um bloquinho de Wi Fi e está pronta.

Um bloquinho de wifi?? Estou intrigada.

EU (precisando me meter no papo): Com assim filho, um bloquinho de wifi? Tipo um modem?

EU: Entendi… e usar o google pra quê por exemplo?

FILHO (após um momento de reflexão): Ah, para se eu precisar pesquisar como fazer fogo, por exemplo.

EU (morrendo de rir): Então tá.

Apresento à vocês caros amigos, a nova geração de montadores de cabanas. Elas são super tecnológicas vêm com wi-fi embutido. Só não possuem fósforos, isqueiros ou boca de fogão.
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*Meu filho fala “desencana”.. o seu também? Acho uma linguagem descolada demais para um menino de nove anos… 

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Tem um bebê em casa

Chegar em casa com a bebê foi um acontecimento muito esperado nessa casa. Bom, lógico, depois de quase quatro anos e meio sem bebê em casa, chegar com ela foi quem nem trazer um ET pra casa. Ou um saco cheio de pirulitos.

Ou uma tarântula.

Sempre me disseram que os mais velhos sofrem com ciúmes, então eu cheguei do hospital super preparada para fazer com que eles se sentissem o mais felizes possível com a nova moradora da casa. Primeiro, entreguei os famosos “presentes que a bebê trouxe” (da onde eles acham que vem esse presente? Do além? Do útero? Que depois de sair um bebê, sai de mim um carrinho de controle remoto e um kit de instrumentos da Peppa Pig? Deixarei essa dúvida no ar porque prefiro não entrar no mérito da questão com as crianças. Uma coisa leva a outra, e não quero que eles me façam MAIS perguntas…)

Aliás, não foi isso o que eles pediram de presente pra quando a bebê nascesse. Quer dizer, foi, mas conforme a gravidez foi progredindo eles foram mudando de ideia a cada mês. No fim minha filha pediu um carrinho de boneca (imaginem ISSO saindo do meu útero) e meu filho – meu pequeno mercenário, vê se pode… – leia mais sobre o tema neste post- pediu 50 R$ (o que pelo menos, pensando por outro lado, é beeem mais fácil de parir né?)

Enfim. Entreguei os presentes. E também algumas balas e pirulitos (como se eu estivesse pedindo desculpa por estar fazendo isso com eles. Tipo: “Filhos agora vocês vão ter que me dividir com uma terceira pessoa… por isso, toma aí uns presentes e doces pra ver se dá uma compensada, e se eu me sinto menos culpada)

Naquele momento funcionou, porque eles ficaram super contentes e excitados. Já minha culpa… Esta me acompanha até hoje, firme e forte. Já virou amiga íntima.

Sentei os dois no sofá de casa e deixei cada um segurar a bebê um pouco. Com todo cuidado do mundo (e rezando por dentro) depositei a pequena trouxinha rosa nos braços deles. Primeiro do meu filho. Depois, nos da minha filha.

Os dois se sentiram grandes e importantes.

FILHA: Posso brincar com ela no meu carrinho de boneca novo????

Por razões óbvias, não permiti. Delicada e gentilmente, afirmei que ela ainda era muito pequena pra brincar no carrinho de boneca. Então eles decidiram que seria uma boa ideia pegar todos os brinquedos de quando eles eram bebês e ficar chacoalhando na cabeça da recém nascida.

Porque com brinquedo de bebê ela pode brincar né?

Só digo uma palavra sobre aquele momento: socorro!!!

Tivemos muitos momentos SOCORRO desde então..

Coitada.

Mas tá dando tudo certo. E o pior é que ela gosta dessa bagunça frenética, é apaixonada pelos irmãos. De vez em quando ela chora porque eles exageram, mas pouco a pouco eles foram aprendendo a dosar as brincadeiras.

E foi assim, no dia a dia, que eles foram aprendendo a lidar com ela. E que eu fui aprendendo a lidar com os três. E que nós cinco fomos sobrevivendo ao primeiro ano da nossa bebê em casa…

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Propina??

Aqui em casa cada filho guarda uma bolsinha de dinheiro. Calma, não é o que vocês estão pensando, uma bolsa cheia da grana.. não. É só um moedeiro em formato de coelhinho (verde pra ele e rosa pra ela) com umas moedas e umas notinhas perdidas que eles já ganharam na vida.

Eu não dou mesada pros meus filhos porque não sou organizada o suficiente pra isso. Já tentei dar uma vez mas como eu mais esquecia do que dava, acabamos abolindo essa moda da nossa casa. (Aceito dicas sobre esse assunto, sei que é ótimo eles saberem administrar seu próprio dinheirinho desde cedo e blá blá blá, mas simplesmente não rolou por aqui)

Enfim. As vezes levo eles na banca cada um com seu moedeiro e deixo eles escolherem o que quiserem – o que é um exercício bacana, porque sempre que eles tem que gastar o próprio dinheiro eles escolhem no máximo uma cartela de selinhos ou uma figurinha. Gibi que custa uns 4 reais eles não compram – muito caro. Quando sou eu que pago eles querem a banca inteira.

Porém, ultimamente tenho notado que meu filho tem tentado comprar as pessoas com esse dinheiro dele.

Veja o exemplo ocorrido há um mês:

FILHO: Mãe, deixa eu convidar um amigo hoje direto da escola?

EU: Filho, hoje não dá… a gente tem compromisso

FILHO: Vai mãe, por favor??

EU: Não dá, mesmo! Outro dia você chama.

 

EU: Oi???

E aí eu expliquei pra ele que não adianta pagar, que a gente não muda os pensamentos de uma pessoa dando dinheiro pra ela (será??) e que isso não é uma coisa bonita de se fazer. Afinal, tá na ‘funça’ de mãe né, criar filhos corretos e íntegros, não corruptos ou subornadores.

Eis que nesse final de semana fomos viajar com uns amigos e no sábado de manhã minha amiga me conta, morrendo de rir:

(Rafa é o amiguinho, filho dela, que estava com a gente na viagem)

EU (também rindo né, porque ninguém é de ferro): e o que você falou pra ele?

AMIGA: que por um real eu não acordava, mas por vinte dava pra gente conversar.

Algum dia ele aprende. Espero. Socorro.

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Para quem ficou com a dúvida: não, ele não aceitou a negociação e não pagou os vinte reais. E o Rafa continuou dormindo até as 11 da manhã. 

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